O'RELLY?!

Republicanos já somam mais de R$ 30 milhões em apenas dez doações nos EUA

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 21/01/2012

Novas leis de financiamento beneficiam bancos e milionários, acusam críticos

Republicano Mitt Romney (esquerda) lidera as doações de campanha nessa fase de primárias do Partido Republicano. Já o presidente Obama tem apenas três aliados entre os 20 maiores doadores desta campanha eleitoral

As eleições de 2008 foram as mais caras da história dos Estados Unidos, com candidatos, partidos e fundos de campanha atingindo a marca de R$ 9,4 bilhões (US$ 5,3 bilhões), mas a corrida presidencial de 2012 já promete ultrapassar esse recorde. Isso porque, de acordo com a revista americana Mother Jones, um conjunto de novas leis de financiamento de campanha acaba de maximizar o poder dos doadores no processo eleitoral do país.

O site lançou na última terça-feira (10) uma lista com os valores depositados pelos principais fundos de campanha e os candidatos beneficiados por esse dinheiro. Só entre os dez maiores doadores do Partido Republicano, o equivalente a R$ 30,2 milhões (cerca de US$ 17 milhões) foram arrecadados – e ainda faltam mais de seis meses para o partido escolher oficialmente o seu candidato.

Desde 2010, uma emenda constitucional estabelece um limite de cerca de R$ 4 mil (o equivalente a US$ 2.500) para doações de pessoas físicas diretamente aos candidatos às eleições, mas permite que empresas e PACs (Comitê de Ação Política, na sigla em inglês) criem comerciais e doem dinheiro ilimitado sem a necessidade de prestar de contas. Não há limite para as doações de pessoas físicas a PACs.

Na época, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que a emenda iria “restringir a influencia estrangeira nas eleições americanas”, mas críticos do sistema eleitoral do país argumentam que a lei, na verdade, colocou ainda mais poder nas mãos de bancos e corporações para mudar o rumo das urnas.

Conservadores dominam doações de campanha

As críticas podem ser comprovadas pelas estatísticas divulgadas pelo CRP (Centro de Política Responsável, na sigla em inglês), ONG que fiscaliza os gastos públicos do governo americano. Segundo os dados divulgados pelo, o dono do cassino Sands em Las Vegas, Sheldon Adison, é responsável por R$ 8,8 milhões (US$ 5 milhões) para o PAC de campanha de Newt Gingrich, Winning Our Future (Vencendo nosso futuro, em inglês). Gingrich é o único pré-candidato republicano que aparenta ameaçar o favorito à candidatura, Mitt Romney.

De fato, os números do CRP mostram que os republicanos são os mais beneficiados pela criação dos PACs, agora conhecidos como Super PACs pela quantidade de dinheiro que vêm arrecadando.

De acordo com as estatísticas, 17 dos 20 PACs mais gastadores apoiam candidatos do Partido Republicano. Dez desses 20 fundos de campanha são voltados para a candidatura de Mitt Romney, e apenas três são favoráveis ao presidente Barack Obama.

Entre os principais doadores de Romney estão Bob Perry, um dos principais empresários da construção civil dos EUA, e o 17º homem mais rico do país, John Paulson, um lobbista que, segundo o jornal The New York Times, foi um dos homens mais beneficiados do mundo pela crise financeira de 2008, com ganhos de até US$ 4 bilhões em um único dia no auge do colapso de bancos e hipotecas americanas. Perry é doador do PAC Crossroads (Encruzilhadas, em português), mantido pelo ex-assessor de George W. Bush, Karl Rove, enquanto Paulson investe seu dinheiro no PAC Restore Our Future (Reconstruir nosso futuro, em tradução livre), de Mitt Romney.

O único milionário da lista do CRP a doar dinheiro para Obama é o ex-diretor-executivo da Disney, Jeffrey Katzenberg. Segundo a ONG, Katzenberg já doou pouco mais de R$ 3 milhões (US$ 2 milhões) para o PAC Priorities USA Action (Ação de prioridades dos EUA, em tradução livre).

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Democracia

Publicado em Política por Caiopro em 26/09/2011

RELATÓRIO: BENDIX, Reinhard, A ampliação da cidadania; in Fernando Henrique Cardoso e Carlos Estevam Martins, Política & sociedade, vol. I, ed. Companhia Nacional, 1983, 2ª edição, pgs. 389-402

Reinhard Bendix discute sobre os processos que levaram a extensão dos direitos civis e do conceito de cidadania na Europa. Ele argumenta que há, até hoje, uma disputa de  âmbito legal para manter o status quo das classes dominantes.

Para Bendix, as ideias de representação funcional e princípio plebiscitário, duas das ideias fundamentais da Revolução Francesa, são elementos levemente discrepantes da democracia moderna. Essas diferenças continuam travando discussões políticas para ampliar ou restringir a atuação dos cidadãos mais pobres nas decisões de seus governos. Trata-se de um embate a igualdade legal e a desigualdade social que persiste até agora em todos os países do mundo.

Para sustentar seus argumentos, o autor pontua as diferenças entre os conceitos de representação funcional e plebiscitos, traçando críticas ao modelo de Bem-Estar Social implementado a partir de meados do século 20 na maioria dos países europeus. A definição dessas duas propostas de cidadania deriva, primeiramente no caso da representação de funções e associações, da Idade Média – hierarquias, grupos sociais com restrições de direitos distintas. No caso dos plebiscitos, se refere ao voto direto em quaisquer decisões públicas, independentemente da qualificação destes cidadãos/eleitores. A formatação dos princípios de um Estado Democrático se baseou em adaptações entre os dois modelo, sempre servindo à boa vontade das classes dominantes em delegar novos direitos e deveres para o restante da população, principalmente suas camadas mais pobres e economicamente dependentes.

Um dos pilares desses direitos civis implantados a partir do século 19 é o estabelecimento da igualdade de todos os homens perante a lei. Se por um lado isto favoreceu as camadas menos articuladas da sociedade, por outro isto destruiu boa parte dos benefícios que, mesmo na Era das Trevas, era estendido a camponeses que passavam por dificuldades, argumenta Bendix. Para o autor, a nova perspectiva de liberdade que a democracia deu aos trabalhadores europeus veio acompanhada de uma desigualdade social ainda pior, impedindo-os de buscar seus direitos constitucionais, desde já transformados em meras formalidades. Pelo menos de início, a democracia protegeu os interesses de propriedade e contratos das classes burguesas.

Bendix critica o modelo de Estado de Bem-Estar Social porque, segundo ele, o argumento legalista dos defensores desta orientação de governo insiste em cercear o direito de livre-associação entre os trabalhadores. Isso porque, sempre segundo o autor, os sindicatos são perseguidos sob o argumento de limitarem a liberdade de expressão de seus associados. É um retrato do embate entre a noção de representação e voto-direto. A representação está proibida, já que fere conceitos como voto secreto e pode exercer pressões indesejadas sob seus próprios associados, e as leis sempre beneficiam os mais ricos.

Entretanto, ressalta Bendix, a própria existência dessas associações (sindicatos, guildas, etc.) se deve justamente a um hiato entre a sociedade e o Estado. Há uma área cinzenta na atuação do governo na vida de seus cidadãos, assim como há uma área cinza na pressão dessas associações sobre seus membros, é verdade.

Por isso, o caminho para a inclusão social dessas classes mais baixas passa pela representação política delas sem que seja necessário recorrer a movimentos sociais unificados. Ou seja, a inclusão social passa pelo direito de participar da vida pública e da política do país. Esse é um processo que ocorreu muito lentamente em vários países na Europa, sempre limitado pela lentidão nas concessões dadas pelas classes dominantes, incluindo o direito a voto, concorrer a cargos públicos e, como o autor demonstra mais a frente, a conquista de votos realmente igualitários entre as diferentes classes sociais.

Os direitos de participação política, diz Bendix, foram condicionados por um processo de unificação dos sistemas nacionais de representação. Seja na Inglaterra vitoriana, seja na Áustria, a inclusão do proletariado no jogo político de seus países ocorreu lentamente, a partir de sucessivas concessões de status. No início, escreve Bendix, o sistema de representação política de países como a supracitada Inglaterra ou a França se baseou primeiramente na distribuição de cargos apenas para os indivíduos mais ricos, proprietários de terras e chefes de famílias ou clãs, embora já diminuísse a restrição de votos estendendo o direito a todos os homens maiores de 21 anos que não vivessem em servidão.

Muitos países europeus, como por exemplo a Noruega, a Hungria e a Áustria, começaram sua transição para a democracia dividindo seus eleitores em diferentes castas, cada uma com um peso diferente nas decisões políticas. Eles eram classificados pela educação, riqueza, “capacidade de juízo” e pelos seus “reais interesses”. Assim, as classes mais ricas conseguiam limitar a evidente maioria camponeses e trabalhadores das fábricas que essas camadas sociais teriam no governo caso tivessem os mesmos direitos modernos que temos hoje.

Esse regime de voto censitário de voto acabou caindo com a extensão do sufrágio universal aos trabalhadores operários através do regime de voto secreto. Ao defender esse direito, as classes dominantes encontraram novas maneiras de restringir o voto, dando um pouco mais de poder mas limitando-o apenas aos indivíduos pais de família, conservadores, e excluindo aqueles “menos comprometidos com a ordem social”. A lei sempre está do lado do poder.

Também se tornou uma maneira de controlar o voto camponês, já que se provou capaz de blindar os operários da propaganda sindical, afastá-lo até de seus colegas e reduzir a polarização da política nacional entre ricos e pobres.

Bendix argumenta que a extensão do voto secreto às classes mais baixas foi o que tornou possível evoluir o debate em torno da cidadania para levar o voto a ser um direito internacional dos cidadãos, mesmo os mais pobres, dando independência às suas convicções políticas e substituindo o sistema de representação, exercido pelos sindicatos, pela opinião certeira dos interessados, como ficou sugerido pelo sistema plebiscitário.

Por fim, Bendix argumenta que esse embate entre os sistemas de representação e voto direto e a extensão dos direitos civis necessita de critérios abstratos para serem postos em prática. É isso que acaba por expor a relação paradoxal entre igualdade de direitos e a desigualdade social. As formalidades da lei favorecem apenas a quem possui recursos para procurá-la, enquanto o Estado de Direito moderno cerca a associação entre classes. Isso porque a eficácia desses movimentos está ligada a sua capacidade de refletir as divisões dentro de si próprios.

A ineficácia de sindicatos e outras associações populares em transmitir essas diferenças, já que muitas vezes são polarizados para uma extremidade ou outra, forçou o Estado moderno a procurar soluções. Uma dessas fórmulas, aponta o autor, é a criação de cargos dentro do próprio Estado para defender os interesses da população – como o promotor de Justiça. É a solução plebiscitária, em que cada cidadão teria direito de voz individual, porém obviamente enfraquecida, especialmente quando confrontada com os interesses de vários outros cidadãos ou corporações ricas.

Mas a colocação mais pertinente de Bendix quanto a maneira de corrigir essas deformações no direito civil é o direito a educação. Receber educação elementar pode, de fato, mudar o rumo de uma vida a partir do momento que coloca o indivíduo em uma posição que o permite buscar seus direitos essenciais e se valer deles. Por fim, a conclusão de Bendix é que a educação universal é a maior conquista dos trabalhadores do século 20, absoluta enquanto todos os outros direitos são mais ou menos restringidos pelo sistema plebiscitário.

* este texto é um relatório para a aula de Ciência Política, do professor da Cásper Líbero, Cláudio Arantes

As revoluções burguesas

Publicado em Política por Caiopro em 21/09/2011

Como a burguesia tomou e conseguiu manter o Brasil para si mesma em cinco momentos históricos

Embora alguns estudiosos discordem até da existência dela, a burguesia possui um papel importantíssimo na construção do Brasil e, principalmente, das guinadas de rumo que o país deu ao longo de sua história. Uma coisa é certa: no Brasil, quem tem o poder nunca larga o osso – e essa história se repete em pelo menos cinco momentos importantes, marcos da evolução política do país.

Começando do começo, o próprio conceito de burguesia é discutido por muitos sociólogos e historiadores. Entre eles está Florestan Fernandes, que traz um dos melhores argumentos para justificar que, sim, existe uma classe burguesa no Brasil. No entanto ela é bem diferente daquela com a qual estamos acostumados a imaginar pelos livros de história, que normalmente incluem gravuras de nobres pomposos em cortes reais europeias.

Para Fernandes, o burguês brasileiro é fundamentalmente o homem de negócios inovador, audaz e profundamente capitalista, que se aproveitou de diversos momentos da construção do Brasil para aplicar seus próprios valores e mudar os rumos do país.

A partir da Independência, a burguesia passou a exercer um papel importantíssimo na evolução do conceito de Nação e aproveitou para mostrar influência nos planos econômico, legal, social, cultural e, principalmente, político.

Fernandes demonstra, por exemplo, que a própria abertura comercial do Brasil foi influenciada pelo lobby capitalista para abolir a escravatura. À essa altura, ainda no início do século XX, o embrião da classe média já começava a adquirir o controle do governo e do mercado interno, monopolizando poder político e financeiro em um movimento que iria ser reprisado em pelo menos quatro episódios peculiares na história do Brasil.

Um segundo momento na Revolução Burguesa brasileira foi o início da I Guerra Mundial – que trouxe industrialização e rápido crescimento econômico para o país. Era tudo o que a classe média queria, um período da história que favoreceu o surgimento da mídia e o apaziguamento de profundas diferenças sociais vistos, por exemplo, na diferença do padrão de pobreza de filhos de escravos, ex-escravos e mesmo do homem comum.

O início do rádio nos anos 1910, impulsionado pelos investimentos de famílias ricas que iriam dominar o Brasil pelas próximas nove décadas, ajudou na formação de um ideal de Nação, de união entre as diferentes e distantes partes do país. Também deu início à consolidação do poder da mídia, que abriu caminho, por exemplo, para as eleições de Getúlio Vargas e do golpe de 1964.

As rádios ajudaram desde a divulgação de um ideal de cultura brasileira pela música, radionovelas e transmissões de jogos de futebol às medidas populistas de GV para acalmar a massa assalariada que se acotovelava às margens da sociedade da época.

Mas apesar das leis trabalhistas de GV, que conformaram as classes sociais mais baixas e favoreceu, inclusive através de incentivos do governo, a formação das oligarquias familiares, ainda houve espaço para o surgimento de ideais de esquerda nos anos 1950.

É daí que surge o golpe, num momento de divisão e ingovernabilidade cuja participação militar foi amplamente apoiada pela burguesia – enquanto os movimentos comunistas e de políticas de bem-estar social eram propagandeados com mensagens terroristas para dividir ainda mais a população como um todo.

Autores como Vinícius Caldeira Brant argumentam que os movimentos populares também têm culpa na forma que o Brasil se deixou levar pela ditadura. Para ele, a profunda desconfiança quanto à interferência estrangeira e de um grupo quanto ao outro foi, durante muitos anos, um obstáculo para que o povo conseguisse romper com o regime militar.

No entanto, após anos de insatisfação popular velada pelo medo de represália, esses movimentos puderam estreitar seus laços em torno do ideal da redemocratização. Foi a deixa para que a classe média, a burguesia, largasse o apoio aos militares e endossasse o caldeirão político que se tornou o Brasil nos anos 1970 – em particular 1978.

Logicamente o apoio dado pela mídia veio por causa de diferenças com os militares. A inflação fora de controle que devastou o país nos anos 1980 colocou em xeque a capacidade de administração dos militares, beneficiados pelo ótimo momento econômico mundial durante os anos 1960 e 1970.

Aos poucos, a grande mídia tomou para si o movimento das Diretas Já e conseguiu aplicar um novo golpe, dessa vez em direção ao neoliberalismo e ao desmantelamento do Estado. Sua influência é até hoje sentida por exemplo na Constituição, cheia de vícios jurídicos como os foros privilegiados, feitos para defender os políticos que, não bastassem serem os mesmo donos de rádios e TVs Brasil afora, se mantiveram em seus cargos com ou sem os militares ao custo de propaganda em cantos distantes do Brasil. Isso também se reflete nas eleições de Fernando Collor e FHC, ambas avassaladoras sobre o candidato de oposição, Lula, e apoiadas pela imprensa.

Mas, apesar dos esforços da grande mídia para manter o país em seus trilhos (ou naqueles que as classes dominantes aspiravam), o levante popular eventualmente aconteceu com a eleição desse mesmo Lula. Ao derrotar o candidato da burguesia (José Serra) em 2002, o plano da Revolução Burguesa parecia em risco. Mas o aparelhamento político que ela conseguiu criar durante os quase 15 anos de democracia foram o suficiente para manter o poder em suas mãos.

As alianças que Lula foi obrigado a fazer durante seu governo custaram caro para sua imagem e para algumas de suas metas. O presidente quase chegou ao impeachment pelas pressões de revistas como a Veja e escândalos tocados por alguns de seus parceiros mas, para a sorte dele, só respingaram de leve.

No final de seu mandato, Lula pelo menos conseguiu aplacar em muito a fome e a pobreza no Brasil, iniciando um processo de redistribuição de renda que beneficia boa parte da população carente em locais afastados dos grandes centros como as florestas do norte e o sertão nordestino.

Agora, a Revolução Burguesa pode seguir dois rumos: pode se juntar ao movimento por mais igualdade social tocado pela continuidade do governo, que pode enfraquecê-la, mas que a permite manter seu status dominante no poder. Ou faz coro contra as mudanças e tenta derrubar mais líderes.

* este texto é um relatório para a aula de Cultura Brasileira, do professor da Cásper Líbero, Guilherme Grandi

Guatemala realiza eleições após campanha em clima de novela mexicana e bang-bang

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 11/09/2011

Episódios incluem candidatura de ex-primeira-dama que se divorciou para concorrer

Da esquerda para a direita, o favorito das pesquisas, Otto Pérez Molina, Manuel Baldizón (segundo colocado), Eduardo Suger (terceiro) e a ex-primeira-dama, Sandra Torres

Após assistir a uma campanha eleitoral digna de novela mexicana e filme bang-bang, a Guatemala vai às urnas neste domingo (11) para escolher seu presidente, além de novos prefeitos, congressistas e vereadores. A expectativa é de que a votação ocorra com normalidade, apesar da turbulência dos últimos meses.

A corrida presidencial ficou marcada pelo cancelamento da candidatura da ex-primeira-dama, Sandra Torres, que se divorciou do presidente Álvaro Colom para tentar disputar a sucessão, mas foi impedida pela Justiça. Por outro lado, analistas internacionais também mostram preocupação com a violência na corrida eleitoral – que teve candidatos assassinados e, outros, acusados de matar seus adversários.

Mas a criminalidade na Guatemala acabou fortalecendo o candidato de direita Otto Perez Molina. Ex-militar, Molina lidera as pesquisas para a Presidência com 42% das intenções de voto. Ele está à frente de Manuel Baldizon, advogado e empresário candidato pelo partido Líder (Liberdade Democrática Renovada), com 26%, e do respeitado matemático Eduardo Suger, com 14%. De acordo com as pesquisas, deve haver segundo-turno.

Molina promete uma política “linha-dura” contra a violência e a corrupção e diz que colocará o Exército nas ruas para combater o tráfico de drogas. Se for eleito, será a primeira vez que um militar chega ao poder desde 1985, quando terminou a ditadura na Guatemala.

O favorito, no entanto, é acusado de ter ordenado massacres em comunidades indígenas quando era comandante do Exército nos anos 80. Além disso, Molina está sendo investigado por causa do financiamento milionário de sua campanha – que já gastou o equivalente a R$ 11,6 milhões (cerca de US$ 7 milhões). Os anúncios de TV, panfletagens e comícios do candidato foram cancelados pela Justiça.

Candidatos de mentirinha e violência

A corrida presidencial deste ano também ficou marcada pelo número de candidaturas negadas pela Justiça do país – principalmente a da ex-primeira-dama Sandra Torres, acusada de “fraude da lei”.

Em março, Sandra tentou se divorciar do atual presidente Álvaro Colom para disputar as eleições. A Constituição da Guatemala proíbe que parentes do presidente se candidatem.

No entanto, os juízes decidiram que a campanha da primeira-dama é ilegal e ela acabou desqualificada – mesmo dizendo que o divórcio era uma prova de que seu “amor pela Guatemala” é maior do que por seu marido. Ela terminou sem candidatura e com o casamento anulado.

Também com base nessa regra, a parlamentar Zury Sosa de Weller, filha do ex-ditador militar Efrain Rios Montt, teve a candidatura barrada pela Justiça.

Por outro lado, o ex-pastor Harold Caballeros foi aceito como candidato após um longo debate sobre se ele poderia ou não concorrer. A legislação local proíbe que padres e outros religiosos participem de eleições.

Ao todo, nove candidatos disputam a corrida presidencial oficialmente. Mais de 70 pessoas tiveram seus registros de candidatura negados pela Justiça para diversos cargos. Muitos tinham envolvimento comprovado com o narcotráfico.

A violência também marcou as eleições deste ano. Desde o início da campanha, em maio, pelo menos 37 pessoas foram assassinadas por motivações políticas, segundo estimativas oficiais. Entre os casos, está um candidato a prefeito acusado de matar dois adversários em San José Pínula, a 22 km da capital.

Campanhas podem ter sido financiadas pelo tráfico

Mas a maior polêmica em torno das eleições guatemaltecas é a suspeita de que parte das campanhas estaria sendo financiada de maneira ilegal.

ONGs como a InSight, com base na Colômbia, acusam os principais partidos do país de receberem dinheiro ligado a cartéis mexicanos de narcotraficantes como o Los Zetas, que domina o norte da Guatemala e diz ter contribuído com R$ 19 milhões para a campanha que elegeu Colom, em 2007. Em uma mensagem de rádio em dezembro do ano passado, o cartel prometeu vingança pelas promessas não cumpridas.

Até a OEA (Organização de Estados das Américas) já lançou um alerta sobre os gastos de campanha e a origem do dinheiro na corrida presidencial na Guatemala. Na segunda-feira (5), a organização alertou que “há um gasto histórico e o mais preocupante é que não se sabe de onde vem esse dinheiro”.

Partidos como o PP (Partido Populista), de Molina; o Líder (Liberdade Democrática Renovada), de Baldizon; e a coalizão governista UNE (Unidade Nacional da Esperança), da ex-primeira-dama Sandra Torres, ultrapassaram em muito o limite constitucional de campanha – de cerca de R$ 10,4 milhões. Segundo o Tribunal Eleitoral, até agosto os partidos já tinham gasto juntos o equivalente a R$ 45 milhões, mas a multa para quem viola essa regra é irrisória: R$ 207,00.

Essa é apenas a quarta vez que a Guatemala passa por eleições desde o fim da guerra civil em 1996. O conflito durou 36 anos e deixou índices de pobreza e criminalidade que devem assombrar o mandato do próximo presidente.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Deputado dos EUA cai em desgraça após enviar fotos eróticas pela internet

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 16/06/2011

Anthony Weiner decide renunciar após mostrar peito sarado e as partes íntimas na rede

Após se exibir na internet, deputado se enrolou nas explicações e deve apresentar renúncia

Pressionado pelo Congresso e pela Casa Branca, o congressista americano Anthony Weiner vai apresentar sua renúncia nesta quinta-feira (16), duas semanas após a divulgação de fotos e mensagens de cunho sexual que admitiu ter enviado a várias mulheres.

Segundo o jornal New York Times e a emissora CNN, o representante nova-iorquino comunicou a seus amigos mais próximos a decisão de abandonar seu assento na Câmara de Representantes dos Estados Unidos.

O anúncio está previsto para o mesmo dia em que os líderes democratas no Congresso planejavam reunir-se para debater se tirariam Weiner de suas atribuições no Comitê de Comércio e Energia, um passo que afetaria sua credibilidade.

Weiner tomou a decisão após conversar com sua esposa, Huma Abedin, que retornou na quarta-feira a Washington de sua viagem pelo Oriente Médio junto à secretária de Estado, Hillary Clinton, da qual é assessora.

 Deputado cai em desgraça por fotos eróticas

O sonho de Anthony Weiner, deputado pelo Estado de Nova York, era ser o “homem do tempo” na televisão. No entanto, aos 46 anos, acabou ficando famoso por motivos que nada têm a ver com a meteorologia ou mesmo com suas funções políticas.

O parlamentar está no centro de um dos escândalos mais polêmicos (e engraçados) dos Estados Unidos nos últimos anos, após admitir ter enviado fotos de seu corpo, incluindo o peito sarado e o próprio pênis, para várias mulheres por meio de redes sociais.

Weiner começou a vida pública em 1991, como o vereador mais jovem da história de Nova York, até então. Ele se reelegeu sucessivas vezes para o cargo, mas em 1999 se tornou deputado.

Apesar de ser um político democrata em uma das cidades mais liberais do país, Weiner curiosamente adotou posturas conservadoras. Ele chegou obrigar adolescentes delinquentes a apagar murais de grafite e fez protestos contra a delegação palestina na ONU. Também obrigou judicialmente o YouTube a retirar do ar publicações em que terrorista Anwar al Awlaki incitava a “guerra santa” contra o Ocidente.

Tudo corria muito bem na trajetória política de Weiner, que vinha sendo considerado um dos favoritos para as próximas eleições à Prefeitura de Nova York. Mas o deputado pôs tudo a perder em um clique. Em maio de 2011, Weiner enviou fotos sem camisa e de seu próprio pênis a uma seguidora no Twitter. Rapidamente a fotografia foi divulgada pela imprensa. O desastre estava feito.

Weiner se enrolou nas explicações

No início, Weiner até tentou negar o fato, alegando que tudo não se passava de uma piada de mau gosto com seu sobrenome. Weiner, em inglês, é uma palavra bastante semelhante a uma expressão chula para salsicha (wiener).

Mas, como o próprio Weiner admitiu mais tarde, “mentir só levou a mais mentiras e perguntas mais difíceis”. Ele admitiu o ocorrido na última quinta-feira (9), com o surgimento de novas fotos de seu dito-cujo, e disse que manteve relações virtuais com pelo menos seis mulheres nos últimos anos.

Casado com a assessora de Hillary Clinton, Huma Abedin, o deputado tem fama de pegador. Certa vez o jornal nova-iorquino New York Daily News chegou até a publicar uma galeria intitulada “As mulheres de Weiner”.

Após o escândalo, já circulam piadas de que o histórico mulherengo de Weiner seria uma das razões pelas quais ele propôs, no Congresso americano, facilitar a obtenção de vistos de trabalho para modelos estrangeiras.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Desenho animado batiza operação de racionamento de luz no Japão pós-tsunami

Publicado em Mundo por Caiopro em 15/03/2011

Cortes programados pelo governo ganharam o apelido vindo de Evangelion

Evangelion-JAPÃO
No desenho animado, o governo pede que todo o Japão racione energia elétrica para ajudar um dos heróis, no que fica conhecido como Operação Yashima

A crise energética que abala o Japão desde que o terremoto e o subsequente tsunami da última sexta-feira (11) afetaram o complexo nuclear de Fukushima ganhou um apelido no mínimo curioso via a rede de microblogs Twitter.

A operação de racionamento de energia elétrica no Japão vem sendo chamada de Operação Yashima, em referência ao clássico da animação japonesa, Neon Genesis Evangelion.

Após a Tepco (a companhia de energia elétrica de Tóquio) fazer apelos à população para conservar o máximo de energia elétrica possível, uma campanha não oficial foi lançada por usuários do Twitter. A campanha utiliza a etiqueta #yashimasakusen110312 para identificar as postagens de apoio no serviço de microblogs.

No anime (como são chamados os desenhos animados japoneses), o governo do Japão pede à população para cortar o uso de energia elétrica, a fim de redirecionar toda a produção do país para uma arma utilizada por um dos robôs de Evangelion. A operação fictícia é chamada de Operação Yashima, e serviu de inspiração para os usuários do Twitter demonstrarem o apoio às medidas do governo.

A Tepco anunciou que o racionamento se dará em rodízios entre várias cidades japonesas, exceto por 22 dos 23 distritos de Tóquio. A justificativa é para que se mantenha o funcionamento de prédios do governo na capital. Entre as 6h20 e às 22h, cinco áreas revezarão três horas de energia elétrica de cada vez.

As queda de produção nas usinas do complexo de Fukushima representa uma diminuição de cerca de 30%, o equivalente ao abastecimento de 300 mil residências, segundo a Tepco. O fornecimento só será normalizado quando houver novamente uma capacidade considerada suficiente pela companhia.

http://embed.videolog.tv/v/index.php?id_video=633798&width=560&height=315&related=&hd=&color1=&color2=&color3=&slideshow=&config_url=&Rebuild of Evangelion: Operação Yashima por perolasnatv no Videolog.tv.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

The Invasion of the Body Snatchers

Publicado em Cinema, Resenhas por Caiopro em 29/05/2009
Invasion of the Body Snatchers - intro

a.k.a. "Vampiros de Almas" aqui no Brasil

Hoje vi esse filme de 1959 na aula de História Contemporânea. Nunca havia visto e merece meus comentários aqui.

Body Snatchers é um filme de 1956, dirigido por Don Siegel. Assumidamente um filme b, daqueles bem trash com diálogos bizarros, o filme traz na verdade uma puta relação com o momento histórico vivido no mundo todo, em especial nos Estados Unidos.

E os pôsters de filme da época? Sempre uma arte a parte!

E os pôsters de filme da época? Sempre uma arte a parte!

A trama se desenvolve a partir do retorno do médico dr. Miles Bernell, que havia se ausentado por alguns meses da sua cidade natal, Santa Mira-CA. Logo que chega, antes mesmo de ir à sua casa, ele já é procurado por moradores relatando estranhos casos de pessoas que passavam a não reconhecer seus familiares. Uma espécie de histeria coletiva parece estar acontecendo.

Cara, é disso que eu gosto nesses filmes dos anos 50 e 60: a história vai se revelando rapidamente, sem muitos rodeios. Além disso não são atuações brilhantes, mas sim muito diretas.

Isso fica claro nesse filme, o ritmo é bem acelerado. Em menos de 15 minutos já temos certeza de tudo que está acontecendo na pequena cidadezinha, e que agora se alastra para as cidades vizinhas – seres extra-terrestres estão invadindo os corpos dos habitantes, tomando-os durante o sono das pessoas. Não podemos ficar desprevenidos, é importante o estado de alerta total e eles estão por toda parte.

O lance sobre o filme está principalmente nas metáforas que usa, com a ameaça alienígena, sobre o mundo bipolar da Guerra Fria. Um diálogo em particular é de se chamar a atenção, quando o amigo do dr. Miles, agora já um deles, tenta convencê-lo. “Vocês querem que sejamos todos iguais? Que não existam sentimentos ou amor?”, quase um panfleto da CIA sobre os estereótipos comunistas tão divulgados pelas autoridades na época. São várias as relações possíveis de se extrair do filme.

Fica como um documento muito original – daquelas coisas que só o baixo orçamento pode proporcionar – da cultura pop da época, se é que se pode chamar toda aquela paranóia de elemento real da cultura pop. No entanto, como um divertidíssimo filme thriller de ficção científica, Body Snatchers é um clássico tanto quanto O Dia Em Que A Terra Parou, talvez até mais divertido pelo ritmo frenético e (sem conotação ruim aqui) previsível, kitsch até. Tudo bem explicadinho.

Ah, os filmes b. Essas coisas ficam mais dificeis de se alcançar quando dá pra bater uma porta sem balançar todo o cenário.. Que o digam os remakes desse mesmo filme, com a musa Nicole Kidman (dá pra rir, pelo menos) e o Klaatu interpretado por Keanu Reeves mais recentemente. É de sofrer.

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