Queens of the Stone Age @ SWU
Muitos foram os jêneos que descobriram que o SWU não era um festival ecológico de verdade. Parabéns pra você que acreditou na ladainha de zerar o impacto ambiental de mais de 150 mil pessoas no interior paulista, que no último dia sediou o show da banda mais importante de rock nesta virada de milênio.
Pouco me importa isso tudo: eu fui um dos que não colocou fé na publicidade e no caos de Rage Against the Machine e Los Hermanos num mesmo dia. Ecochatos, unidos, jamais sairão da fazenda Maeda. Só compareci ao último dia do festival para prestigiar um dos últimos gênios do rock’n’roll, em parte pela dor no coração que me causava a idéia de perder um dos shows pelo qual mais aguardei nos últimos anos.
Josh Homme é o cara que em pouco mais de uma década deu o gás que faltava ao rock americano, ofuscado pela onda do revival sem graça capitaneado pela Grã-Bretanha. As nuances sonoras do Queens of the Stone Age fizeram a vida sonora de minha trilha desde Rated R.
Como as miragens que se formam sobre o asfalto quente do deserto californiano, o QOTSA fez um show embriagante no último dia de SWU. Após o incômodo atraso de mais de uma hora para o início, sem precedentes no festival (um mérito e tanto no Brasil), Homme & amigos fizeram um show para agradar fãs de não tão longa data quanto eu – catando de carona a molecada que foi ver Linkin Park mais tarde e os indies marmanjões que foram chorar assistindo ao Pixies.
Curto, com meia hora a menos do que o programado, a banda tocou poucos hits e muito dos dois últimos álbuns (Lullabies for Paralyze e o sensacional Era Vulgaris). Pouco para quem devia uma visita com quase 10 anos de espera e com o título de headliner moral.
Homme, empunhando uma coleção invejável de guitarras vintage e com os cabelos aparentando bem mais a idade do que em sua última passagem pelo Brasil (em 2001, no Rock in Rio em que o ex-parceiro e baixista da banda Nick Olivieri foi preso por tocar nú) não se intimidou pelo público gigantesco de cerca de 50 mil pessoas. Acostumado a encabeçar os grandes festivais de verão europeus, fumou e guardou seus cigarros acesos nas cordas da guitarra ao maior estilo Keith Richards.
Nem por isso faltou fôlego nas canções mais novas como “In My Head”, “3s and 7s” e “Sick, Sick, Sick”. Também sobrou espaço para as já clássicas “No One Knows” (penúltima), “The Lost Art of Keeping a Secret” e “Feel the Good Hit of the Summer” (a edificante abertura). Mesmo assim, começou morno e foi ganhando força conforme o público ajudou a criar a sensação mais comum dos grandes shows: quando todo mundo pula junto e o chão vira canelas alheias. Não teve tempo, no entanto, para outras bastante aguardadas por parte do público como “Avon” ou “Regular John”, do primeiro disco (homônimo).
Valeu também pela simpatia de Homme, sempre com um certo senso de humor ao anunciar as canções do setlist: deixando fluir a noite em “Go with the Flow” e duvidando se alguém conhecia “No One Knows” (que bate cartão em qualquer noitada roqueira).
E se você ficou com a pulga atrás da orelha para entender que diabos foi aquilo, o Multishow exibiu na íntegra e dá pra baixar aqui.

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