Putin será derrubado pela Primavera Árabe, prevê presidente da Geórgia
Rival critica apoio à Síria e diz que Rússia segue o mesmo caminho de ditadores islâmicos

Presidente da Geórgia, Mikhail Saakhashvili fez duras críticas ao primeiro-ministro russo Vladimir Putin. Segundo ele, Putin segue o mesmo caminho de ditadores árabes como Hosni Mubarak, do Egito, e Muammar Gaddafi, da Líbia
O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, segue o mesmo caminho dos ditadores derrubados durante a Primavera Árabe, disse o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, em uma entrevista exclusiva publicada nesta sexta-feira (3) pela revista especializada em assuntos internacionais Foreign Policy.
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Na entrevista, Saakashvili criticou o governo russo pela dura repressão aos protestos que acusam o Kremlin de manipular as eleições legislativas de dezembro no país. Centenas de pessoas foram presas em Moscou e São Petersburgo, as duas maiores cidades russas, nos dias que sucederam o pleito, após protestos contra o resultado das urnas que novamente deram uma maioria do Parlamento ao partido de Putin, o Rússia Unida.
- Você precisa ouvir o que o próprio governo russo diz: “nós não somos a Líbia, nós não somos o Egito, a Rússia não vai seguir por esse caminho”. Eu já ouvi isso de outros líderes antes. Ouvi de dirigentes soviéticos, por exemplo. Mas a partir do momento em que você é obrigado a dizer essas coisas, isso se torna uma profecia em si mesma, e é aí que você começa a fazer certas coisas e proibir outras, o que é exatamente o tipo de atitude que leva a este caminho [da queda de um regime].
Segundo o presidente georgiano, cujo governo travou uma guerra de cinco dias contra a Rússia pelo controle de territórios estratégicos no sul do país vizinho, o governo russo está promovendo, sem saber, o início de um movimento de oposição similar ao que ocorreu em boa parte do mundo islâmico no ano passado.
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Saakashvili também criticou o apoio russo ao regime do presidente Bashar al Assad na Síria. A Rússia, que é um dos principais fornecedores de armas ao país árabe, já adiantou ao Conselho de Segurança da ONU que irá vetar qualquer proposta de intervenção na Síria, onde ao menos 5.000 pessoas já morreram por causa da repressão aos protestos contra o Assad.
- A Síria é um símbolo. O governo russo pena que, se a Síria cair, esse será o último bastião antes de Moscou. Isso [se negar a interferir] é exatamente o tipo de atitude que vai trazer os problemas para mais perto de Moscou. Eles não estão ajudando em nada a Síria, mas certamente vai causar muitos problemas para a Rússia.
Segundo a Foreign Policy, minutos antes da entrevista, Saakashvili também alertou para o contraste entre as reações de Turquia e Rússia frente às revoltas na Síria, durante uma palestra no Instituto dos Estados Unidos Para a Paz, em Washington.
- De um lado, a Federação Russa reage à Primavera Árabe com pânico e revolta. Do outro, a Turquia se afirma no papel de modelo para nações pós-revolução. Vladimir Putin quer impedir o progresso da história, enquanto [o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip] Erdogan se esforça para abraçar as revoluções. Não é coincidência que a Rússia venha perdendo influência, enquanto a liderança da Turquia cresce a cada dia na região.
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“Putin nunca foi embora”
Em entrevista à Foreign Policy, o presidente georgiano Mikhail Saakashvili também fez comentários sobre o possível retorno de Vladimir Putin à presidência da Rússia. Segundo ele, se Putin realmente voltar ao cargo (que ele já ocupou entre 2000 e 2008), seu mandato será marcado por uma oposição bem mais forte do que a enfrentada pelo atual presidente, Dmitri Medvedev.
- A classe média de Moscou sabe que, na verdade, Putin nunca foi embora. A questão não é o retorno de Putin à presidência, é o que ele disse para justificar sua candidatura. Ele disse que vai voltar porque “precisa parar qualquer tentativa de reformas”. Foi isso o que a classe média russa ouviu.
* matéria publicada originalmente no Portal R7
Newt Gingrich promete construir base espacial lunar até 2020, caso seja eleito
Candidato quer chegar antes dos chineses, mas é ridicularizado por rivais em debate

Candidato republicano, Gingrich discursa durante debate presidencial na Flórida. Ele promete construir uma base espacial na Lua até 2020, caso seja eleito
O pré-candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Newt Gingrich, prometeu nesta quinta-feira (26) que, se eleito, irá construir uma base espacial americana na Lua até o fim de um hipotético segundo mandato.
Gingrich defendeu sua proposta para reativar o lançamento de espaçonaves americanas durante o debate presidencial desta quinta-feira na Flórida, um dos principais pontos de lançamento de foguetes no país. O republicano, que foi ridicularizado por seus concorrentes, promete que, se for eleito, irá investir em voos comerciais para o espaço, missões de explorações para Marte e na construção de uma base na Lua até 2020.
Antes, Gingrich já havia anunciado seu plano grandioso para uma plateia de trabalhadores demitidos de Cabo Canaveral na quarta-feira (25), na Flórida, de onde a Nasa (agência espacial americana) lançava boa parte de seus satélites e ônibus espaciais.
No debate, Gingrich se aprofundou sobre o tema. Segundo ele, a ideia não é “colonizar a Lua”, mas sim manter uma base permanente e evitar que os chineses “cheguem lá primeiro”.
- Eu não quero colonizar a Lua. O custo disso seria de bilhões, senão trilhões [de dólares]. O que eu quero é um americano na Lua antes que os chineses cheguem lá primeiro.
De acordo com o candidato, o plano é incentivar a participação do setor privado para impulsionar a pesquisa espacial, inclusive criando voos turísticos para o espaço. Ele comparou o investimento que faria aos esforços para impulsionar o setor aeroviário durante os anos 1930, e defendeu que o empreendimento não seria um ônus para o país.
- Investimentos estatais e privados não são necessariamente incompatíveis. Muitos dos avanços na aviação aconteceram por causa de prêmios. Eu gostaria de ver muito mais dinheiro que é investido no setor privado servindo para encorajar novas descobertas. Se nós tivéssemos uma série de objetivos e nos preparássemos para oferecer prêmios para quem atingi-los, temos todas as razões do mundo para acreditar que temos pessoas nesse país e no resto do mundo que colocariam uma enorme quantia de dinheiro e fariam a região [de lançamentos de foguetes] borbulhar com oportunidades.
Os planos de Gingrich foram duramente criticados por seus rivais durante o debate na Flórida. O favorito da campanha republicana, Mitt Romney, defendeu que o setor privado não deve participar do programa espacial americano. No entanto, ele tropeçou ao mencionar que iria demitir pessoas, num momento em que o desemprego nos EUA continua a níveis alarmantes.
- Fui empresário durante 25 anos, e se um executivo da minha empresa chegasse comigo e dissesse que quer investir alguns bilhões de dólares para colocar uma colônia na Lua, eu diria: “você está demitido!”.
Já o congressista do Texas, Ron Paul, afirmou que o país “não precisa de um programa espacial maior” e que “a saúde e outras coisas merecem muito mais prioridade do que ir até a Lua”.
- Eu não acho que nós precisamos ir à Lua. Acho que talvez nós devêssemos mandar alguns políticos para lá às vezes.
De acordo com o jornal americano The New York Times, o fascínio de Newt Gingrich pela Lua data de bem antes de sua campanha para receber a indicação do Partido Republicano à presidência. Em seu romance de ficção científica Renew America (Renovando os EUA, em tradução livre), de 1995, Gingrich fez uma previsão de que “luas de mel na Lua serão moda em 2020″.
* matéria publicada originalmente no Portal R7
Egito comemora um ano de revolução, mas futuro segue um mistério
População questiona militares, enquanto Ocidente desconfia de lideranças islâmicas

De cara pintada, manifestante se une às comemorações pelo primeiro aniversário da revolução de 2011 no Egito. A população se reúne nesta quarta-feira (25) na emblemática praça Tahrir, no centro do Cairo, para marcar o fim da ditadura de Hosni Mubarak e exigir mais reformas no país
Os egípcios lembrarão 2011 como um ano de revoltas populares e mudanças radicais no poder. Nesta quarta-feira (25), o Egito comemora um ano do início da revolução que mudou os rumos do país. Em fevereiro, após 18 dias de protestos que lotaram a emblemática praça Tahrir (“liberdade”, em árabe), no centro do Cairo, os manifestantes finalmente conseguiram derrubar o ditador Hosni Mubarak. Ele estava no poder havia 29 anos.
Relembre os protestos que derrubaram Mubarak
Inspirados pela Revolução Jasmin (que, em janeiro, expulsou o ditador Ben Ali do poder na Tunísia), jovens de todas as classes sociais iniciaram uma série de protestos que dividiram o país: de um lado a oposição, endossada em peso por movimentos islâmicos como o partido da Irmandade Muçulmana e por parte das Forças Armadas. Do outro, polícia e partidários de Mubarak que, montados em camelos, formaram uma praça de guerra no centro do Cairo, em imagens que rodaram o mundo.
Mais de 6.000 pessoas ficaram feridas e 846 morreram nas tentativas desesperadas de interromper os protestos. As táticas do governo incluíram até o corte de telefone, internet e mensagens de texto no país, mas não conseguiram impedir que cada vez mais pessoas se reunissem na praça para pedir liberdade.
Lembrado por analistas como o “ditador favorito do Ocidente”, por ter sido um dos poucos governantes árabes com posições alinhadas às políticas de Estados Unidos e Israel, Mubarak acabou exilado em sua mansão no balneário de Sharm el Sheikh, enquanto uma Junta Militar assumia o poder.
No entanto, o fim da revolução ainda parece distante para os egípcios.
Meses depois da revolução, o cenário do país ainda é de impasse. Nem o governo se livrou dos antigos aliados do ditador, nem a população parece ter se esquecido disso – como ficou provado nos cinco dias de violência que antecederam as primeiras eleições parlamentares do país após o governo Mubarak. Por isso, a população ainda vê com desconfiança o novo premiê, Kalam Ganzouri, um ex-aliado e ex-chefe de governo do ditador, e o marechal Mohamed Hussein Tantawi, de 79 anos, comandante das Forças Armadas e escolhido como condutor da transição política.
MAIS: Mulheres protestam contra a violência dos militares
Além disso, muitos países ocidentais continuam de olhos abertos para uma possível radicalização do país, onde as urnas elegeram a Irmandade Muçulmana (partido proibido nos tempos de Mubarak) para mais de dois terços das cadeiras do Parlamento – o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil. Embora os políticos do partido neguem a intenção de instalar uma lei islâmica no país ou mudar sua relação com o Ocidente, os atos de violência de alguns manifestantes (como os que vandalizaram a embaixada israelense no Cairo) continuam a inspirar preocupação em governos não tão simpáticos aos olhos da população árabe.
As tensões religiosas, controladas nos tempos de Mubarak, também são uma questão delicada para o futuro do país, principalmente após uma série de ataques contra minorias como os cristãos coptas egípcios. Eles constituem cerca de 10% da população, mas até agora parecem ter ficado de fora do novo cenário político do país, dominado pelos partidos islâmicos.
Por isso, o momento é de decisão, e os novos deputados egípcios já se preparam para reescrever a Constituição do país. As eleições para presidente também se aproximam, e devem ser realizadas em junho. Mas também falta o país lidar com seu ex-ditador, Mubarak, que enfrenta um longo julgamento e apresenta péssimas condições de saúde em cima de uma maca.
A revolução egípcia de 2011 foi apenas a segunda revolta do ano passado, mas talvez seja lembrado como a mais importante delas. Por causa do Egito, que ocupa uma posição de liderança na região e inclusive abriga a sede da Liga Árabe, a população de outros países islâmicos como a Líbia e a Síria acreditou que é possível expulsar velhos tiranos.
Também foi o Egito que mostrou a força das redes sociais, reunindo milhares de pessoas contra o regime por causa de simples mensagens de texto e páginas no Facebook – táticas de protesto que foram reproduzidas tanto em outros movimentos da Primavera Árabe quanto na onda de protestos contra o sistema financeiro que tomou conta dos Estados Unidos e Europa.
Para entender melhor a crise no Egito, confira algumas das matérias especiais do R7 sobre o assunto:
FOTONOVELA: Grito de Liberdade – A revolta no mundo árabe
* matéria publicada originalmente no Portal R7
Newt Gingrich se irrita com pergunta sobre “casamento aberto” em debate
Newt Gingrich acusa imprensa de atacar republicanos para proteger Obama

Ao lado da mulher, Callista, republicano Newt Gingrich acena para eleitores após vencer as primárias da Carolina do Sul. Sua ex-mulher o acusa de ter pedido um "casamento aberto" para ficar com sua esposa atual
O pré-candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos, Newt Gingrich, respondeu com dureza às acusações de sua ex-mulher em um debate realizado na última quinta-feira (19) na rede de TV CNN.
Gingrich demonstrou irritação ao responder às perguntas sobre as declarações de sua ex-mulher, Marianne, que o acusa de ter pedido um “casamento aberto” quando ela estava com câncer. O republicano acusou o moderador do debate, John King, de “proteger Obama e atacar os candidatos republicanos”.
A pergunta delicada foi a primeira questão do debate presidencial, o que enfureceu Gingrich. Dias antes, a ex-mulher de Gingrich havia dado uma entrevista ao canal ABC acusando Gingrich de largá-la por uma amante quando ela estava com câncer. Ela afirma que, antes de pedir o divórcio, Gingrich ainda pediu para que os dois tivessem um “casamento aberto”.
- Acho que natureza negativa, maldosa e destrutiva de boa parte da imprensa faz com que seja muito mais difícil governar esse país, mais difícil de atrair pessoas decentes para o cargo [de presidente]. Estou chocado que você tenha começado o debate com uma pergunta como essa.
O candidato voltou a negar as acusações, e acusou a CNN e outros órgãos da “mídia liberal” de ataques gratuitos contra os candidatos republicanos.
“Vou ser claro. A história é falsa. Cada amigo que tenho e nos conheceu nesse período disse que a história é falsa”, afirmou Gingrich, elevando o tom de voz nos minutos de abertura de um debate com os outros pré-candidatos republicanos.
- A mídia não se interessa por isso porque eles querem atacar qualquer republicano. Eles estão atacando o governador [de Massachussetts] Mitt Romney, estão atacando a mim. Aposto que vão atacar o senador Rick Santorum e o congressista Ron Paul também [dois outros candidatos]. Eu estou cansado da mídia liberal proteger o presidente Obama através de ataques aos candidatos republicanos.
O debate foi exibido às vésperas das primárias do partido no Estado da Carolina do Sul, onde Gingrich surpreendeu, ficando em primeiro lugar ao derrotar o favorito Mitt Romney. Ao fim de sua réplica, Gingrich foi ovacionado de pé pela plateia.
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Gingrich acusa CNN de “atacar republicanos para proteger Obama” por thevideos no Videolog.tv.
O ex-presidente da Câmara dos Representantes americana Newt Gingrich foi o vencedor da primária republicana do Estado da Carolina do Sul, realizada neste domingo (22). Ele derrotou o favorito na disputa, Mitt Romney, após conquistar 40% dos votos contra 28% obtidos pelo rival.
Romney segue na liderança nas pesquisas nacionais sobre quem deverá ser o candidato republicano que irá obter a indicação do partido para disputar a presidência dos Estados Unidos contra o presidente Barack Obama, em novembro deste ano.
Mas a vitória dá fôlego a Gingrich, especialmente pelo fato de que desde 1980 todo candidato que venceu uma primária na Carolina do Sul acabou depois conquistando a candidatura de seu partido.
Gingrich começou a ascender após ter passado a ser visto como o candidato mais identificado com a cada vez mais forte direita do Partido Republicano e o movimento Tea Party e como o conservador na disputa mais apto a derrotar Romney.
Em uma entrevista na qual detalha o desmoronamento de seu casamento, Marianne Gingrich afirmou que o ex-presidente da Câmara dos Representantes tentou chegar a um acordo matrimonial que lhe permitisse manter sua amante enquanto continuava casado.
A mulher afirmou que Gingrich admitiu sua relação de seis anos com sua assistente no Congresso, Callista Bisek – agora Callista Gingrich -, com a qual o pré-candidato republicano se casou depois que seu casamento anterior ruiu.
Marianne foi a segunda mulher de Gingrich, um dos pré-candidatos republicanos que se mantêm na corrida à presidência dos Estados Unidos – após a renúncia de Rick Perry, divulgada nesta quinta (19) – e que, enquanto foi presidente da Câmara na década de 1990, destacou-se como uma das figuras mais poderosas de Washington.
* matéria publicada originalmente no Portal R7
Cristina Kirchner, a viúva de negro que conquistou os argentinos
Dona de uma personalidade complexa, a presidente tenta se reeleger neste domingo (23)

Vestindo preto desde a morte de seu marido Néstor, Cristina Kirchner visita uma mesquita em viagem oficial a Istambul, na Turquia, em janeiro de 2011
A presidente argentina, Cristina Kirchner, com sua reeleição assegurada no domingo (23), é uma advogada de 58 anos com personalidade complexa, ao mesmo tempo frágil e autoritária, sedutora e taxativa, elegante e cerebral.
“Cristina tem uma dose de racionalidade. Ela é mais analítica”, disse em entrevista Alberto Fernández, chefe de gabinete dos Kirchner entre 2003 e 2008. Seu marido e antecessor, Néstor Kirchner (2003-2007), “era muito mais intuitivo”, diz.
Assim, onde Néstor Kirchner impunha suas decisões por seu próprio poder, Cristina precisa se justificar.
Reconhecida por sua facilidade com a oratória, é capaz de falar durante longo tempo sem papéis, citando cifras para apoiar suas afirmações.
Essa facilidade, herdada de sua passagem pelo Congresso, dão a ela um ar de “professora de escola” que irrita bastante muitos argentinos.

Cristina lança troca olhares com o marido Néstor Kirchner, que faleceu em 2010 vítima de um ataque cardíaco
Vaidade da presidente é prato cheio para a oposição
Sempre de salto alto, unhas compridas, com cabelos longos sobre os ombros, Cristina já teve quedas de pressão que a obrigaram a suspender suas atividades, inclusive viagens ao exterior.
Solitária, também se distancia de seus colaboradores. “Cristina não te deixa margem para uma relação mais íntima. Ela é estadista e impõe distância”, disse um funcionário da Casa Rosada que não quis se identificar.
Alguns reprovam na presidente seu gosto por marcas de luxo, como Louis Vuitton ou Hermès. Na televisão, um comediante a imitou: “até a Victoria… Secret!”.
“Sempre foi muito elegante e sempre se maquiou muito”, afirma Fernández, completando que “com Néstor podíamos esperar até uma hora para ir jantar, porque ela estava se arrumando”. A obsessão pela aparência é na Argentina um traço típico da classe média à qual Cristina pertence.
Estilo ‘avassalador’ atrapalha negociações
Nascida em La Plata, cidade universitária a 60 km ao sul da capital, na província de Buenos Aires, aos 20 anos Cristina conheceu Néstor Kirchner, três anos mais velho, e se torna sua mulher seis meses depois.
Ambos militavam na Juventude Peronista antes de se refugiar na Patagônia durante a ditadura (1976-1983). Tiveram dois filhos, Máximo, 34 anos, e Florencia, 21.
Cristina Kirchner “é avassaladora”, destaca Alberto Fernández, apesar de “às vezes se chocar com a realidade e se dar conta de que não pode continuar avassalando”.
“Ela não escuta. Não há lugar para o diálogo”, diz Hermes Binner, seu rival da Frente Ampla Progressista, que está em segundo nas pesquisas, mas cerca de 40 pontos atrás de Cristina.
O grande conflito com os produtores agrícolas, em 2008, revela esse traço de seu caráter. Ela rejeitou até o final qualquer negociação, e perdeu mais de 20 pontos de popularidade. Seu vice-presidente, Julio Cobos, votou contra ela no Senado e passou à oposição.
Luto pelo marido é arma política para Cristina Kirchner
O enriquecimento pessoal dos Kirchner desde sua chegada ao governo (+928% entre 2003 e 2010, segundo sua declaração oficial de patrimônio) incomoda cada vez mais.
Mas a morte de seu marido, após uma crise cardíaca em 27 de outubro passado, lhe permitirá mostrar uma imagem totalmente diferente: mais sensível que autoritária e menos frívola.
Quase um ano depois da morte, Cristina Kirchner mantém o luto, que se transforma em uma ótima arma política.
“À noite, é a mulher que chora por seu marido. De dia, é a presidente”, resume Estela de Carlotto, titular das Avós da Praça de Maio.
Quando Cristina Kirchner fala “dele” na televisão, com sua voz embargada, sabe que chega diretamente no coração dos argentinos.
Para ser mais competitiva, só divulgou sua candidatura no último minuto.
“Já fiz tudo o que podia fazer”, disse em maio passado. No fim de junho, porém, acabou anunciando que tentaria a reeleição: “sempre soube qual era o meu dever”.
* matéria publicada originalmente no Portal R7
Ricardo Alfonsín tenta seguir os passos do pai até a Presidência da Argentina
Líder da oposição radical não está se saindo tão bem quanto esperava inicialmente

Candidato à Presidência argentina, Ricardo Alfonsín (centro) posa ao lado de estudantes de engenharia da Universidade de Buenos Aires. Apesar de ter ficado em segundo lugar nas eleições primárias, a campanha de Alfonsín não vai tão bem - e o candidato já aparece como o quarto colocado nas últimas pesquisas de opinião
O candidato à Presidência da Argentina pela Udeso (União para o Desenvolvimento Social), Ricardo Alfonsín, luta para seguir os passos de seu pai, Raúl Alfonsín (que governou o país entre 1983 e 1989), após ter obtido o segundo lugar nas eleições primárias.
Nascido no dia 2 de novembro de 1951 na cidade de Chascomús, este líder opositor não esconde que usou os trajes de seu pai nem se nega a repetir nos atos de campanha o popular gesto do ex-presidente com as mãos entrelaçadas no alto.
- Construo frases parecidas, inclusive. Há quatro ou cinco anos uma menina me disse: ‘A voz é incrível’. Mas não é uma coisa consciente.
Ricardo Alfonsín começou a crescer como figura política após a morte, em 2009, de seu pai, que chegou ao poder em 1983 com um amplo respaldo popular.
Em dezembro de 2009, o candidato assumiu como deputado nacional pelo Acordo Cívico e Social, uma coalizão integrada pela União Cívica Radical e a Coalizão Cívica, forças com as quais o radicalismo de Alfonsín rompeu mais tarde.
A partir dali, o legislador começou a somar apoios na centenária força social-democrata até se transformar em postulante à Presidência, após se impor sobre concorrentes partidários como o vice-presidente argentino, Julio Cobos, e o senador Ernesto Sanz.
Porém, este advogado e professor de imagem austera não alcançou o resultado que esperava nas eleições primárias do dia 14 de agosto. Apesar de ter ficado em segundo, Alfosín só obteve 12,2% dos votos, 38 pontos percentuais atrás da atual presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner.
Além disso, várias pesquisas apontam que ele ficará em terceiro ou quarto no pleito geral deste domingo (23), embora busque se mostrar como a alternativa opositora – principalmente por meio de ataques a Cristina, feitos em seu programa eleitoral na TV.
- Sou Ricardo Alfonsín e queria falar com você, Cristina. Possivelmente a senhora vai ganhar as próximas eleições, mas, com todo respeito, sinto necessidade de lhe dizer algo: não acredito nem um pouco em você.
Antes de entrar na política, o terceiro dos seis filhos do casamento entre Raúl Alfonsín e Lorenza Berreneche vendeu pavios para tornos industriais na periferia de Buenos Aires, foi professor em colégios de ensino médio e trabalhou como advogado em sua cidade natal.
Em 1982, casou-se com Cecilia Plorutti, com quem teve Lucía, Marcos, Ricardo e Amparo.
- Eu me casei velho, ia completar 31 anos. Tive 10, 11 anos para fazer bastante bobagem.
No final da década de 1990, Alfosín ganhou forma a linha interna que ele criou junto com um grupo de amigos, chamada Radicais para a Mudança, destinada ao fortalecimento e renovação da União Cívica Radical.
Entre 1999 e 2003, ele foi deputado da província de Buenos Aires, depois retornou à profissão de advogado e ocupou a Secretaria de Relações Internacionais de seu partido.
Alfonsín abandonou a atividade partidária por conta da trágica morte de sua filha Amparo, e retornou em 2007, quando se apresentou como candidato a vice-governador da província de Buenos Aires na chapa do ator Luis Brandoni, que obteve o quarto lugar na ocasião.
Já como candidato presidencial, surpreendeu neste ano quando se aliou ao peronista dissidente Francisco de Narváez, candidato a governador de Buenos Aires, com quem formou a Udeso.
A aliança com um setor do peronismo dissidente lhe custou a ruptura com o socialismo.
Até então, o radicalismo já havia rompido com a Coalizão Cívica, aprofundando a fragmentação da oposição.
* matéria publicada originalmente no Portal R7
Guatemala realiza eleições após campanha em clima de novela mexicana e bang-bang
Episódios incluem candidatura de ex-primeira-dama que se divorciou para concorrer

Da esquerda para a direita, o favorito das pesquisas, Otto Pérez Molina, Manuel Baldizón (segundo colocado), Eduardo Suger (terceiro) e a ex-primeira-dama, Sandra Torres
Após assistir a uma campanha eleitoral digna de novela mexicana e filme bang-bang, a Guatemala vai às urnas neste domingo (11) para escolher seu presidente, além de novos prefeitos, congressistas e vereadores. A expectativa é de que a votação ocorra com normalidade, apesar da turbulência dos últimos meses.
A corrida presidencial ficou marcada pelo cancelamento da candidatura da ex-primeira-dama, Sandra Torres, que se divorciou do presidente Álvaro Colom para tentar disputar a sucessão, mas foi impedida pela Justiça. Por outro lado, analistas internacionais também mostram preocupação com a violência na corrida eleitoral – que teve candidatos assassinados e, outros, acusados de matar seus adversários.
Mas a criminalidade na Guatemala acabou fortalecendo o candidato de direita Otto Perez Molina. Ex-militar, Molina lidera as pesquisas para a Presidência com 42% das intenções de voto. Ele está à frente de Manuel Baldizon, advogado e empresário candidato pelo partido Líder (Liberdade Democrática Renovada), com 26%, e do respeitado matemático Eduardo Suger, com 14%. De acordo com as pesquisas, deve haver segundo-turno.
Molina promete uma política “linha-dura” contra a violência e a corrupção e diz que colocará o Exército nas ruas para combater o tráfico de drogas. Se for eleito, será a primeira vez que um militar chega ao poder desde 1985, quando terminou a ditadura na Guatemala.
O favorito, no entanto, é acusado de ter ordenado massacres em comunidades indígenas quando era comandante do Exército nos anos 80. Além disso, Molina está sendo investigado por causa do financiamento milionário de sua campanha – que já gastou o equivalente a R$ 11,6 milhões (cerca de US$ 7 milhões). Os anúncios de TV, panfletagens e comícios do candidato foram cancelados pela Justiça.
Candidatos de mentirinha e violência
A corrida presidencial deste ano também ficou marcada pelo número de candidaturas negadas pela Justiça do país – principalmente a da ex-primeira-dama Sandra Torres, acusada de “fraude da lei”.
Em março, Sandra tentou se divorciar do atual presidente Álvaro Colom para disputar as eleições. A Constituição da Guatemala proíbe que parentes do presidente se candidatem.
No entanto, os juízes decidiram que a campanha da primeira-dama é ilegal e ela acabou desqualificada – mesmo dizendo que o divórcio era uma prova de que seu “amor pela Guatemala” é maior do que por seu marido. Ela terminou sem candidatura e com o casamento anulado.
Também com base nessa regra, a parlamentar Zury Sosa de Weller, filha do ex-ditador militar Efrain Rios Montt, teve a candidatura barrada pela Justiça.
Por outro lado, o ex-pastor Harold Caballeros foi aceito como candidato após um longo debate sobre se ele poderia ou não concorrer. A legislação local proíbe que padres e outros religiosos participem de eleições.
Ao todo, nove candidatos disputam a corrida presidencial oficialmente. Mais de 70 pessoas tiveram seus registros de candidatura negados pela Justiça para diversos cargos. Muitos tinham envolvimento comprovado com o narcotráfico.
A violência também marcou as eleições deste ano. Desde o início da campanha, em maio, pelo menos 37 pessoas foram assassinadas por motivações políticas, segundo estimativas oficiais. Entre os casos, está um candidato a prefeito acusado de matar dois adversários em San José Pínula, a 22 km da capital.
Campanhas podem ter sido financiadas pelo tráfico
Mas a maior polêmica em torno das eleições guatemaltecas é a suspeita de que parte das campanhas estaria sendo financiada de maneira ilegal.
ONGs como a InSight, com base na Colômbia, acusam os principais partidos do país de receberem dinheiro ligado a cartéis mexicanos de narcotraficantes como o Los Zetas, que domina o norte da Guatemala e diz ter contribuído com R$ 19 milhões para a campanha que elegeu Colom, em 2007. Em uma mensagem de rádio em dezembro do ano passado, o cartel prometeu vingança pelas promessas não cumpridas.
Até a OEA (Organização de Estados das Américas) já lançou um alerta sobre os gastos de campanha e a origem do dinheiro na corrida presidencial na Guatemala. Na segunda-feira (5), a organização alertou que “há um gasto histórico e o mais preocupante é que não se sabe de onde vem esse dinheiro”.
Partidos como o PP (Partido Populista), de Molina; o Líder (Liberdade Democrática Renovada), de Baldizon; e a coalizão governista UNE (Unidade Nacional da Esperança), da ex-primeira-dama Sandra Torres, ultrapassaram em muito o limite constitucional de campanha – de cerca de R$ 10,4 milhões. Segundo o Tribunal Eleitoral, até agosto os partidos já tinham gasto juntos o equivalente a R$ 45 milhões, mas a multa para quem viola essa regra é irrisória: R$ 207,00.
Essa é apenas a quarta vez que a Guatemala passa por eleições desde o fim da guerra civil em 1996. O conflito durou 36 anos e deixou índices de pobreza e criminalidade que devem assombrar o mandato do próximo presidente.
Conheça a controvertida figura de Sarah Palin
Republicana é musa do ultraconservador Tea Party, e também colecionadora de gafes

Sarah Palin discursa para eleitores no Estado da Virgínia Ocidental; ex-governadora pode se candidatar à Presidência dos EUA
A ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, é atualmente uma das figuras mais polêmicas da política americana. Considerada a “musa dos conservadores” americanos, e descrita por ela mesma como uma “mamãe do hóquei”, seu estilo desbocado e crítico ao governo Barack Obama conseguiu conquistar boa parte do eleitorado tradicional do Partido Republicano.
Mesmo com um histórico de gafes, Sarah é uma das possíveis candidatas para as eleições presidenciais de 2012.
A americana está acostumada a grandes saltos na carreira. Dona de uma trajetória meteórica, a mãezona de 46 anos e cinco filhos pulou da Prefeitura de Wasilla, uma cidadezinha de 7 mil habitantes no Alasca, diretamente para o cargo de governadora.
Em menos de dois anos ela ainda seria a candidata a vice-presidente da chapa do veterano de guerra John McCain, derrotado por Barack Obama em 2008.
Sarah Palin surgiu como um nome completamente desconhecido na corrida presidencial, em uma manobra vista como desleal pelos críticos do Partido Republicano. A ideia seria trazer uma mulher para a candidatura de McCain para competir com a “novidade” de Obama, o primeiro candidato negro à Presidência na história do país.
Mas, até o final da campanha, Sarah já havia se tornado um dos rostos mais reconhecidos dos Estados Unidos, inclusive atraindo mais holofotes e seguidores do que o próprio McCain.
Após a derrota nas eleições de 2008 ela renunciou ao cargo de governadora, faltando quase dois anos para o fim do mandato, e seguiu uma trajetória pouco comum para uma figura da política: estrelou um reality show (Sarah Palin’s Alasca, em que revela a intimidade de sua família), se tornou âncora de um programa de TV da rede conservadora Fox News e é hoje a musa do movimento ultraconservador Tea Party.
Esforços de Sarah conquistou conservadores, mas rendeu gafes
Bonita, Sarah vendeu a sua imagem de mulher de um jeito simples e interiorano, mãe de família, defensora de valores religiosos e da não-intervenção do Estado na economia.
Para analistas, ela é tudo que o eleitor médio do interior dos EUA quer. Mesmo assim, a derrota na eleição à vice-presidência é, em boa parte, atribuída às gafes cometidas durante a campanha. A começar pelo esvaziamento de seu discurso moralista, já que no meio da corrida presidencial sua filha de 17 anos admitiu estar grávida do namorado.
Bem que Sarah tentou consertar a situação, e quase obrigou os dois a se casarem para melhorar a imagem da família. Nessa época, ela passou a frequentar programas de humor na TV, como o Saturday Night Live (onde a atriz Tina Fey ganhou fama pela hilária interpretação da candidata), mas não deu muito certo.
Já perto do fim da campanha, surgiram fotos em que Sarah aparece de biquíni segurando um fuzil. Definitivamente, não pegou bem.
Guarda-roupa de R$ 268 mil na TV choca
Mais tarde, Sarah ainda chocou o país quando revelou seu guarda-roupa durante o programa reality show de que fez parte, mostrando sua vida no Alasca.
Em meio à grande crise financeira que abalou os EUA a partir de 2008, soube-se que seu closet estaria avaliado em cerca de o equivalente a R$ 268 mil (US$ 150 mil).
Em 2009, Sarah ainda lançou um livro em que tenta minimizar suas gafes e explicar sua trajetória política. Em Going Rogue (Alçando Voo, em tradução livre), ela descreve, por exemplo, como começou a carreira política por causa de um anúncio de jornal que pedia mais candidatos para a Prefeitura de Wasilla.
E-mails da ex-governadora caem nas mãos da imprensa
Agora, apesar de estar cada vez mais perto de selar sua candidatura para um voo solo nas eleições de 2012, Sarah se vê novamente ameaçada pela própria língua – ou, deveríamos dizer, dedos?
Nesta sexta-feira (10), foram divulgados cerca de 24 mil páginas de seus e-mails do período em que era governadora do Alasca, podendo revelar obstáculos para seus planos na Presidência.
A imprensa americana e mundial está em polvorosa para triar tamanha quantidade de informações. Até o momento, sabe-se que a decisão de divulgar as mensagens veio após pedidos para a liberação de dados públicos, movimento que ganha cada vez mais força nos EUA.
* matéria publicada originalmente no Portal R7

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