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Paul McCartney aumenta pressão por novas regras para a imprensa britânica

Publicado em Mundo por Caiopro em 03/12/2011

Ex-Beatle se reuniu com a polícia para analisar provas de que jornalistas grampearam seu telefone

Paul McCartney é mais uma celebridade a ter tido seu telefone grampeado

O ex-Beatles Paul McCartney pediu neste sábado (3) que as autoridades britânicas aprovem uma nova regulamentação para a atuação da imprensa no país, após a polícia lhe mostrar provas de que seu telefone teria sido grampeado.

Hugh grant acusa tabloides por escutas

Paparazzi defende invasões de privacidade

McCartney acredita que teve seu celular grampeado por vários jornalistas na época em que se divorciou da sua segunda mulher, Heather Mills, em 2008, diz o site do jornal britânico The Guardian neste sábado.

O ex-Beatle teve uma reunião com a polícia de Londres após se mostrar preocupado em ser uma das vítimas do escândalo das escutas ilegais praticadas por jornalistas de tabloides britânicos como o News of The World, fechado em julho.

Em agosto, Heather Mills acusou funcionários do tabloide britânico The Times de terem grampeado seu telefone, após a publicação de matérias sobre as crises do casal em 2001. Na época, o ex-editor do jornal, Piers Morgan (que hoje é apresentador de um talk show na rede de TV CNN) rebateu as acusações dizendo que a própria Heather é que teria grampeado o telefone de McCartney.

McCartney, que se casou com sua terceira esposa, Nancy Shevell, em outubro deste ano disse que sabia que seu telefone estava sendo rastreado porque os tabloides conseguiam histórias “com detalhes pessoais que ele não havia contado a ninguém”, diz o Guardian.

Segundo o músico, as invasões de privacidade mudaram seu comportamento ao telefone e pediu novas regras para evitar abusos da imprensa britânica.

- Eu tento não falar muito ao telefone mais. Se deixo uma mensagem, é sobre alguma coisa boa.Você se adapta às circunstâncias, mas eu acho que seria bom se tivéssemos algumas leis.

McCartney é mais uma celebridade a afirmar que teve seu telefone grampeado por jornais britânicos. O escândalo dos grampos, revelado em julho, agora é investigado pela comissão Leveson, que ouviu durante esta semana jornalistas, atores e outras vítimas de escutas ilegais para chegar a recomendações para uma nova regulamentação para a imprensa local.

Entre as supostas vítimas dos grampos ouvidas pela comissão Leveson estão o ator britânico Hugh Grant, a atriz Sienna Miller, a autora de Harry Potter, J.K. Rowling e o ex-diretor da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Mos Wesley.
* matéria publicada originalmente no Portal R7

Paparazzi xinga ex-editores e defende invasões de privacidade

Publicado em Mundo por Caiopro em 29/11/2011

Ex-funcionário do News of the World teve depoimento controverso na comissão dos grampos

Ex-jornalista do News of the World, Paul McMullan testemunha diante da comissão Leveson, que investiga os grampos telefônicos ilegais praticados por funcionários do tabloide britânico

Os ex-editores News of the World, Andy Coulson e Rebekah Brooks, são “a escória do jornalismo”, disse nesta terça-feira (29) um ex-jornalista do tabloide britânico à comissão que investiga o caso dos grampos telefônicos ilegais praticados por funcionários do jornal.

Paul McMullan, um dos poucos ex-funcionários do News of the World a afirmar que os crimes eram de conhecimento geral nas redações do tabloide, testemunhou nesta terça-feira à comissão Leveson, em Londres. Ele defendeu o “direito” de a imprensa invadir a privacidade das pessoas, e teve de ser alertado diversas vezes para que não se incriminasse diante do tribunal.

A comissão também ouviu nesta terça o repórter Nick Davies, do jornal The Guardian, que revelou o caso em julho deste ano.

De acordo com McMullan, Coulson foi o responsável por disseminar as escutas telefônicas como uma prática corriqueira no News of the World, em 2003. Ele também chamou sua ex-editora, Rebekah Brooks, de “chefe do crime”, diz o site do jornal britânico The Guardian.

O tabloide foi fechado em julho de 2011 por causa das acusações de seus repórteres estariam grampeando o telefone de familiares de vítimas de crimes e celebridades britânicas para conseguir furos de reportagem.

Perguntado sobre se seus editores sabiam das escutas ilegais, McMullan disse que Brooks e Coulson haviam encomendado os grampos telefônicos.

- Eu poderia ir até mais longe [do que dizer que eles sabiam]. Nós [jornalistas do News of the World] faziamos essas coisas para os nossos editores. Você só precisa ler as colunas de [Andy] Coulson, era tão óbvio. Mas eu não sei se algum de nós sabia que estava cometendo um crime na época.

McMullan acusou Coulson de ser o responsável por disseminar a prática no tabloide.

- Andy Coulson foi quem trouxe a prática toda consigo, quando virou editor do News of the World. Ele deveria ter tido a força de convicção para dizer que “às vezes você precisa ter um pé na ilegalidade”, mas ao invés disso, preferiu dizer que ninguém sabia de nada. Eles [Coulson e Brooks] deveriam ser os heróis do jornalismo, mas são a escória do jornalismo por tentar incriminar a mim e aos meus colegas.

Tanto Andy Coulson quanto Rebekah Brooks negam saber das escutas telefônicas ilegais praticadas pelo jornal.

Jornalista defende invasões de privacidade

O juiz Leveson, que preside a comissão, teve de alertar por várias vezes que Paul McMullan poderia estar se incriminando diante do tribunal. O ex-funcionário do News of the World defendeu que a imprensa tem o direito de invadir a vida pessoal dos cidadãos e disse que “privacidade é coisa para pedófilos”.

- Durante 21 anos eu invadi a privacidade das pessoas e nunca encontrei ninguém que não estivesse fazendo algo de errado. Privacidade é um espaço que pessoas ruins precisam para fazer coisas ruins. Privacidade é para pedófilos.

O jornalista também defendeu o trabalho dos paparazzi como os que provocaram o acidente de carro em que a princesa Diana morreu.

- Eu adorava essas perseguições de celebridades. Antes de a princesa [Diana] morrer era tudo tão divertido. Quantos trabalhos no mundo envolvem perseguições de carro?

McMullan defendeu seus antigos colegas do News of the World, a quem chamou de “honestos e honrados”, e disse que grampear o telefone da menina Milly Dowler (assassinada por um pedófilo em 2003) “não foi um mau-jornalismo”. Segundo ele, os repórteres do tabloide queriam descobrir se a menina estava viva, já que não tinham muita confiança na polícia.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Hugh Grant acusa tabloides por grampos telefônicos

Publicado em Mundo por Caiopro em 21/11/2011

Ator denuncia o jornal Sunday por hackear seu celular atrás de conversas “picantes”

Ator britânico Hugh Grant é abordado por cinegrafistas na saída de seu depoimento diante da comissão parlamentar que investiga o as escutas ilegais praticadas por jornalistas britânicos

O ator britânico Hugh Grant (de Um Lugar Chamado Notting Hill) levantou novas suspeitas nesta segunda-feira (21) sobre o escândalo dos grampos ilegais dos telefones de celebridades e outras personalidades do Reino Unido, praticados por jornalistas do grupo de mídia News International. Em depoimento à comissão que investiga o caso, Grant disse acreditar ter tido seu telefone “hackeado” por um jornalista do tabloide Sunday.

Relembre os barracos da imprensa

Entenda o escândalo dos grampos 

Diante da comissão Levenson, que investiga o caso no Tribunal Superior de Londres, Grant afirmou que uma história publicada em 2007 pelo jornal Sunday surgiu de escutas da caixa-postal de seu celular. A reportagem afirmava que o ator vinha recebendo telefonemas “picantes” durante a madrugada, diz o blog em tempo real do jornal The Guardian.

De acordo com o jornal britânico The Telegraph, o parlamentar Robert Jay CQ questionou o depoimento do ator, dizendo se tratar de “pura especulação”. Grant respondeu dizendo que “adoraria ouvir explicações do jornal” e saber quem foram suas fontes.

- Não consigo pensar em nenhuma fonte possível para essa história do Sunday que não sejam as mensagens de voz no meu telefone.

O ator reafirmou possuir uma gravação em que um antigo funcionário do News of the World, Paul McMullan, admitiu que o jornal praticava grampos ilegais durante uma conversa informal com Grant. Ele já havia dito isso em abril, mas novamente se negou a mostrar a fita, dizendo que “não quer mandar Paul para a cadeia”.

Grant diz ter tido apartamento invadido por jornalistas

Além disso, Grant também disse que seu apartamento foi invadido por jornalistas durante os anos 1990. Segundo ele, nada foi roubado, mas uma matéria no dia seguinte listava uma série de objetos pessoais.

O ator também acusou o tabloide britânico Daily Mail de ter pagado o equivalente a R$ 419 mil (cerca de 150 mil libras) ao ex-namorado da mãe de uma de suas filhas para conseguir fotos dela nua. Em outro momento, Grant também disse que um paparazzi já chegou a ameaçar a avó de uma de suas filhas.

Essa é a primeira vez que o Sunday é citado durante o escândalo, que recai principalmente sobre o extinto tabloide News of the World, também propriedade do magnata das comunicações Rupert Murdoch. Funcionários do grupo são acusados de ter grampeado telefones de celebridades, da família real, autoridades, famílias de soldados britânicos no Iraque e Afeganistão, e da garota Milly Dowler, caso que revelou o escândalo.

A menina de 13 anos foi sequestrada e assassinada por um pedófilo, mas os pais da garota e a polícia foram induzidos a pensar que ela continuava viva porque jornalistas do News of the World adulteraram mensagens de voz em seu celular. Os pais da adolescente também prestaram depoimento nessa segunda-feira.

Ator chama imprensa britânica de “bullying”

Hugh Grant encerrou sua participação na comissão listando “os dez mitos” do jornalismo praticado pelos tabloides britânicos. Ele citou, por exemplo, que os funcionários do News of the World não grampearam apenas os telefones de celebridades, mas também de familiares de soldados britânicos e vítimas de crimes.

Grant se disse a favor da liberdade de imprensa, mas pediu para que os parlamentares cheguem a novas regulamentações para proteger a privacidade. Segundo ele, chegou a hora de o país se defender do “bullying” de parte da imprensa local.

- Existem alguns exemplos de jornalismo tóxico sendo praticado ao redor do mundo, mas no geral isso é feito com elegância. Uma elegância que perdemos nesse país. A principal tática parece ser bullying e chantagem. Precisa de muita coragem para desafiar isso. Acho que nosso país [Reino Unido] tem um histórico de combater valentões e acho que chegou a hora de encontrarmos coragem para vencer esse.

Pais de pré-adolescente hackeada também testemunham

Os pais de Milly Dowler, assassinada em 2002 por um pedófilo, também prestaram depoimento a comissão parlamentar que investiga o escândalo das escutas no Reino Unido. Bob e Sally Dowler contaram sobre o momento em que foram induzidos a pensar que sua filha talvez ainda estivesse viva. Os dois foram as primeiras vítimas dos supostos grampos a depor na comissão.

- Vi uma mensagem de voz no celular dela e disse: “ela ouviu uma mensagem de voz, Bob! Ela está viva!”

Jornalistas do News of the World são acusados de terem adulterado mensagens de voz no cellular da menina, o que fez com que autoridades pensassem que ela pudesse estar movimentando sua conta telefônica. O caso foi revelado em julho deste ano e, semanas depois, levou ao fechamento do tabloide de 164 anos, o mais antigo do Reino Unido.

O casal também contou acreditar que seus próprios telefones foram hackeados por jornalistas do tabloide. Segundo eles, o jornal os espionou durante as semanas seguintes ao desaparecimento de sua filha para conseguir fotografias exclusivas.

Sally, a mãe, relatou ainda seu encontro “muito tenso” com o dono do jornal, o octagenário Rupert Murdoch. Segundo ela, Murdoch se desculpou parecendo “muito sincero”. Eles receberam até R$ 8,3 milhões em indenizações do jornal, diz o The Guardian.

Murdoch e seu filho, James, são alvos da investigação sobre o escândalo. James Murdoch inclusive já foi questionado duas vezes pela comissão parlamentar, onde recentemente acusou seu antigo editor e um advogado da empresa pela prática.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Advogados usam “ereções involuntárias” para defender criador do WikiLeaks

Publicado em 4:20, Mundo por Caiopro em 13/07/2011

Julian Assange enfrenta processo de extradição para a Suécia por crimes sexuais

Criador do WikiLeaks, Assange é acusado de estupro na Suécia

O último dia da audiência que julga um recurso contra a extradição de Julian Assange provocou gargalhadas no Supremo Tribunal de Londres nesta quarta-feira (13), segundo relatos publicados no jornal britânico The Guardian.

Após os argumentos da acusação, os advogados de defesa de Assange procuraram desqualificar as queixas de crime sexual alegado pelas duas suecas que acusam o criador do WikiLeaks com argumentos pouco convencionais – até a ereção noturna de Assange entrou na roda.

Depois de a promotora Clare Montgomery ter acusado Assange de “coagir” as mulheres para ter relações sexuais sem camisinha, o advogado de defesa do australiano tentaram convencer os dois juízes encarregados do caso a invalidar o mandado de prisão emitido pela Justiça sueca.

No argumento, o advogado Ben Emmerson tentou desqualificar os depoimentos das suecas e repassou os acontecimentos que levaram ao pedido de extradição de seu cliente – o australiano é acusado de fazer coagir as mulheres a fazer sexo sem camisinha, o que, na Suécia, equivale ao crime de estupro, se um juiz entender assim.

- Ele [Assange] está ao lado dela em uma cama de solteiro. Homens têm ereções involuntárias durante a noite. Em uma cama de solteiro, há uma grande chance de que ela entre em contato com seu pênis.

A resposta do juiz Justice Ouseley levou o tribunal à gargalhada.

- Eu concordo…

“Acusação é maluca”, diz defesa

Emmerson acrescentou detalhes sobre os encontros de Assange com as vítimas, citando os depoimentos delas, que disseram ter tido “almoços íntimos”, convidado o australiano para dormir em sua casa, dado uma festa em sua homenagem e mandado mensagens em uma rede social dizendo estar “com a pessoa mais interessante do planeta”.

Segundo Emmerson, a ideia de isolar um momento de falta de consentimento “em um encontro onde ambos consentiram antes e depois é maluca”.

Ele se referia às declarações da promotoria, que mais cedo afirmou que Assange teria estuprado uma das vítimas enquanto dividia a cama com ela.

Acusadora não quis sexo, mas “pode ter mudado de ideia no meio”

De acordo com a promotora Clare Montgomery, Assange teria forçado a vítima a manter relações sexuais sem camisinha enquanto ela dormia. No entanto, apesar de afirmar que o sexo não foi inicialmente consentido, a própria promotora admitiu que “talvez ela tenha mudado de ideia no meio”, depois de acordar.

Segundo Clare, o ato inicial de estupro não pode ser relevado mesmo que ela tenha consentido depois.

Assange tem um mandado de prisão para ser interrogado por três acusações de agressão sexual e uma de estupro pela Justiça sueca.

Ele teria mantido relações sexuais sem camisinha com duas mulheres em agosto de 2010.

Defesa questiona mandado de prisão

A defesa de Assange também questionou o mandado de prisão emitido pela Justiça sueca, válido para toda União Europeia. Segundo a defesa, as acusações estão “fora das proporções” necessárias para estabelecer esse tipo de mandado.

Além disso, a defesa argumentou que uma das vítimas “nem queria ter ido à polícia” e foi coagida por autoridades suecas a delatar Assange. Segundo eles, ela queria apenas que Assange fizesse testes de sangue, mas foi pressionada pela polícia a dar queixa por agressão sexual.

No primeiro dia de audiência, os advogados do australiano tentaram convencer os juízes de que as acusações contra Assange não seriam consideradas um crime no Reino Unido. Por isso, ele não poderia ser extraditado do país.

A defesa de Assange argumenta que ele não teria um julgamento justo no país nórdico e que o processo serviria de fachada para uma futura extradição para os Estados Unidos.

Em 2010, o WikiLeaks divulgou uma série de telegramas confidenciais de embaixadas americanas, o que causou grande mal-estar nas relações entre os EUA e vários países. Pouco depois, Assange foi preso e permanece em prisão domiciliar desde dezembro de 2010.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

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