O'RELLY?!

Conheça a controvertida figura de Sarah Palin

Publicado em Política por Caiopro em 16/06/2011

Republicana é musa do ultraconservador Tea Party, e também colecionadora de gafes

Palin-R7

Sarah Palin discursa para eleitores no Estado da Virgínia Ocidental; ex-governadora pode se candidatar à Presidência dos EUA

A ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, é atualmente uma das figuras mais polêmicas da política americana. Considerada a “musa dos conservadores” americanos, e descrita por ela mesma como uma “mamãe do hóquei”, seu estilo desbocado e crítico ao governo Barack Obama conseguiu conquistar boa parte do eleitorado tradicional do Partido Republicano.

Mesmo com um histórico de gafes, Sarah é uma das possíveis candidatas para as eleições presidenciais de 2012.

A americana está acostumada a grandes saltos na carreira. Dona de uma trajetória meteórica, a mãezona de 46 anos e cinco filhos pulou da Prefeitura de Wasilla, uma cidadezinha de 7 mil habitantes no Alasca, diretamente para o cargo de governadora.

Em menos de dois anos ela ainda seria a candidata a vice-presidente da chapa do veterano de guerra John McCain, derrotado por Barack Obama em 2008.

Sarah Palin surgiu como um nome completamente desconhecido na corrida presidencial, em uma manobra vista como desleal pelos críticos do Partido Republicano. A ideia seria trazer uma mulher para a candidatura de McCain para competir com a “novidade” de Obama, o primeiro candidato negro à Presidência na história do país.

Mas, até o final da campanha, Sarah já havia se tornado um dos rostos mais reconhecidos dos Estados Unidos, inclusive atraindo mais holofotes e seguidores do que o próprio McCain.

Após a derrota nas eleições de 2008 ela renunciou ao cargo de governadora, faltando quase dois anos para o fim do mandato, e seguiu uma trajetória pouco comum para uma figura da política: estrelou um reality show (Sarah Palin’s Alasca, em que revela a intimidade de sua família), se tornou âncora de um programa de TV da rede conservadora Fox News e é hoje a musa do movimento ultraconservador Tea Party.

Esforços de Sarah conquistou conservadores, mas rendeu gafes

Bonita, Sarah vendeu a sua imagem de mulher de um jeito simples e interiorano, mãe de família, defensora de valores religiosos e da não-intervenção do Estado na economia.

Para analistas, ela é tudo que o eleitor médio do interior dos EUA quer. Mesmo assim, a derrota na eleição à vice-presidência é, em boa parte, atribuída às gafes cometidas durante a campanha. A começar pelo esvaziamento de seu discurso moralista, já que no meio da corrida presidencial sua filha de 17 anos admitiu estar grávida do namorado.

Bem que Sarah tentou consertar a situação, e quase obrigou os dois a se casarem para melhorar a imagem da família. Nessa época, ela passou a  frequentar programas de humor na TV, como o Saturday Night Live (onde a atriz Tina Fey ganhou fama pela hilária interpretação da candidata), mas não deu muito certo.

Já perto do fim da campanha, surgiram fotos em que Sarah aparece de biquíni segurando um fuzil. Definitivamente, não pegou bem.

Guarda-roupa de R$ 268 mil na TV choca

Mais tarde, Sarah ainda chocou o país quando revelou seu guarda-roupa durante o programa reality show de que fez parte, mostrando sua vida no Alasca.

Em meio à grande crise financeira que abalou os EUA a partir de 2008, soube-se que seu closet estaria avaliado em cerca de o equivalente a R$ 268 mil (US$ 150 mil).

Em 2009, Sarah ainda lançou um livro em que tenta minimizar suas gafes e explicar sua trajetória política. Em Going Rogue (Alçando Voo, em tradução livre), ela descreve, por exemplo, como começou a carreira política por causa de um anúncio de jornal que pedia mais candidatos para a Prefeitura de Wasilla.

E-mails da ex-governadora caem nas mãos da imprensa

Agora, apesar de estar cada vez mais perto de selar sua candidatura para um voo solo nas eleições de 2012, Sarah se vê novamente ameaçada pela própria língua – ou, deveríamos dizer, dedos?

Nesta sexta-feira (10), foram divulgados cerca de 24 mil páginas de seus e-mails do período em que era governadora do Alasca, podendo revelar obstáculos para seus planos na Presidência.

A imprensa americana e mundial está em polvorosa para triar tamanha quantidade de informações. Até o momento, sabe-se que a decisão de divulgar as mensagens veio após pedidos para a liberação de dados públicos, movimento que ganha cada vez mais força nos EUA.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Deputado dos EUA cai em desgraça após enviar fotos eróticas pela internet

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 16/06/2011

Anthony Weiner decide renunciar após mostrar peito sarado e as partes íntimas na rede

Após se exibir na internet, deputado se enrolou nas explicações e deve apresentar renúncia

Pressionado pelo Congresso e pela Casa Branca, o congressista americano Anthony Weiner vai apresentar sua renúncia nesta quinta-feira (16), duas semanas após a divulgação de fotos e mensagens de cunho sexual que admitiu ter enviado a várias mulheres.

Segundo o jornal New York Times e a emissora CNN, o representante nova-iorquino comunicou a seus amigos mais próximos a decisão de abandonar seu assento na Câmara de Representantes dos Estados Unidos.

O anúncio está previsto para o mesmo dia em que os líderes democratas no Congresso planejavam reunir-se para debater se tirariam Weiner de suas atribuições no Comitê de Comércio e Energia, um passo que afetaria sua credibilidade.

Weiner tomou a decisão após conversar com sua esposa, Huma Abedin, que retornou na quarta-feira a Washington de sua viagem pelo Oriente Médio junto à secretária de Estado, Hillary Clinton, da qual é assessora.

 Deputado cai em desgraça por fotos eróticas

O sonho de Anthony Weiner, deputado pelo Estado de Nova York, era ser o “homem do tempo” na televisão. No entanto, aos 46 anos, acabou ficando famoso por motivos que nada têm a ver com a meteorologia ou mesmo com suas funções políticas.

O parlamentar está no centro de um dos escândalos mais polêmicos (e engraçados) dos Estados Unidos nos últimos anos, após admitir ter enviado fotos de seu corpo, incluindo o peito sarado e o próprio pênis, para várias mulheres por meio de redes sociais.

Weiner começou a vida pública em 1991, como o vereador mais jovem da história de Nova York, até então. Ele se reelegeu sucessivas vezes para o cargo, mas em 1999 se tornou deputado.

Apesar de ser um político democrata em uma das cidades mais liberais do país, Weiner curiosamente adotou posturas conservadoras. Ele chegou obrigar adolescentes delinquentes a apagar murais de grafite e fez protestos contra a delegação palestina na ONU. Também obrigou judicialmente o YouTube a retirar do ar publicações em que terrorista Anwar al Awlaki incitava a “guerra santa” contra o Ocidente.

Tudo corria muito bem na trajetória política de Weiner, que vinha sendo considerado um dos favoritos para as próximas eleições à Prefeitura de Nova York. Mas o deputado pôs tudo a perder em um clique. Em maio de 2011, Weiner enviou fotos sem camisa e de seu próprio pênis a uma seguidora no Twitter. Rapidamente a fotografia foi divulgada pela imprensa. O desastre estava feito.

Weiner se enrolou nas explicações

No início, Weiner até tentou negar o fato, alegando que tudo não se passava de uma piada de mau gosto com seu sobrenome. Weiner, em inglês, é uma palavra bastante semelhante a uma expressão chula para salsicha (wiener).

Mas, como o próprio Weiner admitiu mais tarde, “mentir só levou a mais mentiras e perguntas mais difíceis”. Ele admitiu o ocorrido na última quinta-feira (9), com o surgimento de novas fotos de seu dito-cujo, e disse que manteve relações virtuais com pelo menos seis mulheres nos últimos anos.

Casado com a assessora de Hillary Clinton, Huma Abedin, o deputado tem fama de pegador. Certa vez o jornal nova-iorquino New York Daily News chegou até a publicar uma galeria intitulada “As mulheres de Weiner”.

Após o escândalo, já circulam piadas de que o histórico mulherengo de Weiner seria uma das razões pelas quais ele propôs, no Congresso americano, facilitar a obtenção de vistos de trabalho para modelos estrangeiras.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Socialistas, anarquistas

Publicado em Comentando, Política por Caiopro em 15/06/2011

Surgidos de um mesmo caldeirão político, econômico e social de desamparo aos trabalhadores e exploração dos meios de produção pela classe burguesa, os anarquistas e socialistas do início do século XX diziam procurar um mesmo ideal de igualdade social e destruição do modelo estatal burguês. No entanto, as eleições de parlamentares dos partidos socialistas italianos colocou a primeira impressão de que havia uma afinidade de ideias em rota de colisão.

Decepcionados pela postura dos socialistas-reformistas, que queriam mudar o Estado “de dentro pra fora” através de eleições por um sistema democrático, pensadores anarquistas como Errico Malatesta e os redatores do folhetim Umanitá Nova passaram a advogar a violência e o terrorismo social para fazer cumprir sua própria agenda revolucionária.

Sob o argumento de que a sociedade burguesa se mantém no poder por meio da violência (física, econômica, moral, etc.), eles passaram a defender que o modelo estatal da sociedade burguesa só cairia com uma revolução armada; com atentados e conflitos violentos contra as autoridades. Eles deveriam fomentar um terreno de insatisfação, tornando ainda mais aguda a luta de classes.

E contra a retórica dos democratas, que buscavam reformas sociais através de medidas como o aumento de impostos, ou pela “conquista dos poderes públicos” e medidas centralizadoras, que acusa em um artigo no folhetim La Agitazione, Malatesta e muitos de seus partidários argumentaram que foram os próprios socialistas que advogaram uma luta armada para se eleger. Depois eles acusaram o povo de “não estar preparado para a revolução”, mas os anarquistas não iriam esperar as massas se tornarem anarquistas para instalar a anarquia – a revolução viria de qualquer forma e por quaisquer meios.

É que a questão ideológica entre os dois grupos tem um problema fundamental: Para os anarquistas dos anos 1920 a conquista do Estado deveria acontecer unicamente para varrer da face da Terra a existência da autoridade, e colocar a sociedade novamente nas mãos das camadas mais populares, não para fortalecer o que eles consideravam como a tirania de um partido, nem mesmo um socialista.

Para os anarquistas, qualquer forma de governo é invariavelmente burguesa, opressora e limitadora das liberdades individuais. Não acabaria com a diferença de classes, apenas inverteria a ordem das coisas. A ditadura do proletariado nunca deixaria de ser uma ditadura.

Portanto é estrutural a discordância entre as duas partes: se para os socialistas o Estado deve continuar e se tornar mais forte e presente na vida da população, para os anarquistas o ponto fundamental é justamente a abolição da ordem que esteja sob comando de qualquer liderança política ou econômica.

O caminho utópico dos anarquistas italianos sugere que a inexistência de um governo irá pôr os trabalhadores em uma posição de necessidade para criar associações conjuntas para resolver seus problemas e reivindicações sem a interferência de um poder estatal. Criará uma nova ordem mundial de cooperativas e liberdades e verdadeira igualdade social, e não o fortalecimento nem de um único partido, nem de leis, nem de autoridade.

* este texto é um relatório para a aula de Ciência Política, do professor da Cásper Líbero, Cláudio Arantes

O WikiLeaks e a tirada do ano

Publicado em Comentando, Mundo, Política por Caiopro em 02/06/2011

     O obituário de Julian Assange, fundador, editor-chefe e principal porta-voz do site Wikileaks, poderia se utilizar de uma piada do Saturday Night Live, mas a história do australiano Assange e dos documentos sigilosos revelados pelo site é bem séria. O Wikileaks leva o jornalismo e a comunidade internacional a questionamentos importantes sobre privacidade, direito a liberdade de expressão (e de imprensa) e, principalmente, a possibilidade de enxergar por trás das máscaras de governos que não nos contam tudo o que deveríamos saber.

Em dezembro de 2010, pouco antes da prisão de Julian Assange no Reino Unido, onde agora aguarda recurso quanto à sua extradição para a Suécia pelo envolvimento em um nebuloso escândalo sexual, o comediante americano Bill Hader acertou na mosca. Em uma imitação de Assange e também de Mark Zuckerberg, o jovem criador do Facebook (empresa cuja história ganhou um Oscar pelo filme A Rede Social), o esquete de Hader ironiza a eleição de Zuckerberg como “Homem do Ano” pela revista Time. “O Facebook ganha dinheiro para revelar suas informações que podem ser usadas por governos, eu [Assange] revelo informações secretas dos governos de graça para serem usadas por você e ele é o homem do ano” dispara Hader, em uma impressão da voz cavernosa que já é característica para a supercelebridade Julian Assange.

Hoje amarrado a uma tornozeleira eletrônica que vigia cada passo seu, Assange mal começou a batalha judicial contra, particularmente, o governo dos Estados Unidos – seu principal alvo. Desde 2006 o Wikileaks revela documentos secretos de diversos países, em especial dos EUA,para o acesso de qualquer pessoa em qualquer parte do mundo pela internet. Quem não enxerga o tamanho da virada de mesa que isso representa pode dizer que se preocupa com a privacidade do restante da população. Se é tão fácil conseguir, por meio de uma extensa rede de informantes ao redor do globo, informações sigilosas do governo mais poderoso do mundo, quem garante que as nossas próprias informações secretas e privadas também não estão sendo utilizadas arbitrariamente por alguém? Pois bem, pequeno gafanhoto, certamente estas nossas informações estão, sim, sendo usadas por alguém. E podemos colocar nessa lista os governos de nossos próprios países e também ‘hackers’ como os informantes do Wikileaks.

A diferença é que, no caso do Wikileaks, a internet agora rompe uma fronteira e tanto. Podemos vislumbrar os verdadeiros fatos por trás de diferentes acontecimentos da história, em suas versões mais oficiais, sem ter o devido credenciamento. Pode ser uma aposta perigosa, mas é uma aposta e representa um bastião da liberdade de imprensa atualmente.

Quando o Wikileaks divulgou centenas de milhares de telegramas secretos das embaixadas americanas em mais de cem países, revelou-se também a verdadeira face da diplomacia americana, da qual já se suspeitava mas não podia ser obter evidências. Os telegramas revelam, por exemplo, a verdadeira opinião das Relações Exteriores dos EUA quanto a Equador (um país onde a corrupção policial é sabida e incentivada pelo presidente Rafael Correa, na visão da embaixadora americana em Quito). Em outro caso mais recente, os arquivos secretos de todos os presos de Guantánamo também mostraram o que muitos já suspeitavam: dezenas foram presos injustamente. Agora é tudo oficial, e não versão da mídia.

E esse é o ponto principal da polêmica Wikileaks. Será que a imprensa precisava mesmo do site? É certo que, nestes cinco anos de existência, com certeza absoluta Assange e seus informantes já tiveram mais furos jornalísticos importantes que em mais de duas décadas de jornalismo internacional. Dão aula e suas revelações também trazem de volta o interesse da sociedade para os jornais impressos. Entre os beneficiados desse jogo, estão os cinco grandes parceiros do site: os jornais The New York Times (EUA), The Guardian (Reino Unido), El País (Espanha), Le Monde (França) e Der Spiegel (Alemanha).

Daí há de se questionar por quê Assange e Bradley Manning são os únicos a serem presos nessa história. Manning é o informante que revelou ao Wikileaks vídeos de helicópteros americanos abrindo fogo arbitrariamente contra um grupo de pessoas no Iraque. No ataque, crianças e dois jornalistas da Reuters morreram. O caso ficou conhecido como Collateral Damage (“dano colateral”, em alusão às declarações de generais americanos sobre a morte de civis durante a Guerra do Iraque). Como era um oficial das Forças Armadas, Manning está sendo julgado por traição em uma corte marcial americana, e pode ser executado.

Se o processo de extradição de Assange avançar e ele for mesmo condenado na Suécia, pode ser este seu destino também. Inclusive o Senado americano já estuda esta proposta, com o senador Joe Lieberman sendo um dos principais defensores da pena capital para o australiano, segundo ele um “traidor que põe a segurança nacional em risco”.

Fica difícil entender como é que um australiano, preso em Londres por determinação de uma corte sueca, pode ser um traidor dos EUA mais do que o editor-chefe do The New York Times, que publicou as matérias, ou mais do que o importante jornal The Washington Post, que segundo o Wikileaks, teve acesso ao vídeo dos helicópteros no Iraque mas se manteve calado durante dois anos.

De fato a única acusação que faz sentido contra Assange é a de que ele organiza uma agenda política própria para a divulgação de cada um destes casos. Segundo seus críticos, o Wikileaks serve apenas como um instrumento contra o poder dos EUA no mundo. Faz sentido.

Mas o Wikileaks é, mais do que tudo isso, uma dura crítica ao jornalismo praticado hoje. Foi preciso existir um site dedicado ao vazamento de documentos oficiais para que a mídia fosse finalmente atrás de casos tão importantes quanto a situação dos prisioneiros de Guantánamo, expostos a tortura que já foi admitida por autoridades americanas, ou das relações dúbias de embaixadas do país em todo o mundo.

Se realmente prenderem e matarem Julian Assange o mundo perderá um dos principais nomes desta primeira década de século 21. Perderá também a moral para exigir um jornalismo investigativo de qualidade.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.