O'RELLY?!

Putin será derrubado pela Primavera Árabe, prevê presidente da Geórgia

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 03/02/2012

Rival critica apoio à Síria e diz que Rússia segue o mesmo caminho de ditadores islâmicos

Presidente da Geórgia, Mikhail Saakhashvili fez duras críticas ao primeiro-ministro russo Vladimir Putin. Segundo ele, Putin segue o mesmo caminho de ditadores árabes como Hosni Mubarak, do Egito, e Muammar Gaddafi, da Líbia

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, segue o mesmo caminho dos ditadores derrubados durante a Primavera Árabe, disse o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, em uma entrevista exclusiva publicada nesta sexta-feira (3) pela revista especializada em assuntos internacionais Foreign Policy.

De mergulhador a caçador, veja imagens de Putin

Putin faz aniversário de olho em mais 12 anos no poder

Na entrevista, Saakashvili criticou o governo russo pela dura repressão aos protestos que acusam o Kremlin de manipular as eleições legislativas de dezembro no país. Centenas de pessoas foram presas em Moscou e São Petersburgo, as duas maiores cidades russas, nos dias que sucederam o pleito, após protestos contra o resultado das urnas que novamente deram uma maioria do Parlamento ao partido de Putin, o Rússia Unida.

- Você precisa ouvir o que o próprio governo russo diz: “nós não somos a Líbia, nós não somos o Egito, a Rússia não vai seguir por esse caminho”. Eu já ouvi isso de outros líderes antes. Ouvi de dirigentes soviéticos, por exemplo. Mas a partir do momento em que você é obrigado a dizer essas coisas, isso se torna uma profecia em si mesma, e é aí que você começa a fazer certas coisas e proibir outras, o que é exatamente o tipo de atitude que leva a este caminho [da queda de um regime].

Segundo o presidente georgiano, cujo governo travou uma guerra de cinco dias contra a Rússia pelo controle de territórios estratégicos no sul do país vizinho, o governo russo está promovendo, sem saber, o início de um movimento de oposição similar ao que ocorreu em boa parte do mundo islâmico no ano passado.

Rússia será tomada por uma ‘Primavera Árabe’, diz presidente

Saakashvili também criticou o apoio russo ao regime do presidente Bashar al Assad na Síria. A Rússia, que é um dos principais fornecedores de armas ao país árabe, já adiantou ao Conselho de Segurança da ONU que irá vetar qualquer proposta de intervenção na Síria, onde ao menos 5.000 pessoas já morreram por causa da repressão aos protestos contra o Assad.

- A Síria é um símbolo. O governo russo pena que, se a Síria cair, esse será o último bastião antes de Moscou. Isso [se negar a interferir] é exatamente o tipo de atitude que vai trazer os problemas para mais perto de Moscou. Eles não estão ajudando em nada a Síria, mas certamente vai causar muitos problemas para a Rússia.

Segundo a Foreign Policy, minutos antes da entrevista, Saakashvili também alertou para o contraste entre as reações de Turquia e Rússia frente às revoltas na Síria, durante uma palestra no Instituto dos Estados Unidos Para a Paz, em Washington.

- De um lado, a Federação Russa reage à Primavera Árabe com pânico e revolta. Do outro, a Turquia se afirma no papel de modelo para nações pós-revolução. Vladimir Putin quer impedir o progresso da história, enquanto [o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip] Erdogan se esforça para abraçar as revoluções. Não é coincidência que a Rússia venha perdendo influência, enquanto a liderança da Turquia cresce a cada dia na região.

Conheça os rivais bilionários de Putin

“Putin nunca foi embora”

Em entrevista à Foreign Policy, o presidente georgiano Mikhail Saakashvili também fez comentários sobre o possível retorno de Vladimir Putin à presidência da Rússia. Segundo ele, se Putin realmente voltar ao cargo (que ele já ocupou entre 2000 e 2008), seu mandato será marcado por uma oposição bem mais forte do que a enfrentada pelo atual presidente, Dmitri Medvedev.

- A classe média de Moscou sabe que, na verdade, Putin nunca foi embora. A questão não é o retorno de Putin à presidência, é o que ele disse para justificar sua candidatura. Ele disse que vai voltar porque “precisa parar qualquer tentativa de reformas”. Foi isso o que a classe média russa ouviu.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Newt Gingrich promete construir base espacial lunar até 2020, caso seja eleito

Publicado em 4:20, Mundo, Política por Caiopro em 27/01/2012

Candidato quer chegar antes dos chineses, mas é ridicularizado por rivais em debate

Newt-lua

Candidato republicano, Gingrich discursa durante debate presidencial na Flórida. Ele promete construir uma base espacial na Lua até 2020, caso seja eleito

O pré-candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Newt Gingrich, prometeu nesta quinta-feira (26) que, se eleito, irá construir uma base espacial americana na Lua até o fim de um hipotético segundo mandato.

Gingrich defendeu sua proposta para reativar o lançamento de espaçonaves americanas durante o debate presidencial desta quinta-feira na Flórida, um dos principais pontos de lançamento de foguetes no país. O republicano, que foi ridicularizado por seus concorrentes, promete que, se for eleito, irá investir em voos comerciais para o espaço, missões de explorações para Marte e na construção de uma base na Lua até 2020.

Antes, Gingrich já havia anunciado seu plano grandioso para uma plateia de trabalhadores demitidos de Cabo Canaveral na quarta-feira (25), na Flórida, de onde a Nasa (agência espacial americana) lançava boa parte de seus satélites e ônibus espaciais.

No debate, Gingrich se aprofundou sobre o tema. Segundo ele, a ideia não é “colonizar a Lua”, mas sim manter uma base permanente e evitar que os chineses “cheguem lá primeiro”.

- Eu não quero colonizar a Lua. O custo disso seria de bilhões, senão trilhões [de dólares]. O que eu quero é um americano na Lua antes que os chineses cheguem lá primeiro.

De acordo com o candidato, o plano é incentivar a participação do setor privado para impulsionar a pesquisa espacial, inclusive criando voos turísticos para o espaço. Ele comparou o investimento que faria aos esforços para impulsionar o setor aeroviário durante os anos 1930, e defendeu que o empreendimento não seria um ônus para o país.

- Investimentos estatais e privados não são necessariamente incompatíveis. Muitos dos avanços na aviação aconteceram por causa de prêmios. Eu gostaria de ver muito mais dinheiro que é investido no setor privado servindo para encorajar novas descobertas. Se nós tivéssemos uma série de objetivos e nos preparássemos para oferecer prêmios para quem atingi-los, temos todas as razões do mundo para acreditar que temos pessoas nesse país e no resto do mundo que colocariam uma enorme quantia de dinheiro e fariam a região [de lançamentos de foguetes] borbulhar com oportunidades.

Rivais zombam de proposta espacial

Os planos de Gingrich foram duramente criticados por seus rivais durante o debate na Flórida. O favorito da campanha republicana, Mitt Romney, defendeu que o setor privado não deve participar do programa espacial americano. No entanto, ele tropeçou ao mencionar que iria demitir pessoas, num momento em que o desemprego nos EUA continua a níveis alarmantes.

- Fui empresário durante 25 anos, e se um executivo da minha empresa chegasse comigo e dissesse que quer investir alguns bilhões de dólares para colocar uma colônia na Lua, eu diria: “você está demitido!”.

Já o congressista do Texas, Ron Paul, afirmou que o país “não precisa de um programa espacial maior” e que “a saúde e outras coisas merecem muito mais prioridade do que ir até a Lua”.

- Eu não acho que nós precisamos ir à Lua. Acho que talvez nós devêssemos mandar alguns políticos para lá às vezes.

De acordo com o jornal americano The New York Times, o fascínio de Newt Gingrich pela Lua data de bem antes de sua campanha para receber a indicação do Partido Republicano à presidência. Em seu romance de ficção científica Renew America (Renovando os EUA, em tradução livre), de 1995, Gingrich fez uma previsão de que “luas de mel na Lua serão moda em 2020″.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Newt Gingrich se irrita com pergunta sobre “casamento aberto” em debate

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 23/01/2012

Newt Gingrich acusa imprensa de atacar republicanos para proteger Obama

Newt Gingrich

Ao lado da mulher, Callista, republicano Newt Gingrich acena para eleitores após vencer as primárias da Carolina do Sul. Sua ex-mulher o acusa de ter pedido um "casamento aberto" para ficar com sua esposa atual

O pré-candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos, Newt Gingrich, respondeu com dureza às acusações de sua ex-mulher em um debate realizado na última quinta-feira (19) na rede de TV CNN.

Gingrich demonstrou irritação ao responder às perguntas sobre as declarações de sua ex-mulher, Marianne, que o acusa de ter pedido um “casamento aberto” quando ela estava com câncer. O republicano acusou o moderador do debate, John King, de “proteger Obama e atacar os candidatos republicanos”.

A pergunta delicada foi a primeira questão do debate presidencial, o que enfureceu Gingrich. Dias antes, a ex-mulher de Gingrich havia dado uma entrevista ao canal ABC acusando Gingrich de largá-la por uma amante quando ela estava com câncer. Ela afirma que, antes de pedir o divórcio, Gingrich ainda pediu para que os dois tivessem um “casamento aberto”.

- Acho que natureza negativa, maldosa e destrutiva de boa parte da imprensa faz com que seja muito mais difícil governar esse país, mais difícil de atrair pessoas decentes para o cargo [de presidente]. Estou chocado que você tenha começado o debate com uma pergunta como essa.

O candidato voltou a negar as acusações, e acusou a CNN e outros órgãos da “mídia liberal” de ataques gratuitos contra os candidatos republicanos.

“Vou ser claro. A história é falsa. Cada amigo que tenho e nos conheceu nesse período disse que a história é falsa”, afirmou Gingrich, elevando o tom de voz nos minutos de abertura de um debate com os outros pré-candidatos republicanos.

- A mídia não se interessa por isso porque eles querem atacar qualquer republicano. Eles estão atacando o governador [de Massachussetts] Mitt Romney, estão atacando a mim. Aposto que vão atacar o senador Rick Santorum e o congressista Ron Paul também [dois outros candidatos]. Eu estou cansado da mídia liberal proteger o presidente Obama através de ataques aos candidatos republicanos.

O debate foi exibido às vésperas das primárias do partido no Estado da Carolina do Sul, onde Gingrich surpreendeu, ficando em primeiro lugar ao derrotar o favorito Mitt Romney. Ao fim de sua réplica, Gingrich foi ovacionado de pé pela plateia.
http://embed.videolog.tv/v/index.php?id_video=745663&width=560&height=315&related=&hd=&color1=&color2=&color3=&slideshow=&config_url=&

Gingrich acusa CNN de “atacar republicanos para proteger Obama” por thevideos no Videolog.tv.

Vitória na Carolina do Sul

O ex-presidente da Câmara dos Representantes americana Newt Gingrich foi o vencedor da primária republicana do Estado da Carolina do Sul, realizada neste domingo (22). Ele derrotou o favorito na disputa, Mitt Romney, após conquistar 40% dos votos contra 28% obtidos pelo rival.

Romney segue na liderança nas pesquisas nacionais sobre quem deverá ser o candidato republicano que irá obter a indicação do partido para disputar a presidência dos Estados Unidos contra o presidente Barack Obama, em novembro deste ano.

Mas a vitória dá fôlego a Gingrich, especialmente pelo fato de que desde 1980 todo candidato que venceu uma primária na Carolina do Sul acabou depois conquistando a candidatura de seu partido.

Gingrich começou a ascender após ter passado a ser visto como o candidato mais identificado com a cada vez mais forte direita do Partido Republicano e o movimento Tea Party e como o conservador na disputa mais apto a derrotar Romney.

Entrevista

Em uma entrevista na qual detalha o desmoronamento de seu casamento, Marianne Gingrich afirmou que o ex-presidente da Câmara dos Representantes tentou chegar a um acordo matrimonial que lhe permitisse manter sua amante enquanto continuava casado.

A mulher afirmou que Gingrich admitiu sua relação de seis anos com sua assistente no Congresso, Callista Bisek – agora Callista Gingrich -, com a qual o pré-candidato republicano se casou depois que seu casamento anterior ruiu.

Marianne foi a segunda mulher de Gingrich, um dos pré-candidatos republicanos que se mantêm na corrida à presidência dos Estados Unidos – após a renúncia de Rick Perry, divulgada nesta quinta (19) – e que, enquanto foi presidente da Câmara na década de 1990, destacou-se como uma das figuras mais poderosas de Washington.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Republicanos já somam mais de R$ 30 milhões em apenas dez doações nos EUA

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 21/01/2012

Novas leis de financiamento beneficiam bancos e milionários, acusam críticos

Republicano Mitt Romney (esquerda) lidera as doações de campanha nessa fase de primárias do Partido Republicano. Já o presidente Obama tem apenas três aliados entre os 20 maiores doadores desta campanha eleitoral

As eleições de 2008 foram as mais caras da história dos Estados Unidos, com candidatos, partidos e fundos de campanha atingindo a marca de R$ 9,4 bilhões (US$ 5,3 bilhões), mas a corrida presidencial de 2012 já promete ultrapassar esse recorde. Isso porque, de acordo com a revista americana Mother Jones, um conjunto de novas leis de financiamento de campanha acaba de maximizar o poder dos doadores no processo eleitoral do país.

O site lançou na última terça-feira (10) uma lista com os valores depositados pelos principais fundos de campanha e os candidatos beneficiados por esse dinheiro. Só entre os dez maiores doadores do Partido Republicano, o equivalente a R$ 30,2 milhões (cerca de US$ 17 milhões) foram arrecadados – e ainda faltam mais de seis meses para o partido escolher oficialmente o seu candidato.

Desde 2010, uma emenda constitucional estabelece um limite de cerca de R$ 4 mil (o equivalente a US$ 2.500) para doações de pessoas físicas diretamente aos candidatos às eleições, mas permite que empresas e PACs (Comitê de Ação Política, na sigla em inglês) criem comerciais e doem dinheiro ilimitado sem a necessidade de prestar de contas. Não há limite para as doações de pessoas físicas a PACs.

Na época, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que a emenda iria “restringir a influencia estrangeira nas eleições americanas”, mas críticos do sistema eleitoral do país argumentam que a lei, na verdade, colocou ainda mais poder nas mãos de bancos e corporações para mudar o rumo das urnas.

Conservadores dominam doações de campanha

As críticas podem ser comprovadas pelas estatísticas divulgadas pelo CRP (Centro de Política Responsável, na sigla em inglês), ONG que fiscaliza os gastos públicos do governo americano. Segundo os dados divulgados pelo, o dono do cassino Sands em Las Vegas, Sheldon Adison, é responsável por R$ 8,8 milhões (US$ 5 milhões) para o PAC de campanha de Newt Gingrich, Winning Our Future (Vencendo nosso futuro, em inglês). Gingrich é o único pré-candidato republicano que aparenta ameaçar o favorito à candidatura, Mitt Romney.

De fato, os números do CRP mostram que os republicanos são os mais beneficiados pela criação dos PACs, agora conhecidos como Super PACs pela quantidade de dinheiro que vêm arrecadando.

De acordo com as estatísticas, 17 dos 20 PACs mais gastadores apoiam candidatos do Partido Republicano. Dez desses 20 fundos de campanha são voltados para a candidatura de Mitt Romney, e apenas três são favoráveis ao presidente Barack Obama.

Entre os principais doadores de Romney estão Bob Perry, um dos principais empresários da construção civil dos EUA, e o 17º homem mais rico do país, John Paulson, um lobbista que, segundo o jornal The New York Times, foi um dos homens mais beneficiados do mundo pela crise financeira de 2008, com ganhos de até US$ 4 bilhões em um único dia no auge do colapso de bancos e hipotecas americanas. Perry é doador do PAC Crossroads (Encruzilhadas, em português), mantido pelo ex-assessor de George W. Bush, Karl Rove, enquanto Paulson investe seu dinheiro no PAC Restore Our Future (Reconstruir nosso futuro, em tradução livre), de Mitt Romney.

O único milionário da lista do CRP a doar dinheiro para Obama é o ex-diretor-executivo da Disney, Jeffrey Katzenberg. Segundo a ONG, Katzenberg já doou pouco mais de R$ 3 milhões (US$ 2 milhões) para o PAC Priorities USA Action (Ação de prioridades dos EUA, em tradução livre).

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Governo da Coreia do Norte pune quem “fingiu” o choro pela morte de ditador

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 15/01/2012

Cidadãos cujas lágrimas não pareceram “genuínas” são perseguidos, diz revista

Crianças norte-coreanas choram a morte de Kim Jong-il em Pyongyang. O pranto coletivo em torno do ex-líder provocou dúvidas sobre a sinceridade das demonstrações

O regime da Coreia do Norte está punindo cidadãos que “fingiram seu sofrimento” após a morte do líder Kim Jong-il, morto por um ataque cardíaco em dezembro de 2011, segundo a revista sul-coreana Daily NK.

Galeria: Norte-coreanos choram a morte do ditador

Mais fotos: Conheça dez curiosidades sobre Kim Jong-il

De acordo com o portal de notícias americano The Huffington Post, uma fonte anônima ligada ao regime norte-coreano informou ao Daily NK que as autoridades comunistas começaram a sentenciar a pelo menos seis meses de trabalhos forçados os cidadãos que não participaram das demonstrações de luto pelo ex-líder ou cujo choro não pareceu “genuíno”.

Além disso, o Daily NK afirma que o governo também vêm perseguindo pessoas acusadas de criticar o sucessor de Kim Jong-il, seu filho Kim Jong-un, e enviando famílias inteiras para o exílio em áreas rurais remotas.

Segundo a revista sul-coreana, a perseguição começou ainda no último dia de luto oficial estipulado pelo governo norte-coreano, no dia 29 de dezembro. De acordo com a fonte, a ordem era para que todos que fingiram chorar pelo ditador fossem presos até o último domingo (8).

Imagens: Veja outros ditadores que continuam no poder

As imagens de norte-coreanos chorando após a morte do líder Kim Jong-il, no dia 17 de dezembro, correram o mundo e passaram a impressão de que um sentimento generalizado de tristeza e luto no país.

No entanto, esse comportamento levantou questionamentos sobre a sinceridade da expressão de sentimentos demostrada nas imagens da televisão estatal do país – e até que ponto os norte-coreanos não estariam seguindo regras de procedimento.

As cenas mostravam homens e mulheres ajoelhados nas ruas e em praças, chorando convulsivamente em frente a monumentos e memoriais dedicados a Kim Jon-il, uma mulher perguntando “Como ele pode nos deixar?”, entre outras cenas que lembravam o período de luto depois da morte de Kim Il-sung, pai de Kim Jong-il, em 1994.

Governo investe em propaganda para “endeusar” sucessor de Kim Jong-il

Segundo a revista sul-coreana Daily NK, o governo da Coreia do Norte ultimamente vem se esforçando para criar uma “imagem de ídolo” em torno do sucessor de Kim Jong-il, seu filho Kim Jong-un.

De acordo com uma fonte anônima ouvida pela revista, carros-som têm passeado pelas ruas da capital Pyongyang emitindo mensagens para “engrandecer” o novo ditador.

- Todo dia, das 7 da manhã às 7 da noite, eles [o governo] colocam carros-som em avenidas movimentadas para fazer barulho e enaltecer a grandeza de Kim Jong-un.

Segundo a fonte, a propaganda é tão intensa que funcionários de fábricas, escolas e outras empresas estatais têm sido obrigados a frequentar aulas sobre a vida do novo líder.

Recentemente, a TV norte-coreana transmitiu um documentário sobre Kim Jong-un para marcar o suposto aniversário do novo líder, que assumiu o poder há menos de um mês. No filme, o novo líder é qualificado de “gênio dos gênios” em estratégia militar, entre outros adjetivos lisonjeadores.

O filme mostra Kim Jong-un em seu novo papel como comandante supremo militar, inspecionando tropas, saudando militares e testando um tanque. Além disso, o documentário afirma que Kim Jong-un redigiu sua primeira tese militar aos 16 anos e que dorme apenas três ou quatro horas por noite

Kim Jong-un, cuja idade exata não é conhecida, mas acredita-se que tenha cerca de 30 anos, foi alçado à condição de líder norte-coreano após a morte de seu pai, Kim Jong-il. que governava o país desde 1994.

matéria publicada originalmente no Portal R7

Paul McCartney aumenta pressão por novas regras para a imprensa britânica

Publicado em Mundo por Caiopro em 03/12/2011

Ex-Beatle se reuniu com a polícia para analisar provas de que jornalistas grampearam seu telefone

Paul McCartney é mais uma celebridade a ter tido seu telefone grampeado

O ex-Beatles Paul McCartney pediu neste sábado (3) que as autoridades britânicas aprovem uma nova regulamentação para a atuação da imprensa no país, após a polícia lhe mostrar provas de que seu telefone teria sido grampeado.

Hugh grant acusa tabloides por escutas

Paparazzi defende invasões de privacidade

McCartney acredita que teve seu celular grampeado por vários jornalistas na época em que se divorciou da sua segunda mulher, Heather Mills, em 2008, diz o site do jornal britânico The Guardian neste sábado.

O ex-Beatle teve uma reunião com a polícia de Londres após se mostrar preocupado em ser uma das vítimas do escândalo das escutas ilegais praticadas por jornalistas de tabloides britânicos como o News of The World, fechado em julho.

Em agosto, Heather Mills acusou funcionários do tabloide britânico The Times de terem grampeado seu telefone, após a publicação de matérias sobre as crises do casal em 2001. Na época, o ex-editor do jornal, Piers Morgan (que hoje é apresentador de um talk show na rede de TV CNN) rebateu as acusações dizendo que a própria Heather é que teria grampeado o telefone de McCartney.

McCartney, que se casou com sua terceira esposa, Nancy Shevell, em outubro deste ano disse que sabia que seu telefone estava sendo rastreado porque os tabloides conseguiam histórias “com detalhes pessoais que ele não havia contado a ninguém”, diz o Guardian.

Segundo o músico, as invasões de privacidade mudaram seu comportamento ao telefone e pediu novas regras para evitar abusos da imprensa britânica.

- Eu tento não falar muito ao telefone mais. Se deixo uma mensagem, é sobre alguma coisa boa.Você se adapta às circunstâncias, mas eu acho que seria bom se tivéssemos algumas leis.

McCartney é mais uma celebridade a afirmar que teve seu telefone grampeado por jornais britânicos. O escândalo dos grampos, revelado em julho, agora é investigado pela comissão Leveson, que ouviu durante esta semana jornalistas, atores e outras vítimas de escutas ilegais para chegar a recomendações para uma nova regulamentação para a imprensa local.

Entre as supostas vítimas dos grampos ouvidas pela comissão Leveson estão o ator britânico Hugh Grant, a atriz Sienna Miller, a autora de Harry Potter, J.K. Rowling e o ex-diretor da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Mos Wesley.
* matéria publicada originalmente no Portal R7

Paparazzi xinga ex-editores e defende invasões de privacidade

Publicado em Mundo por Caiopro em 29/11/2011

Ex-funcionário do News of the World teve depoimento controverso na comissão dos grampos

Ex-jornalista do News of the World, Paul McMullan testemunha diante da comissão Leveson, que investiga os grampos telefônicos ilegais praticados por funcionários do tabloide britânico

Os ex-editores News of the World, Andy Coulson e Rebekah Brooks, são “a escória do jornalismo”, disse nesta terça-feira (29) um ex-jornalista do tabloide britânico à comissão que investiga o caso dos grampos telefônicos ilegais praticados por funcionários do jornal.

Paul McMullan, um dos poucos ex-funcionários do News of the World a afirmar que os crimes eram de conhecimento geral nas redações do tabloide, testemunhou nesta terça-feira à comissão Leveson, em Londres. Ele defendeu o “direito” de a imprensa invadir a privacidade das pessoas, e teve de ser alertado diversas vezes para que não se incriminasse diante do tribunal.

A comissão também ouviu nesta terça o repórter Nick Davies, do jornal The Guardian, que revelou o caso em julho deste ano.

De acordo com McMullan, Coulson foi o responsável por disseminar as escutas telefônicas como uma prática corriqueira no News of the World, em 2003. Ele também chamou sua ex-editora, Rebekah Brooks, de “chefe do crime”, diz o site do jornal britânico The Guardian.

O tabloide foi fechado em julho de 2011 por causa das acusações de seus repórteres estariam grampeando o telefone de familiares de vítimas de crimes e celebridades britânicas para conseguir furos de reportagem.

Perguntado sobre se seus editores sabiam das escutas ilegais, McMullan disse que Brooks e Coulson haviam encomendado os grampos telefônicos.

- Eu poderia ir até mais longe [do que dizer que eles sabiam]. Nós [jornalistas do News of the World] faziamos essas coisas para os nossos editores. Você só precisa ler as colunas de [Andy] Coulson, era tão óbvio. Mas eu não sei se algum de nós sabia que estava cometendo um crime na época.

McMullan acusou Coulson de ser o responsável por disseminar a prática no tabloide.

- Andy Coulson foi quem trouxe a prática toda consigo, quando virou editor do News of the World. Ele deveria ter tido a força de convicção para dizer que “às vezes você precisa ter um pé na ilegalidade”, mas ao invés disso, preferiu dizer que ninguém sabia de nada. Eles [Coulson e Brooks] deveriam ser os heróis do jornalismo, mas são a escória do jornalismo por tentar incriminar a mim e aos meus colegas.

Tanto Andy Coulson quanto Rebekah Brooks negam saber das escutas telefônicas ilegais praticadas pelo jornal.

Jornalista defende invasões de privacidade

O juiz Leveson, que preside a comissão, teve de alertar por várias vezes que Paul McMullan poderia estar se incriminando diante do tribunal. O ex-funcionário do News of the World defendeu que a imprensa tem o direito de invadir a vida pessoal dos cidadãos e disse que “privacidade é coisa para pedófilos”.

- Durante 21 anos eu invadi a privacidade das pessoas e nunca encontrei ninguém que não estivesse fazendo algo de errado. Privacidade é um espaço que pessoas ruins precisam para fazer coisas ruins. Privacidade é para pedófilos.

O jornalista também defendeu o trabalho dos paparazzi como os que provocaram o acidente de carro em que a princesa Diana morreu.

- Eu adorava essas perseguições de celebridades. Antes de a princesa [Diana] morrer era tudo tão divertido. Quantos trabalhos no mundo envolvem perseguições de carro?

McMullan defendeu seus antigos colegas do News of the World, a quem chamou de “honestos e honrados”, e disse que grampear o telefone da menina Milly Dowler (assassinada por um pedófilo em 2003) “não foi um mau-jornalismo”. Segundo ele, os repórteres do tabloide queriam descobrir se a menina estava viva, já que não tinham muita confiança na polícia.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Hugh Grant acusa tabloides por grampos telefônicos

Publicado em Mundo por Caiopro em 21/11/2011

Ator denuncia o jornal Sunday por hackear seu celular atrás de conversas “picantes”

Ator britânico Hugh Grant é abordado por cinegrafistas na saída de seu depoimento diante da comissão parlamentar que investiga o as escutas ilegais praticadas por jornalistas britânicos

O ator britânico Hugh Grant (de Um Lugar Chamado Notting Hill) levantou novas suspeitas nesta segunda-feira (21) sobre o escândalo dos grampos ilegais dos telefones de celebridades e outras personalidades do Reino Unido, praticados por jornalistas do grupo de mídia News International. Em depoimento à comissão que investiga o caso, Grant disse acreditar ter tido seu telefone “hackeado” por um jornalista do tabloide Sunday.

Relembre os barracos da imprensa

Entenda o escândalo dos grampos 

Diante da comissão Levenson, que investiga o caso no Tribunal Superior de Londres, Grant afirmou que uma história publicada em 2007 pelo jornal Sunday surgiu de escutas da caixa-postal de seu celular. A reportagem afirmava que o ator vinha recebendo telefonemas “picantes” durante a madrugada, diz o blog em tempo real do jornal The Guardian.

De acordo com o jornal britânico The Telegraph, o parlamentar Robert Jay CQ questionou o depoimento do ator, dizendo se tratar de “pura especulação”. Grant respondeu dizendo que “adoraria ouvir explicações do jornal” e saber quem foram suas fontes.

- Não consigo pensar em nenhuma fonte possível para essa história do Sunday que não sejam as mensagens de voz no meu telefone.

O ator reafirmou possuir uma gravação em que um antigo funcionário do News of the World, Paul McMullan, admitiu que o jornal praticava grampos ilegais durante uma conversa informal com Grant. Ele já havia dito isso em abril, mas novamente se negou a mostrar a fita, dizendo que “não quer mandar Paul para a cadeia”.

Grant diz ter tido apartamento invadido por jornalistas

Além disso, Grant também disse que seu apartamento foi invadido por jornalistas durante os anos 1990. Segundo ele, nada foi roubado, mas uma matéria no dia seguinte listava uma série de objetos pessoais.

O ator também acusou o tabloide britânico Daily Mail de ter pagado o equivalente a R$ 419 mil (cerca de 150 mil libras) ao ex-namorado da mãe de uma de suas filhas para conseguir fotos dela nua. Em outro momento, Grant também disse que um paparazzi já chegou a ameaçar a avó de uma de suas filhas.

Essa é a primeira vez que o Sunday é citado durante o escândalo, que recai principalmente sobre o extinto tabloide News of the World, também propriedade do magnata das comunicações Rupert Murdoch. Funcionários do grupo são acusados de ter grampeado telefones de celebridades, da família real, autoridades, famílias de soldados britânicos no Iraque e Afeganistão, e da garota Milly Dowler, caso que revelou o escândalo.

A menina de 13 anos foi sequestrada e assassinada por um pedófilo, mas os pais da garota e a polícia foram induzidos a pensar que ela continuava viva porque jornalistas do News of the World adulteraram mensagens de voz em seu celular. Os pais da adolescente também prestaram depoimento nessa segunda-feira.

Ator chama imprensa britânica de “bullying”

Hugh Grant encerrou sua participação na comissão listando “os dez mitos” do jornalismo praticado pelos tabloides britânicos. Ele citou, por exemplo, que os funcionários do News of the World não grampearam apenas os telefones de celebridades, mas também de familiares de soldados britânicos e vítimas de crimes.

Grant se disse a favor da liberdade de imprensa, mas pediu para que os parlamentares cheguem a novas regulamentações para proteger a privacidade. Segundo ele, chegou a hora de o país se defender do “bullying” de parte da imprensa local.

- Existem alguns exemplos de jornalismo tóxico sendo praticado ao redor do mundo, mas no geral isso é feito com elegância. Uma elegância que perdemos nesse país. A principal tática parece ser bullying e chantagem. Precisa de muita coragem para desafiar isso. Acho que nosso país [Reino Unido] tem um histórico de combater valentões e acho que chegou a hora de encontrarmos coragem para vencer esse.

Pais de pré-adolescente hackeada também testemunham

Os pais de Milly Dowler, assassinada em 2002 por um pedófilo, também prestaram depoimento a comissão parlamentar que investiga o escândalo das escutas no Reino Unido. Bob e Sally Dowler contaram sobre o momento em que foram induzidos a pensar que sua filha talvez ainda estivesse viva. Os dois foram as primeiras vítimas dos supostos grampos a depor na comissão.

- Vi uma mensagem de voz no celular dela e disse: “ela ouviu uma mensagem de voz, Bob! Ela está viva!”

Jornalistas do News of the World são acusados de terem adulterado mensagens de voz no cellular da menina, o que fez com que autoridades pensassem que ela pudesse estar movimentando sua conta telefônica. O caso foi revelado em julho deste ano e, semanas depois, levou ao fechamento do tabloide de 164 anos, o mais antigo do Reino Unido.

O casal também contou acreditar que seus próprios telefones foram hackeados por jornalistas do tabloide. Segundo eles, o jornal os espionou durante as semanas seguintes ao desaparecimento de sua filha para conseguir fotografias exclusivas.

Sally, a mãe, relatou ainda seu encontro “muito tenso” com o dono do jornal, o octagenário Rupert Murdoch. Segundo ela, Murdoch se desculpou parecendo “muito sincero”. Eles receberam até R$ 8,3 milhões em indenizações do jornal, diz o The Guardian.

Murdoch e seu filho, James, são alvos da investigação sobre o escândalo. James Murdoch inclusive já foi questionado duas vezes pela comissão parlamentar, onde recentemente acusou seu antigo editor e um advogado da empresa pela prática.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Palestina: do outro lado da linha

Publicado em Livros, Quadrinhos, Resenhas por Caiopro em 17/11/2011

Como os quadrinhos e Joe Sacco discutem a crise permanente entre árabes e judeus na chamada “terra prometida”

Um relatório preliminar já adianta o revés: os países membros do comitê que analisa a candidatura da Autoridade Nacional Palestina para se tornar um país membro da ONU não chegaram a um acordo. De acordo com documentos preliminares, dos nove votos necessários para aprovar a medida, os palestinos poderão contar com apenas oito. Assim, a proposta não chegará nem mesmo ao Conselho de Segurança da ONU, onde os Estados Unidos já prometiam exercer seu poder de veto – mesmo assumindo o risco de se tornarem ainda mais impopulares entre os países que apoiaram a candidatura.

Joe Sacco usa as histórias em quadrinhos para ilustrar o dia a dia da Cisjordânia ocupada

Discurso da liberdade a partir da opressão

Uma história de duas cidades

A paz ingênua na terra em guerra

Mas apesar da frustração, a iniciativa dos palestinos em se adiantar (e conturbar ainda mais suas relações com Israel) contribuiu para reavivar um debate mundial sobre seus direitos nos territórios ocupados. Exemplo disso é a reedição no Brasil de um dos melhores quadrinhos de teor jornalístico da última década. Em Palestina – Uma nação ocupada, o jornalista norte-americano Joe Sacco ilustra bem a realidade dos árabes que vivem do outro lado de um abismo imaginário entre duas realidades distintas e sistematicamente ignoradas pela mídia e por boa parte da comunidade internacional.

As histórias contadas pelo autor nos territórios ocupados resumem bem as ideias do estudioso português Boaventura de Sousa Santos, professor de Economia na Universidade de Coimbra, em Portugal. Para Boaventura, o mundo atual nunca abandonou os vícios do colonialismo e acentuou as divisões entre pobres e ricos, favorecidos e miseráveis. Hoje, vivemos uma realidade dividida entre dois universos distintos: o que está deste lado da linha separado do que há do outro lado de nossa confortável realidade, impossível de ser devidamente apreciado ou de nos tocar genuinamente. Mais do que nunca, existem profundas diferenças entre nós, Ocidente, e eles, o mundo não-ocidental. Nós não nos importamos e nem poderíamos nos importar com o que acontece do outro lado simplesmente porque não conseguimos sequer vislumbrar uma realidade que, de tão estranha às nossas vidas, não nos atinge.

Essas diferenças se acentuaram ainda mais com a ascensão dos meios de comunicação, como ilustra o prefácio do jornalista José Arbex na versão brasileira de Uma nação ocupada (publicada pela editora Conrad). Arbex diz muito sobre a maneira que Sacco escolheu para contar e montar a estrutura das histórias dos personagens que conheceu em suas viagens aos territórios ocupados. Para o jornalista, a imprensa como um todo está contaminada por uma profunda insensibilidade, o que ele chama de “plastificação do telejornal” e “cadernização” da notícia impressa. Segundo ele, acreditamos no que vemos porque a imagem é a forma mais impactante para se contar uma notícia, os fatos irrefutáveis. No entanto, irrefutável é uma palavra muito forte – a verdade é que a imprensa do nosso lado da linha abissal de Boaventura não vê nem ouve parte importante das histórias publicadas. Então, somos enganados pelo vermelho do sangue dos soldados judeus estampados na capa do Haaretz (o mais influente jornal de Israel) ou do Estado de S. Paulo. Ao mesmo tempo, o público é poupado dos corpos e imagens de mutilados ou pelas imagens dos rabiscos verdes das câmeras infravermelhas que registram os tiros de artilharia pesada contra Gaza, transmitidos em tempo real pela rede de TV Al Jazeera, com sede do Qatar.

Com os quadrinhos, Sacco teve sua apuração beneficiada por não levar uma câmera. Isso permitiu com que o jornalista caminhasse livremente por territórios nebulosos ao direito internacional, como a prisão de Ansar III, para onde são levados muitos dos palestinos presos em protestos ligados à Intifada (guerra com pedras, em árabe) contra os tanques israelenses. Ansar faz parte do que Boaventura chama de territórios a-legais. Tratam-se de locais em que, à exemplo da infame base de Guantánamo (em Cuba), operam às margens do que consideramos como justo ou correto ou ético. São lugares que comprometem, mais do que atropelar as etapas do processo de paz, a própria fundamentação do Estado de Direito e vão ao encontro de ideais cada vez mais fascistas sob o preceito de defender uma população em detrimento da outra. No caso, os outros são os palestinos que contam as histórias de horror, pobreza, tortura e prisões sem direito à defesa nem julgamento ouvidos por Joe Sacco.

Israel e a construção de um apartheid

Embora a imprensa e a sociedade ocidental tenham, durante mais de 40 anos, fechado os olhos para a questão palestina, ela existe e é muito dura. Para Boaventura, há um movimento que ameaça os paradigmas sobre os quais se construiu o pensamento moderno. Estamos indo em direção ao autoritarismo, partido de uma lógica de regulação para um movimento de apropriação e escalada de violência, e isso é algo fundamental para se entender a história palestina.

Famílias da Cisjordânia sofrem com as provocações de colonos e soldados israelenses

Em Uma nação ocupada, Sacco contextualiza o movimento sionista em dois momentos: o da legalidade, fundamentada em pleitos na recém-criada ONU para a criação do Estado de Israel após o Holocausto; e um segundo momento de reação aos ataques das Forças Armadas dos países árabes vizinhos que levou o Estado Judeu a se definir no formato opressor que adota até os dias de hoje.

Em Israel e nos assentamentos judeus da Cisjordânia, a desconfiança em relação ao outro (o palestino) confinou a população árabe em cidades fortemente vigiadas e à construção de ilegal de um muro que oprime os direitos fundamentais dos árabes sitiados, como em Ramallah – onde Sacco passa a maior parte do livro HQ. Mais do que isso, Israel obriga seus próprios cidadãos a uma rotina de medo, vivendo em uma estreita porção de terra altamente controlada.

Nas reportagens de Sacco, a simples existência do árabe é retratada como uma intromissão ao direito de Israel existir. Isso por si só justificaria a situação contemplada por Boaventura em sua concepção de um apartheid social. Trata-se de uma relação completamente desigual de poderes que coloca os palestinos como cidadãos de segunda classe, proibidos, por exemplo, até mesmo de visitar as margens do Mar Morto (que fica dentro do território da Cisjordânia ocupada). O apartheid descrito pelo português implica na construção de zonas civilizadas (os assentamentos judeus) separadas da realidade das zonas selvagens e de guerra civil que constantemente ameaçam os limites abissais entre essas duas civilizações. É mais do que uma guerra de classe.

A situação desumana na Cisjordânia ocupada

Em Uma nação ocupada, Sacco consegue ilustrar as relações de poder (e de relevância jornalística) através de pequenas crônicas sobre o dia a dia e os dramas de algumas famílias palestinas. Vivendo em um estado de emergência constante, seus personagens contam como seus direitos foram, sucessivas vezes, arrancados por militares israelenses. Contam também das pequenas e dolorosas humilhações acumuladas, daquelas que nunca entrariam na pauta do Jornal Nacional, mas que demonstram o descaso com que as autoridades tratam esses indivíduos quase sub-humanos pela perspectiva do Estado Judeu.

Por exemplo, o autor conta a história de uma família palestina que, após conflitos com os colonos judeus, tiveram dezenas de árvores de oliveira cortadas por “razões de segurança”. Uma oliveira pode demorar até dez anos para dar óleo de oliva, a principal fonte de renda para várias dessas famílias da Cisjordânia, mas os relatos de Sacco mostram pessoas comuns (e não terroristas) chorando e sendo caçoadas pelos soldados por se desesperarem por “motivos banais”.

O que acontece nos territórios de Israel, demonstra Sacco, é uma situação que ratifica um pós-contratualismo de um Estado que caminha rumo ao mesmo tipo de fascismo que 60 anos atrás exterminou milhões de judeus na Alemanha nazista. Na Cisjordânia, os cidadãos palestinos são obrigados a aceitar a eliminação de seus direitos econômicos, políticos e sociais para a segurança dos colonos. Da mesma forma, os colonos também são obrigados a assinar embaixo de uma postura totalitária e militarizante do Estado em troca de proteção.

Reivindicações palestinas

A importância de se discutir a aprovação de um Estado Palestino na ONU vai além do aparente esgotamento das negociações de paz. A proposta israelense, que não abre mão de seus assentamentos e continua a construir novas vilas contra uma série de resoluções das Nações Unidas. Enquanto permanece irredutível quanto às suas fronteiras, na verdade o Estado Judeu aplica uma dinâmica de apropriação e violência para silenciar as reivindicações palestinas de bem-estar social e soberania sobre seus territórios.

Suprimir os confrontos sem se comprometer com quaisquer exigências árabes só serve para mascarar e ratificar a impunidade de uma série de crimes cometidos por Israel e tolerados pelo restante da comunidade internacional – em especial dos EUA e dos outros membros do Conselho de Segurança, responsável por aplicar ou não sanções contra crimes contra a humanidade como os que ocorrem nos ataques de suas forças de segurança contra os territórios palestinos a cada retaliação aos atentados terroristas efetuados por facções como o Hamas, que atualmente governa Gaza.

A investida palestina é, em parte, um esforço para dobrar a linha que separa duas realidades sociais e de pensamento entre o Ocidente e o outro lado. Legitimar suas questões seria legitimar e levar à Justiça um sem-número de crimes ignorados pela ONU, por exemplo.

Joe Sacco também realiza esse esforço e, embora encara os fatos sob uma perspectiva que ainda se coloca do nosso lado da linha, lembrando sempre da violação de paradigmas do direito internacional como os direitos humanos, sublinha uma parte importante das histórias que tardam em ser contadas. Aquelas que só o esforço de um repórter investigativo pode amplificar os sinais e elucidar uma realidade que é constantemente ignorada pela opinião pública.

* matéria originalmente publicada no Paulista 900

Ricardo Alfonsín tenta seguir os passos do pai até a Presidência da Argentina

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 23/10/2011

Líder da oposição radical não está se saindo tão bem quanto esperava inicialmente

Alfosín e familia

Candidato à Presidência argentina, Ricardo Alfonsín (centro) posa ao lado de estudantes de engenharia da Universidade de Buenos Aires. Apesar de ter ficado em segundo lugar nas eleições primárias, a campanha de Alfonsín não vai tão bem - e o candidato já aparece como o quarto colocado nas últimas pesquisas de opinião

O candidato à Presidência da Argentina pela Udeso (União para o Desenvolvimento Social), Ricardo Alfonsín, luta para seguir os passos de seu pai, Raúl Alfonsín (que governou o país entre 1983 e 1989), após ter obtido o segundo lugar nas eleições primárias.

Nascido no dia 2 de novembro de 1951 na cidade de Chascomús, este líder opositor não esconde que usou os trajes de seu pai nem se nega a repetir nos atos de campanha o popular gesto do ex-presidente com as mãos entrelaçadas no alto.

- Construo frases parecidas, inclusive. Há quatro ou cinco anos uma menina me disse: ‘A voz é incrível’. Mas não é uma coisa consciente.

Ricardo Alfonsín começou a crescer como figura política após a morte, em 2009, de seu pai, que chegou ao poder em 1983 com um amplo respaldo popular.

Em dezembro de 2009, o candidato assumiu como deputado nacional pelo Acordo Cívico e Social, uma coalizão integrada pela União Cívica Radical e a Coalizão Cívica, forças com as quais o radicalismo de Alfonsín rompeu mais tarde.

A partir dali, o legislador começou a somar apoios na centenária força social-democrata até se transformar em postulante à Presidência, após se impor sobre concorrentes partidários como o vice-presidente argentino, Julio Cobos, e o senador Ernesto Sanz.

Alfosín esperava se sair melhor

Porém, este advogado e professor de imagem austera não alcançou o resultado que esperava nas eleições primárias do dia 14 de agosto. Apesar de ter ficado em segundo, Alfosín só obteve 12,2% dos votos, 38 pontos percentuais atrás da atual presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner.

Além disso, várias pesquisas apontam que ele ficará em terceiro ou quarto no pleito geral deste domingo (23), embora busque se mostrar como a alternativa opositora – principalmente por meio de ataques a Cristina, feitos em seu programa eleitoral na TV.

- Sou Ricardo Alfonsín e queria falar com você, Cristina. Possivelmente a senhora vai ganhar as próximas eleições, mas, com todo respeito, sinto necessidade de lhe dizer algo: não acredito nem um pouco em você.

Trajetória

Antes de entrar na política, o terceiro dos seis filhos do casamento entre Raúl Alfonsín e Lorenza Berreneche vendeu pavios para tornos industriais na periferia de Buenos Aires, foi professor em colégios de ensino médio e trabalhou como advogado em sua cidade natal.

Em 1982, casou-se com Cecilia Plorutti, com quem teve Lucía, Marcos, Ricardo e Amparo.

- Eu me casei velho, ia completar 31 anos. Tive 10, 11 anos para fazer bastante bobagem.

No final da década de 1990, Alfosín ganhou forma a linha interna que ele criou junto com um grupo de amigos, chamada Radicais para a Mudança, destinada ao fortalecimento e renovação da União Cívica Radical.

Entre 1999 e 2003, ele foi deputado da província de Buenos Aires, depois retornou à profissão de advogado e ocupou a Secretaria de Relações Internacionais de seu partido.

Alfonsín abandonou a atividade partidária por conta da trágica morte de sua filha Amparo, e retornou em 2007, quando se apresentou como candidato a vice-governador da província de Buenos Aires na chapa do ator Luis Brandoni, que obteve o quarto lugar na ocasião.

Já como candidato presidencial, surpreendeu neste ano quando se aliou ao peronista dissidente Francisco de Narváez, candidato a governador de Buenos Aires, com quem formou a Udeso.

A aliança com um setor do peronismo dissidente lhe custou a ruptura com o socialismo.

Até então, o radicalismo já havia rompido com a Coalizão Cívica, aprofundando a fragmentação da oposição.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Guatemala realiza eleições após campanha em clima de novela mexicana e bang-bang

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 11/09/2011

Episódios incluem candidatura de ex-primeira-dama que se divorciou para concorrer

Da esquerda para a direita, o favorito das pesquisas, Otto Pérez Molina, Manuel Baldizón (segundo colocado), Eduardo Suger (terceiro) e a ex-primeira-dama, Sandra Torres

Após assistir a uma campanha eleitoral digna de novela mexicana e filme bang-bang, a Guatemala vai às urnas neste domingo (11) para escolher seu presidente, além de novos prefeitos, congressistas e vereadores. A expectativa é de que a votação ocorra com normalidade, apesar da turbulência dos últimos meses.

A corrida presidencial ficou marcada pelo cancelamento da candidatura da ex-primeira-dama, Sandra Torres, que se divorciou do presidente Álvaro Colom para tentar disputar a sucessão, mas foi impedida pela Justiça. Por outro lado, analistas internacionais também mostram preocupação com a violência na corrida eleitoral – que teve candidatos assassinados e, outros, acusados de matar seus adversários.

Mas a criminalidade na Guatemala acabou fortalecendo o candidato de direita Otto Perez Molina. Ex-militar, Molina lidera as pesquisas para a Presidência com 42% das intenções de voto. Ele está à frente de Manuel Baldizon, advogado e empresário candidato pelo partido Líder (Liberdade Democrática Renovada), com 26%, e do respeitado matemático Eduardo Suger, com 14%. De acordo com as pesquisas, deve haver segundo-turno.

Molina promete uma política “linha-dura” contra a violência e a corrupção e diz que colocará o Exército nas ruas para combater o tráfico de drogas. Se for eleito, será a primeira vez que um militar chega ao poder desde 1985, quando terminou a ditadura na Guatemala.

O favorito, no entanto, é acusado de ter ordenado massacres em comunidades indígenas quando era comandante do Exército nos anos 80. Além disso, Molina está sendo investigado por causa do financiamento milionário de sua campanha – que já gastou o equivalente a R$ 11,6 milhões (cerca de US$ 7 milhões). Os anúncios de TV, panfletagens e comícios do candidato foram cancelados pela Justiça.

Candidatos de mentirinha e violência

A corrida presidencial deste ano também ficou marcada pelo número de candidaturas negadas pela Justiça do país – principalmente a da ex-primeira-dama Sandra Torres, acusada de “fraude da lei”.

Em março, Sandra tentou se divorciar do atual presidente Álvaro Colom para disputar as eleições. A Constituição da Guatemala proíbe que parentes do presidente se candidatem.

No entanto, os juízes decidiram que a campanha da primeira-dama é ilegal e ela acabou desqualificada – mesmo dizendo que o divórcio era uma prova de que seu “amor pela Guatemala” é maior do que por seu marido. Ela terminou sem candidatura e com o casamento anulado.

Também com base nessa regra, a parlamentar Zury Sosa de Weller, filha do ex-ditador militar Efrain Rios Montt, teve a candidatura barrada pela Justiça.

Por outro lado, o ex-pastor Harold Caballeros foi aceito como candidato após um longo debate sobre se ele poderia ou não concorrer. A legislação local proíbe que padres e outros religiosos participem de eleições.

Ao todo, nove candidatos disputam a corrida presidencial oficialmente. Mais de 70 pessoas tiveram seus registros de candidatura negados pela Justiça para diversos cargos. Muitos tinham envolvimento comprovado com o narcotráfico.

A violência também marcou as eleições deste ano. Desde o início da campanha, em maio, pelo menos 37 pessoas foram assassinadas por motivações políticas, segundo estimativas oficiais. Entre os casos, está um candidato a prefeito acusado de matar dois adversários em San José Pínula, a 22 km da capital.

Campanhas podem ter sido financiadas pelo tráfico

Mas a maior polêmica em torno das eleições guatemaltecas é a suspeita de que parte das campanhas estaria sendo financiada de maneira ilegal.

ONGs como a InSight, com base na Colômbia, acusam os principais partidos do país de receberem dinheiro ligado a cartéis mexicanos de narcotraficantes como o Los Zetas, que domina o norte da Guatemala e diz ter contribuído com R$ 19 milhões para a campanha que elegeu Colom, em 2007. Em uma mensagem de rádio em dezembro do ano passado, o cartel prometeu vingança pelas promessas não cumpridas.

Até a OEA (Organização de Estados das Américas) já lançou um alerta sobre os gastos de campanha e a origem do dinheiro na corrida presidencial na Guatemala. Na segunda-feira (5), a organização alertou que “há um gasto histórico e o mais preocupante é que não se sabe de onde vem esse dinheiro”.

Partidos como o PP (Partido Populista), de Molina; o Líder (Liberdade Democrática Renovada), de Baldizon; e a coalizão governista UNE (Unidade Nacional da Esperança), da ex-primeira-dama Sandra Torres, ultrapassaram em muito o limite constitucional de campanha – de cerca de R$ 10,4 milhões. Segundo o Tribunal Eleitoral, até agosto os partidos já tinham gasto juntos o equivalente a R$ 45 milhões, mas a multa para quem viola essa regra é irrisória: R$ 207,00.

Essa é apenas a quarta vez que a Guatemala passa por eleições desde o fim da guerra civil em 1996. O conflito durou 36 anos e deixou índices de pobreza e criminalidade que devem assombrar o mandato do próximo presidente.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Segredos do WikiLeaks condenam seu próprio trabalho

Publicado em Comentando, Mundo por Caiopro em 06/09/2011

Reação da imprensa ao vazamento de informações confidenciais de dentro do site mostra que a mídia entendeu o jogo: não pode haver dois pesos e duas medidas

Dados de informantes do WikiLeaks foram acidentalmente divulgados junto de documentos confidenciais das embaixadas americanas. Segundo jornais europeus, erro teria sido provocado por uma rixa entre o fundador do site, Julian Assange (direita), e seu ex-sócio, Daniel Domscheit-Berg (esquerda)

‘Segredo’ não é uma palavra no vocabulário de Julian Assange, o infame fundador do site especializado no vazamento de documentos oficiais de governos, WikiLeaks. Entretanto, as recentes discussões entre ele e seus antigos aliados no jornal britânico The Guardian acendem a luz vermelha em uma organização que se acostumou a estar certa por uma questão de princípios. Fundado em 2006, o WikiLeaks passa por um momento de contestação, após centenas de milhares de documentos confidenciais terem vazado ainda contendo os nomes e dados pessoais de suas fontes anônimas – o que coloca em risco a segurança de seus informantes.

O furo foi revelado pelo jornal alemão Der Freitag na semana passada, e colocou Assange – preso desde 2009 em uma mansão nos arredores de Londres enquanto espera o fim do julgamento de sua extradição para a Suécia por supostos crimes sexuais  – novamente no olho do furacão. Ele reclama que foi traído por seus antigos aliados, que já somavam centenas de jornais e outros veículos de comunicação no mundo todo.

Assange contesta uma questão em que sempre se apoiou: para ele há dois pesos e duas medidas, mas não é assim que a mídia internacional está tratando o caso. Inspirada na frase do cineasta francês Jean-Luc Godard (“matar uma pessoa para defender uma ideia não é defender uma ideia, é matar uma pessoa”), a imprensa internacional entende que não há diferença entre revelar segredos do WikiLeaks e revelar os bastidores dos porões dos governos mundiais. Assim, antigos aliados como o núcleo editorial do Guardian, têm feito duras críticas a Assange. Eles atribuem o erro puramente a uma questão de negligência desse australiano de cabelos brancos, voz cavernosa e presença intimidadora.

Ao iniciar uma campanha contra a confidencialidade de documentos governamentais, como casos terríveis de abusos cometidos pelos Estados Unidos e Reino Unido nas guerras do Afeganistão e Iraque; torturas e prisões infundadas em Guantánamo (a polêmica base militar americana para onde são enviados suspeitos de terrorismo); e, no caso de maior repercussão, a divulgação de centenas de milhares de telegramas oficiais de embaixadas americanas em diversos países, Assange comprou uma causa difícil de ser defendida quando ele mesmo não consegue manter seus próprios segredos.

O que irrita o australiano é a não-cumplicidade de seus pares na guerra contra a confidencialidade de documentos, mas ele deveria olhar melhor para seu próprio umbigo. Assange foi abandonado pelos amigos, como seu porta-voz e sócio de longa data, Daniel Domscheit-Berg, que acaba de fundar um site para rivalizar com o WikiLeaks, o OpenLeaks.  Domscheit-Berg acusa Assange de obedecer à uma agenda política planejada e promete revelar novos segredos governamentais sem pensar demais nas consequências políticas disso. Muitos concordam com ele.

O caso dos documentos não revisados é fruto da falta de confiança que Assange inspira em seus amigos, e revela o isolamento em que ele se encontra. Após iniciar uma verdadeira Cruzada contra os segredos de governo, ele esperava um pouco de companheirismo. No entanto, o que Assange falha em perceber ao se envolver em discussões acaloradas com jornalistas do The Guardian nas redes sociais (como fez durante toda a semana através do microblog Twitter) é que as investigações da imprensa em torno da motivação política dos telegramas vazados são um reflexo da própria batalha que o site comprou. Há uma agenda política guiando os vazamentos perpetuados pelo WikiLeaks, e isso não está de acordo com as ideias que ele mesmo diz defender.

Tudo bem que o WikiLeaks pode ser lembrado como o responsável pelos maiores furos jornalísticos das últimas décadas no que diz respeito a política internacional. Tudo bem que o WikiLeaks continue a se identificar como um bastião da liberdade de imprensa e da transparência, mas o site só voltará a ser aceito como tal quando tomar iniciativas reais para transparecer seus motivos. Assange reclama que os ideais do WikiLeaks em revelar  coisas que nossos governos não gostariam que nós soubéssemos são mais importantes do que suas próprias motivações em fazer isso. Mas não é assim que o jornalismo funciona.      Não há como defender uma ideia usando uma outra ideia errada. “Matar uma pessoa para defender uma ideia não é defender uma ideia, é matar uma pessoa” e não existe uma área cinzenta que o absolva das suas próprias motivações anti-éticas. A guerra ao terror não justifica as ações criminosas de alguns governos e você nos mostrou isso, WikiLeaks. Por isso, obrigado. Você inaugurou uma nova era de jornalismo investigativo que pode fazer como uma das suas primeiras vítimas, você mesmo.

* escrito originalmente para o Paulista 900 e para a aula de Jornalismo Impresso III, do ex-professor da Cásper Líbero, Hugo Studart

Advogados usam “ereções involuntárias” para defender criador do WikiLeaks

Publicado em 4:20, Mundo por Caiopro em 13/07/2011

Julian Assange enfrenta processo de extradição para a Suécia por crimes sexuais

Criador do WikiLeaks, Assange é acusado de estupro na Suécia

O último dia da audiência que julga um recurso contra a extradição de Julian Assange provocou gargalhadas no Supremo Tribunal de Londres nesta quarta-feira (13), segundo relatos publicados no jornal britânico The Guardian.

Após os argumentos da acusação, os advogados de defesa de Assange procuraram desqualificar as queixas de crime sexual alegado pelas duas suecas que acusam o criador do WikiLeaks com argumentos pouco convencionais – até a ereção noturna de Assange entrou na roda.

Depois de a promotora Clare Montgomery ter acusado Assange de “coagir” as mulheres para ter relações sexuais sem camisinha, o advogado de defesa do australiano tentaram convencer os dois juízes encarregados do caso a invalidar o mandado de prisão emitido pela Justiça sueca.

No argumento, o advogado Ben Emmerson tentou desqualificar os depoimentos das suecas e repassou os acontecimentos que levaram ao pedido de extradição de seu cliente – o australiano é acusado de fazer coagir as mulheres a fazer sexo sem camisinha, o que, na Suécia, equivale ao crime de estupro, se um juiz entender assim.

- Ele [Assange] está ao lado dela em uma cama de solteiro. Homens têm ereções involuntárias durante a noite. Em uma cama de solteiro, há uma grande chance de que ela entre em contato com seu pênis.

A resposta do juiz Justice Ouseley levou o tribunal à gargalhada.

- Eu concordo…

“Acusação é maluca”, diz defesa

Emmerson acrescentou detalhes sobre os encontros de Assange com as vítimas, citando os depoimentos delas, que disseram ter tido “almoços íntimos”, convidado o australiano para dormir em sua casa, dado uma festa em sua homenagem e mandado mensagens em uma rede social dizendo estar “com a pessoa mais interessante do planeta”.

Segundo Emmerson, a ideia de isolar um momento de falta de consentimento “em um encontro onde ambos consentiram antes e depois é maluca”.

Ele se referia às declarações da promotoria, que mais cedo afirmou que Assange teria estuprado uma das vítimas enquanto dividia a cama com ela.

Acusadora não quis sexo, mas “pode ter mudado de ideia no meio”

De acordo com a promotora Clare Montgomery, Assange teria forçado a vítima a manter relações sexuais sem camisinha enquanto ela dormia. No entanto, apesar de afirmar que o sexo não foi inicialmente consentido, a própria promotora admitiu que “talvez ela tenha mudado de ideia no meio”, depois de acordar.

Segundo Clare, o ato inicial de estupro não pode ser relevado mesmo que ela tenha consentido depois.

Assange tem um mandado de prisão para ser interrogado por três acusações de agressão sexual e uma de estupro pela Justiça sueca.

Ele teria mantido relações sexuais sem camisinha com duas mulheres em agosto de 2010.

Defesa questiona mandado de prisão

A defesa de Assange também questionou o mandado de prisão emitido pela Justiça sueca, válido para toda União Europeia. Segundo a defesa, as acusações estão “fora das proporções” necessárias para estabelecer esse tipo de mandado.

Além disso, a defesa argumentou que uma das vítimas “nem queria ter ido à polícia” e foi coagida por autoridades suecas a delatar Assange. Segundo eles, ela queria apenas que Assange fizesse testes de sangue, mas foi pressionada pela polícia a dar queixa por agressão sexual.

No primeiro dia de audiência, os advogados do australiano tentaram convencer os juízes de que as acusações contra Assange não seriam consideradas um crime no Reino Unido. Por isso, ele não poderia ser extraditado do país.

A defesa de Assange argumenta que ele não teria um julgamento justo no país nórdico e que o processo serviria de fachada para uma futura extradição para os Estados Unidos.

Em 2010, o WikiLeaks divulgou uma série de telegramas confidenciais de embaixadas americanas, o que causou grande mal-estar nas relações entre os EUA e vários países. Pouco depois, Assange foi preso e permanece em prisão domiciliar desde dezembro de 2010.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Deputado dos EUA cai em desgraça após enviar fotos eróticas pela internet

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 16/06/2011

Anthony Weiner decide renunciar após mostrar peito sarado e as partes íntimas na rede

Após se exibir na internet, deputado se enrolou nas explicações e deve apresentar renúncia

Pressionado pelo Congresso e pela Casa Branca, o congressista americano Anthony Weiner vai apresentar sua renúncia nesta quinta-feira (16), duas semanas após a divulgação de fotos e mensagens de cunho sexual que admitiu ter enviado a várias mulheres.

Segundo o jornal New York Times e a emissora CNN, o representante nova-iorquino comunicou a seus amigos mais próximos a decisão de abandonar seu assento na Câmara de Representantes dos Estados Unidos.

O anúncio está previsto para o mesmo dia em que os líderes democratas no Congresso planejavam reunir-se para debater se tirariam Weiner de suas atribuições no Comitê de Comércio e Energia, um passo que afetaria sua credibilidade.

Weiner tomou a decisão após conversar com sua esposa, Huma Abedin, que retornou na quarta-feira a Washington de sua viagem pelo Oriente Médio junto à secretária de Estado, Hillary Clinton, da qual é assessora.

 Deputado cai em desgraça por fotos eróticas

O sonho de Anthony Weiner, deputado pelo Estado de Nova York, era ser o “homem do tempo” na televisão. No entanto, aos 46 anos, acabou ficando famoso por motivos que nada têm a ver com a meteorologia ou mesmo com suas funções políticas.

O parlamentar está no centro de um dos escândalos mais polêmicos (e engraçados) dos Estados Unidos nos últimos anos, após admitir ter enviado fotos de seu corpo, incluindo o peito sarado e o próprio pênis, para várias mulheres por meio de redes sociais.

Weiner começou a vida pública em 1991, como o vereador mais jovem da história de Nova York, até então. Ele se reelegeu sucessivas vezes para o cargo, mas em 1999 se tornou deputado.

Apesar de ser um político democrata em uma das cidades mais liberais do país, Weiner curiosamente adotou posturas conservadoras. Ele chegou obrigar adolescentes delinquentes a apagar murais de grafite e fez protestos contra a delegação palestina na ONU. Também obrigou judicialmente o YouTube a retirar do ar publicações em que terrorista Anwar al Awlaki incitava a “guerra santa” contra o Ocidente.

Tudo corria muito bem na trajetória política de Weiner, que vinha sendo considerado um dos favoritos para as próximas eleições à Prefeitura de Nova York. Mas o deputado pôs tudo a perder em um clique. Em maio de 2011, Weiner enviou fotos sem camisa e de seu próprio pênis a uma seguidora no Twitter. Rapidamente a fotografia foi divulgada pela imprensa. O desastre estava feito.

Weiner se enrolou nas explicações

No início, Weiner até tentou negar o fato, alegando que tudo não se passava de uma piada de mau gosto com seu sobrenome. Weiner, em inglês, é uma palavra bastante semelhante a uma expressão chula para salsicha (wiener).

Mas, como o próprio Weiner admitiu mais tarde, “mentir só levou a mais mentiras e perguntas mais difíceis”. Ele admitiu o ocorrido na última quinta-feira (9), com o surgimento de novas fotos de seu dito-cujo, e disse que manteve relações virtuais com pelo menos seis mulheres nos últimos anos.

Casado com a assessora de Hillary Clinton, Huma Abedin, o deputado tem fama de pegador. Certa vez o jornal nova-iorquino New York Daily News chegou até a publicar uma galeria intitulada “As mulheres de Weiner”.

Após o escândalo, já circulam piadas de que o histórico mulherengo de Weiner seria uma das razões pelas quais ele propôs, no Congresso americano, facilitar a obtenção de vistos de trabalho para modelos estrangeiras.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

A boa ditadura

Publicado em Livros, Política, Resenhas por Caiopro em 27/09/2010

Da presunção à convicção do absoluto: este é o passo da democracia ao fascismo, percorrido diversas vezes na América Latina. O caminho que vem sendo traçado na Venezuela, no entanto, merece atenção especial – e inflama anacrônicos debates entre “direita” e “esquerda” do mundo inteiro.

Gilberto Maringoni, professor da Cásper Líbero, dichava a história recente do vizinho

Gilberto Maringoni, jornalista e doutor em História pela USP, faz uma reflexão importante sobre o processo político do país em A Venezuela que se inventa: poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez. Felizmente ele abre o jogo desde o início, ao se apresentar como um defensor da revolução chavista, e nos poupa de questionar qualquer tipo de isenção.

Trata-se de um livro com um certo viés panfletário, mas que não deve ter seu valor reduzido a tal graças ao minucioso processo de apuração do jornalista, que entrevistou muitas das figuras-chave da história recente do país.

É compreensível o partidarismo do autor, em se tratar de um pequeno país caribenho sem grande relevância internacional até o período contextualizado no livro, quando ruiu o castelo de cartas do poder local.

O país era dominado por oligarquias políticas e grupos empresariais de comunicação, até a eleição de Hugo Chávez virou a Venezuela de cabeça pra baixo. Reformas e crescimento econômico vieram ao mesmo compasso da perseguição política, censura e fechamento de vários meios de comunicação.

Por outro lado, nada disso parece tão grave para a população, conforme os índices de aprovação de Chávez (e a possibilidade de múltiplas reeleições) continuam a todo galope. A Venezuela, enriquecida pela exportação de petróleo e uma falsa valorização no câmbio tem, como o Brasil, um dos mais graves índices de desigualdade social do mundo.

A Venezuela é exemplo de um país que viu sua democracia esvaziar-se de sentido: na eleição que legitimou Chávez, a outra candidata era uma ex-Miss Universo.  Hoje, o país vê e aceita o bolivarianismo como uma nova via, com grande incentivo e manifestações populares a favor do presidente, além de crescimento econômico e visível melhora na qualidade de vida.

O livro-reportagem de Gilberto Maringoni passa a limpo a história política do país. Contextualiza os eventos que antecederam o atual momento venezuelano, contando com bons entrevistados e franqueza pessoal para opinar sobre os fatos. O estilo corrido do texto do autor também ajuda a vencer mais de 20 anos de história em 248 páginas.

Mas espanta o viés politizado do jornalista ao tratar da Venezuela, conforme vemos cada vez mais figuras importantes endossando a investida chavista e sua maneira gramcista de obter mais poder: a desqualificação da mídia “golpista”, seguida pela legitimação de novos meios de comunicação sob chancela partidária. É o passo da convicção absoluta, aquela que não se dá bem com vozes dissonantes.

veja bem...

Não que este seja o caso do Brasil que caminha para o desenvolvimento, às portas das eleições de uma bancada de absoluta maioria governista e que vê aqueles jornais e revistas mais populares, e bisbilhoteiros, como inimigos. Me faz pensar: em que a Venezuela é tão diferente mesmo?

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.