Outros drops do SWU: Cavalera Conspiracy
Quando em 1997 o Sepultura se separou, em meio a palavrões e xingamentos via imprensa entre os irmãos Max e Iggor Cavalera, muita gente pensou que não duraria. Mas a birra não apenas durou mais de dez anos como deixou órfãos aqui no Brasil, sem que o sensacional Soulfly de Max sequer chegasse a pisar na terrinha. Afeito aos costumes estado-unidenses, ele preferiu ficar lá pela gringa mesmo.
Tanto que quando finalmente os dois voltaram a se falar e a tocar juntos, sob o alias Cavalera Conspiracy, demorou mais dois anos até que chegassem ao Brasil novamente. Pois quando chegou a hora, todo mundo pôde lembrar por que o Sepultura um dia foi a maior e melhor banda de heavy metal do mundo. Também deve ser por que ele é muito cosmopolita (ha.. ha.. ha..) que Max passou alguns minutos falando em inglês com o público, para só depois se lembrar que estava em São Paulo.
Os jungle boys tinham, afinal, um dos sujeitos mais comédias da história do metal como seu homem de frente. Quase que um caricatura de si mesmo, Max permanece inconfundível e podrão. No SWU, festival com pretensões ecochatas e organização pouco melhor do que os já batidos e tradicionais mega-shows do Morumbi, o Cavalera acabou roubando a cena do dia mais pesado.
Com canções (?!) do primeiríssimo álbum da nova banda, homônimo de 2008, em boa parte desconhecidas pelo público diversificado do último dia de festival, os Cavalera fizeram a felicidade de muitos desavisados – auxiliados por Mark Rizzo, guitarrista também do Soulfly. A assinatura dos irmãos é incontestável, inimitável e inapelável. Principalmente quando, de brinde, ainda há tempo para ressuscitar clássicos como “Refuse/Resist”, “Attitude”, “Roots” e “Troops of Doom”.
Para quem já viu muitas vezes o Sepultura com Derrick ao microfone, assistir Max empunhando negligentemente sua guitarra para chamar as rodas e trazer gritos uníssonos de palavrões impublicáveis é uma experiência surreal e quase nostálgica. E nostalgia só seria uma definição ruim não fosse o fato de Max continuar em grande forma, inclusive com uma canção nova (“Warlords”) e apresentando as musicas do Cavalera Conspiracy com seus respectivos apelidos dentro da banda (caso de “Hearts of Darkness”, que virou “Iron Maiden” por causa da pegada NWOBHM).
Foi assim que, no sapatinho, os Cavalera voltaram ao topo. Na humildade, sem muito alarde, tocando após Yo La Tengo (WTF?!) e abrindo para o péssimo Avenged Sevenfold. Só viu quem chegou cedo e quem viu lembra bem de um dos melhores shows do ano.


Caio, acabei de descobrir teu blog. Dei uma lida em vários posts e curti muito. Parabéns pelo trabalho. :)
Um abraço.