Cristina Kirchner, a viúva de negro que conquistou os argentinos
Dona de uma personalidade complexa, a presidente tenta se reeleger neste domingo (23)

Vestindo preto desde a morte de seu marido Néstor, Cristina Kirchner visita uma mesquita em viagem oficial a Istambul, na Turquia, em janeiro de 2011
A presidente argentina, Cristina Kirchner, com sua reeleição assegurada no domingo (23), é uma advogada de 58 anos com personalidade complexa, ao mesmo tempo frágil e autoritária, sedutora e taxativa, elegante e cerebral.
“Cristina tem uma dose de racionalidade. Ela é mais analítica”, disse em entrevista Alberto Fernández, chefe de gabinete dos Kirchner entre 2003 e 2008. Seu marido e antecessor, Néstor Kirchner (2003-2007), “era muito mais intuitivo”, diz.
Assim, onde Néstor Kirchner impunha suas decisões por seu próprio poder, Cristina precisa se justificar.
Reconhecida por sua facilidade com a oratória, é capaz de falar durante longo tempo sem papéis, citando cifras para apoiar suas afirmações.
Essa facilidade, herdada de sua passagem pelo Congresso, dão a ela um ar de “professora de escola” que irrita bastante muitos argentinos.

Cristina lança troca olhares com o marido Néstor Kirchner, que faleceu em 2010 vítima de um ataque cardíaco
Vaidade da presidente é prato cheio para a oposição
Sempre de salto alto, unhas compridas, com cabelos longos sobre os ombros, Cristina já teve quedas de pressão que a obrigaram a suspender suas atividades, inclusive viagens ao exterior.
Solitária, também se distancia de seus colaboradores. “Cristina não te deixa margem para uma relação mais íntima. Ela é estadista e impõe distância”, disse um funcionário da Casa Rosada que não quis se identificar.
Alguns reprovam na presidente seu gosto por marcas de luxo, como Louis Vuitton ou Hermès. Na televisão, um comediante a imitou: “até a Victoria… Secret!”.
“Sempre foi muito elegante e sempre se maquiou muito”, afirma Fernández, completando que “com Néstor podíamos esperar até uma hora para ir jantar, porque ela estava se arrumando”. A obsessão pela aparência é na Argentina um traço típico da classe média à qual Cristina pertence.
Estilo ‘avassalador’ atrapalha negociações
Nascida em La Plata, cidade universitária a 60 km ao sul da capital, na província de Buenos Aires, aos 20 anos Cristina conheceu Néstor Kirchner, três anos mais velho, e se torna sua mulher seis meses depois.
Ambos militavam na Juventude Peronista antes de se refugiar na Patagônia durante a ditadura (1976-1983). Tiveram dois filhos, Máximo, 34 anos, e Florencia, 21.
Cristina Kirchner “é avassaladora”, destaca Alberto Fernández, apesar de “às vezes se chocar com a realidade e se dar conta de que não pode continuar avassalando”.
“Ela não escuta. Não há lugar para o diálogo”, diz Hermes Binner, seu rival da Frente Ampla Progressista, que está em segundo nas pesquisas, mas cerca de 40 pontos atrás de Cristina.
O grande conflito com os produtores agrícolas, em 2008, revela esse traço de seu caráter. Ela rejeitou até o final qualquer negociação, e perdeu mais de 20 pontos de popularidade. Seu vice-presidente, Julio Cobos, votou contra ela no Senado e passou à oposição.
Luto pelo marido é arma política para Cristina Kirchner
O enriquecimento pessoal dos Kirchner desde sua chegada ao governo (+928% entre 2003 e 2010, segundo sua declaração oficial de patrimônio) incomoda cada vez mais.
Mas a morte de seu marido, após uma crise cardíaca em 27 de outubro passado, lhe permitirá mostrar uma imagem totalmente diferente: mais sensível que autoritária e menos frívola.
Quase um ano depois da morte, Cristina Kirchner mantém o luto, que se transforma em uma ótima arma política.
“À noite, é a mulher que chora por seu marido. De dia, é a presidente”, resume Estela de Carlotto, titular das Avós da Praça de Maio.
Quando Cristina Kirchner fala “dele” na televisão, com sua voz embargada, sabe que chega diretamente no coração dos argentinos.
Para ser mais competitiva, só divulgou sua candidatura no último minuto.
“Já fiz tudo o que podia fazer”, disse em maio passado. No fim de junho, porém, acabou anunciando que tentaria a reeleição: “sempre soube qual era o meu dever”.
* matéria publicada originalmente no Portal R7
Ricardo Alfonsín tenta seguir os passos do pai até a Presidência da Argentina
Líder da oposição radical não está se saindo tão bem quanto esperava inicialmente

Candidato à Presidência argentina, Ricardo Alfonsín (centro) posa ao lado de estudantes de engenharia da Universidade de Buenos Aires. Apesar de ter ficado em segundo lugar nas eleições primárias, a campanha de Alfonsín não vai tão bem - e o candidato já aparece como o quarto colocado nas últimas pesquisas de opinião
O candidato à Presidência da Argentina pela Udeso (União para o Desenvolvimento Social), Ricardo Alfonsín, luta para seguir os passos de seu pai, Raúl Alfonsín (que governou o país entre 1983 e 1989), após ter obtido o segundo lugar nas eleições primárias.
Nascido no dia 2 de novembro de 1951 na cidade de Chascomús, este líder opositor não esconde que usou os trajes de seu pai nem se nega a repetir nos atos de campanha o popular gesto do ex-presidente com as mãos entrelaçadas no alto.
- Construo frases parecidas, inclusive. Há quatro ou cinco anos uma menina me disse: ‘A voz é incrível’. Mas não é uma coisa consciente.
Ricardo Alfonsín começou a crescer como figura política após a morte, em 2009, de seu pai, que chegou ao poder em 1983 com um amplo respaldo popular.
Em dezembro de 2009, o candidato assumiu como deputado nacional pelo Acordo Cívico e Social, uma coalizão integrada pela União Cívica Radical e a Coalizão Cívica, forças com as quais o radicalismo de Alfonsín rompeu mais tarde.
A partir dali, o legislador começou a somar apoios na centenária força social-democrata até se transformar em postulante à Presidência, após se impor sobre concorrentes partidários como o vice-presidente argentino, Julio Cobos, e o senador Ernesto Sanz.
Porém, este advogado e professor de imagem austera não alcançou o resultado que esperava nas eleições primárias do dia 14 de agosto. Apesar de ter ficado em segundo, Alfosín só obteve 12,2% dos votos, 38 pontos percentuais atrás da atual presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner.
Além disso, várias pesquisas apontam que ele ficará em terceiro ou quarto no pleito geral deste domingo (23), embora busque se mostrar como a alternativa opositora – principalmente por meio de ataques a Cristina, feitos em seu programa eleitoral na TV.
- Sou Ricardo Alfonsín e queria falar com você, Cristina. Possivelmente a senhora vai ganhar as próximas eleições, mas, com todo respeito, sinto necessidade de lhe dizer algo: não acredito nem um pouco em você.
Antes de entrar na política, o terceiro dos seis filhos do casamento entre Raúl Alfonsín e Lorenza Berreneche vendeu pavios para tornos industriais na periferia de Buenos Aires, foi professor em colégios de ensino médio e trabalhou como advogado em sua cidade natal.
Em 1982, casou-se com Cecilia Plorutti, com quem teve Lucía, Marcos, Ricardo e Amparo.
- Eu me casei velho, ia completar 31 anos. Tive 10, 11 anos para fazer bastante bobagem.
No final da década de 1990, Alfosín ganhou forma a linha interna que ele criou junto com um grupo de amigos, chamada Radicais para a Mudança, destinada ao fortalecimento e renovação da União Cívica Radical.
Entre 1999 e 2003, ele foi deputado da província de Buenos Aires, depois retornou à profissão de advogado e ocupou a Secretaria de Relações Internacionais de seu partido.
Alfonsín abandonou a atividade partidária por conta da trágica morte de sua filha Amparo, e retornou em 2007, quando se apresentou como candidato a vice-governador da província de Buenos Aires na chapa do ator Luis Brandoni, que obteve o quarto lugar na ocasião.
Já como candidato presidencial, surpreendeu neste ano quando se aliou ao peronista dissidente Francisco de Narváez, candidato a governador de Buenos Aires, com quem formou a Udeso.
A aliança com um setor do peronismo dissidente lhe custou a ruptura com o socialismo.
Até então, o radicalismo já havia rompido com a Coalizão Cívica, aprofundando a fragmentação da oposição.
* matéria publicada originalmente no Portal R7
Guatemala realiza eleições após campanha em clima de novela mexicana e bang-bang
Episódios incluem candidatura de ex-primeira-dama que se divorciou para concorrer

Da esquerda para a direita, o favorito das pesquisas, Otto Pérez Molina, Manuel Baldizón (segundo colocado), Eduardo Suger (terceiro) e a ex-primeira-dama, Sandra Torres
Após assistir a uma campanha eleitoral digna de novela mexicana e filme bang-bang, a Guatemala vai às urnas neste domingo (11) para escolher seu presidente, além de novos prefeitos, congressistas e vereadores. A expectativa é de que a votação ocorra com normalidade, apesar da turbulência dos últimos meses.
A corrida presidencial ficou marcada pelo cancelamento da candidatura da ex-primeira-dama, Sandra Torres, que se divorciou do presidente Álvaro Colom para tentar disputar a sucessão, mas foi impedida pela Justiça. Por outro lado, analistas internacionais também mostram preocupação com a violência na corrida eleitoral – que teve candidatos assassinados e, outros, acusados de matar seus adversários.
Mas a criminalidade na Guatemala acabou fortalecendo o candidato de direita Otto Perez Molina. Ex-militar, Molina lidera as pesquisas para a Presidência com 42% das intenções de voto. Ele está à frente de Manuel Baldizon, advogado e empresário candidato pelo partido Líder (Liberdade Democrática Renovada), com 26%, e do respeitado matemático Eduardo Suger, com 14%. De acordo com as pesquisas, deve haver segundo-turno.
Molina promete uma política “linha-dura” contra a violência e a corrupção e diz que colocará o Exército nas ruas para combater o tráfico de drogas. Se for eleito, será a primeira vez que um militar chega ao poder desde 1985, quando terminou a ditadura na Guatemala.
O favorito, no entanto, é acusado de ter ordenado massacres em comunidades indígenas quando era comandante do Exército nos anos 80. Além disso, Molina está sendo investigado por causa do financiamento milionário de sua campanha – que já gastou o equivalente a R$ 11,6 milhões (cerca de US$ 7 milhões). Os anúncios de TV, panfletagens e comícios do candidato foram cancelados pela Justiça.
Candidatos de mentirinha e violência
A corrida presidencial deste ano também ficou marcada pelo número de candidaturas negadas pela Justiça do país – principalmente a da ex-primeira-dama Sandra Torres, acusada de “fraude da lei”.
Em março, Sandra tentou se divorciar do atual presidente Álvaro Colom para disputar as eleições. A Constituição da Guatemala proíbe que parentes do presidente se candidatem.
No entanto, os juízes decidiram que a campanha da primeira-dama é ilegal e ela acabou desqualificada – mesmo dizendo que o divórcio era uma prova de que seu “amor pela Guatemala” é maior do que por seu marido. Ela terminou sem candidatura e com o casamento anulado.
Também com base nessa regra, a parlamentar Zury Sosa de Weller, filha do ex-ditador militar Efrain Rios Montt, teve a candidatura barrada pela Justiça.
Por outro lado, o ex-pastor Harold Caballeros foi aceito como candidato após um longo debate sobre se ele poderia ou não concorrer. A legislação local proíbe que padres e outros religiosos participem de eleições.
Ao todo, nove candidatos disputam a corrida presidencial oficialmente. Mais de 70 pessoas tiveram seus registros de candidatura negados pela Justiça para diversos cargos. Muitos tinham envolvimento comprovado com o narcotráfico.
A violência também marcou as eleições deste ano. Desde o início da campanha, em maio, pelo menos 37 pessoas foram assassinadas por motivações políticas, segundo estimativas oficiais. Entre os casos, está um candidato a prefeito acusado de matar dois adversários em San José Pínula, a 22 km da capital.
Campanhas podem ter sido financiadas pelo tráfico
Mas a maior polêmica em torno das eleições guatemaltecas é a suspeita de que parte das campanhas estaria sendo financiada de maneira ilegal.
ONGs como a InSight, com base na Colômbia, acusam os principais partidos do país de receberem dinheiro ligado a cartéis mexicanos de narcotraficantes como o Los Zetas, que domina o norte da Guatemala e diz ter contribuído com R$ 19 milhões para a campanha que elegeu Colom, em 2007. Em uma mensagem de rádio em dezembro do ano passado, o cartel prometeu vingança pelas promessas não cumpridas.
Até a OEA (Organização de Estados das Américas) já lançou um alerta sobre os gastos de campanha e a origem do dinheiro na corrida presidencial na Guatemala. Na segunda-feira (5), a organização alertou que “há um gasto histórico e o mais preocupante é que não se sabe de onde vem esse dinheiro”.
Partidos como o PP (Partido Populista), de Molina; o Líder (Liberdade Democrática Renovada), de Baldizon; e a coalizão governista UNE (Unidade Nacional da Esperança), da ex-primeira-dama Sandra Torres, ultrapassaram em muito o limite constitucional de campanha – de cerca de R$ 10,4 milhões. Segundo o Tribunal Eleitoral, até agosto os partidos já tinham gasto juntos o equivalente a R$ 45 milhões, mas a multa para quem viola essa regra é irrisória: R$ 207,00.
Essa é apenas a quarta vez que a Guatemala passa por eleições desde o fim da guerra civil em 1996. O conflito durou 36 anos e deixou índices de pobreza e criminalidade que devem assombrar o mandato do próximo presidente.
Deputado dos EUA cai em desgraça após enviar fotos eróticas pela internet
Anthony Weiner decide renunciar após mostrar peito sarado e as partes íntimas na rede
Pressionado pelo Congresso e pela Casa Branca, o congressista americano Anthony Weiner vai apresentar sua renúncia nesta quinta-feira (16), duas semanas após a divulgação de fotos e mensagens de cunho sexual que admitiu ter enviado a várias mulheres.
Segundo o jornal New York Times e a emissora CNN, o representante nova-iorquino comunicou a seus amigos mais próximos a decisão de abandonar seu assento na Câmara de Representantes dos Estados Unidos.
O anúncio está previsto para o mesmo dia em que os líderes democratas no Congresso planejavam reunir-se para debater se tirariam Weiner de suas atribuições no Comitê de Comércio e Energia, um passo que afetaria sua credibilidade.
Weiner tomou a decisão após conversar com sua esposa, Huma Abedin, que retornou na quarta-feira a Washington de sua viagem pelo Oriente Médio junto à secretária de Estado, Hillary Clinton, da qual é assessora.
Deputado cai em desgraça por fotos eróticas
O sonho de Anthony Weiner, deputado pelo Estado de Nova York, era ser o “homem do tempo” na televisão. No entanto, aos 46 anos, acabou ficando famoso por motivos que nada têm a ver com a meteorologia ou mesmo com suas funções políticas.
O parlamentar está no centro de um dos escândalos mais polêmicos (e engraçados) dos Estados Unidos nos últimos anos, após admitir ter enviado fotos de seu corpo, incluindo o peito sarado e o próprio pênis, para várias mulheres por meio de redes sociais.
Weiner começou a vida pública em 1991, como o vereador mais jovem da história de Nova York, até então. Ele se reelegeu sucessivas vezes para o cargo, mas em 1999 se tornou deputado.
Apesar de ser um político democrata em uma das cidades mais liberais do país, Weiner curiosamente adotou posturas conservadoras. Ele chegou obrigar adolescentes delinquentes a apagar murais de grafite e fez protestos contra a delegação palestina na ONU. Também obrigou judicialmente o YouTube a retirar do ar publicações em que terrorista Anwar al Awlaki incitava a “guerra santa” contra o Ocidente.
Tudo corria muito bem na trajetória política de Weiner, que vinha sendo considerado um dos favoritos para as próximas eleições à Prefeitura de Nova York. Mas o deputado pôs tudo a perder em um clique. Em maio de 2011, Weiner enviou fotos sem camisa e de seu próprio pênis a uma seguidora no Twitter. Rapidamente a fotografia foi divulgada pela imprensa. O desastre estava feito.
Weiner se enrolou nas explicações
No início, Weiner até tentou negar o fato, alegando que tudo não se passava de uma piada de mau gosto com seu sobrenome. Weiner, em inglês, é uma palavra bastante semelhante a uma expressão chula para salsicha (wiener).
Mas, como o próprio Weiner admitiu mais tarde, “mentir só levou a mais mentiras e perguntas mais difíceis”. Ele admitiu o ocorrido na última quinta-feira (9), com o surgimento de novas fotos de seu dito-cujo, e disse que manteve relações virtuais com pelo menos seis mulheres nos últimos anos.
Casado com a assessora de Hillary Clinton, Huma Abedin, o deputado tem fama de pegador. Certa vez o jornal nova-iorquino New York Daily News chegou até a publicar uma galeria intitulada “As mulheres de Weiner”.
Após o escândalo, já circulam piadas de que o histórico mulherengo de Weiner seria uma das razões pelas quais ele propôs, no Congresso americano, facilitar a obtenção de vistos de trabalho para modelos estrangeiras.
* matéria publicada originalmente no Portal R7

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