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Putin será derrubado pela Primavera Árabe, prevê presidente da Geórgia

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 03/02/2012

Rival critica apoio à Síria e diz que Rússia segue o mesmo caminho de ditadores islâmicos

Presidente da Geórgia, Mikhail Saakhashvili fez duras críticas ao primeiro-ministro russo Vladimir Putin. Segundo ele, Putin segue o mesmo caminho de ditadores árabes como Hosni Mubarak, do Egito, e Muammar Gaddafi, da Líbia

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, segue o mesmo caminho dos ditadores derrubados durante a Primavera Árabe, disse o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, em uma entrevista exclusiva publicada nesta sexta-feira (3) pela revista especializada em assuntos internacionais Foreign Policy.

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Putin faz aniversário de olho em mais 12 anos no poder

Na entrevista, Saakashvili criticou o governo russo pela dura repressão aos protestos que acusam o Kremlin de manipular as eleições legislativas de dezembro no país. Centenas de pessoas foram presas em Moscou e São Petersburgo, as duas maiores cidades russas, nos dias que sucederam o pleito, após protestos contra o resultado das urnas que novamente deram uma maioria do Parlamento ao partido de Putin, o Rússia Unida.

- Você precisa ouvir o que o próprio governo russo diz: “nós não somos a Líbia, nós não somos o Egito, a Rússia não vai seguir por esse caminho”. Eu já ouvi isso de outros líderes antes. Ouvi de dirigentes soviéticos, por exemplo. Mas a partir do momento em que você é obrigado a dizer essas coisas, isso se torna uma profecia em si mesma, e é aí que você começa a fazer certas coisas e proibir outras, o que é exatamente o tipo de atitude que leva a este caminho [da queda de um regime].

Segundo o presidente georgiano, cujo governo travou uma guerra de cinco dias contra a Rússia pelo controle de territórios estratégicos no sul do país vizinho, o governo russo está promovendo, sem saber, o início de um movimento de oposição similar ao que ocorreu em boa parte do mundo islâmico no ano passado.

Rússia será tomada por uma ‘Primavera Árabe’, diz presidente

Saakashvili também criticou o apoio russo ao regime do presidente Bashar al Assad na Síria. A Rússia, que é um dos principais fornecedores de armas ao país árabe, já adiantou ao Conselho de Segurança da ONU que irá vetar qualquer proposta de intervenção na Síria, onde ao menos 5.000 pessoas já morreram por causa da repressão aos protestos contra o Assad.

- A Síria é um símbolo. O governo russo pena que, se a Síria cair, esse será o último bastião antes de Moscou. Isso [se negar a interferir] é exatamente o tipo de atitude que vai trazer os problemas para mais perto de Moscou. Eles não estão ajudando em nada a Síria, mas certamente vai causar muitos problemas para a Rússia.

Segundo a Foreign Policy, minutos antes da entrevista, Saakashvili também alertou para o contraste entre as reações de Turquia e Rússia frente às revoltas na Síria, durante uma palestra no Instituto dos Estados Unidos Para a Paz, em Washington.

- De um lado, a Federação Russa reage à Primavera Árabe com pânico e revolta. Do outro, a Turquia se afirma no papel de modelo para nações pós-revolução. Vladimir Putin quer impedir o progresso da história, enquanto [o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip] Erdogan se esforça para abraçar as revoluções. Não é coincidência que a Rússia venha perdendo influência, enquanto a liderança da Turquia cresce a cada dia na região.

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“Putin nunca foi embora”

Em entrevista à Foreign Policy, o presidente georgiano Mikhail Saakashvili também fez comentários sobre o possível retorno de Vladimir Putin à presidência da Rússia. Segundo ele, se Putin realmente voltar ao cargo (que ele já ocupou entre 2000 e 2008), seu mandato será marcado por uma oposição bem mais forte do que a enfrentada pelo atual presidente, Dmitri Medvedev.

- A classe média de Moscou sabe que, na verdade, Putin nunca foi embora. A questão não é o retorno de Putin à presidência, é o que ele disse para justificar sua candidatura. Ele disse que vai voltar porque “precisa parar qualquer tentativa de reformas”. Foi isso o que a classe média russa ouviu.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Newt Gingrich promete construir base espacial lunar até 2020, caso seja eleito

Publicado em 4:20, Mundo, Política por Caiopro em 27/01/2012

Candidato quer chegar antes dos chineses, mas é ridicularizado por rivais em debate

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Candidato republicano, Gingrich discursa durante debate presidencial na Flórida. Ele promete construir uma base espacial na Lua até 2020, caso seja eleito

O pré-candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Newt Gingrich, prometeu nesta quinta-feira (26) que, se eleito, irá construir uma base espacial americana na Lua até o fim de um hipotético segundo mandato.

Gingrich defendeu sua proposta para reativar o lançamento de espaçonaves americanas durante o debate presidencial desta quinta-feira na Flórida, um dos principais pontos de lançamento de foguetes no país. O republicano, que foi ridicularizado por seus concorrentes, promete que, se for eleito, irá investir em voos comerciais para o espaço, missões de explorações para Marte e na construção de uma base na Lua até 2020.

Antes, Gingrich já havia anunciado seu plano grandioso para uma plateia de trabalhadores demitidos de Cabo Canaveral na quarta-feira (25), na Flórida, de onde a Nasa (agência espacial americana) lançava boa parte de seus satélites e ônibus espaciais.

No debate, Gingrich se aprofundou sobre o tema. Segundo ele, a ideia não é “colonizar a Lua”, mas sim manter uma base permanente e evitar que os chineses “cheguem lá primeiro”.

- Eu não quero colonizar a Lua. O custo disso seria de bilhões, senão trilhões [de dólares]. O que eu quero é um americano na Lua antes que os chineses cheguem lá primeiro.

De acordo com o candidato, o plano é incentivar a participação do setor privado para impulsionar a pesquisa espacial, inclusive criando voos turísticos para o espaço. Ele comparou o investimento que faria aos esforços para impulsionar o setor aeroviário durante os anos 1930, e defendeu que o empreendimento não seria um ônus para o país.

- Investimentos estatais e privados não são necessariamente incompatíveis. Muitos dos avanços na aviação aconteceram por causa de prêmios. Eu gostaria de ver muito mais dinheiro que é investido no setor privado servindo para encorajar novas descobertas. Se nós tivéssemos uma série de objetivos e nos preparássemos para oferecer prêmios para quem atingi-los, temos todas as razões do mundo para acreditar que temos pessoas nesse país e no resto do mundo que colocariam uma enorme quantia de dinheiro e fariam a região [de lançamentos de foguetes] borbulhar com oportunidades.

Rivais zombam de proposta espacial

Os planos de Gingrich foram duramente criticados por seus rivais durante o debate na Flórida. O favorito da campanha republicana, Mitt Romney, defendeu que o setor privado não deve participar do programa espacial americano. No entanto, ele tropeçou ao mencionar que iria demitir pessoas, num momento em que o desemprego nos EUA continua a níveis alarmantes.

- Fui empresário durante 25 anos, e se um executivo da minha empresa chegasse comigo e dissesse que quer investir alguns bilhões de dólares para colocar uma colônia na Lua, eu diria: “você está demitido!”.

Já o congressista do Texas, Ron Paul, afirmou que o país “não precisa de um programa espacial maior” e que “a saúde e outras coisas merecem muito mais prioridade do que ir até a Lua”.

- Eu não acho que nós precisamos ir à Lua. Acho que talvez nós devêssemos mandar alguns políticos para lá às vezes.

De acordo com o jornal americano The New York Times, o fascínio de Newt Gingrich pela Lua data de bem antes de sua campanha para receber a indicação do Partido Republicano à presidência. Em seu romance de ficção científica Renew America (Renovando os EUA, em tradução livre), de 1995, Gingrich fez uma previsão de que “luas de mel na Lua serão moda em 2020″.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Filha adolescente de Hugo Chávez causa controvérsia por fotografia na internet

Publicado em Mundo por Caiopro em 26/01/2012

Rosinés Chávez, de 14 anos, enfureceu venezuelanos após foto cheia de dólares

Rosinés Chávez dólares

Filha adolescente de Hugo Chávez exibe dólares no Instagram, despertando a ira de internautas venezuelanos

A filha do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está causando controvérsia entre os internautas do país, após postar uma foto em que aparece segurando uma pequena fortuna em dólares nas redes sociais.

Na foto, Rosinés Chávez, de 14 anos, esconde parte do rosto atrás de várias cédulas de dólar. Ela compartilhou o arquivo através da rede social Instagram, um aplicativo disponível apenas para celulares iPhone e computadores Apple, e também em sua página no Twitter.

Segundo o jornal The Guardian, a polêmica está no fato de que, desde 2003, o governo venezuelano vem limitando a circulação de moeda estrangeira no país e forçando os cidadãos a utilizar a agência de câmbio oficial.

Usuários como Gerar Ortega postaram comentários indignados no site do jornal venezuelano Diario Maracaibo.

- O que me irrita é o deboche dela, já que nós temos que implorar a Cadvi [agência de câmbio do governo] e aos bancos para receber dólares.

Outros internautas aproveitaram para protestar em tom de zombaria, postando fotos similares a de Rosinés no Instagram, segurando alimentos escassos no país ao invés de dinheiro.

Esta não é a primeira vez que a filha adolescente de Chávez ganha manchetes da imprensa internacional. Em 2011, ela causou controvérsia após postar uma foto ao lado do cantor pop canadense Justin Bieber.

Além disso, a descrição da conta de Rosinés no Twitter não esconde que ela é uma fã do cantor teen. “Eu [coração] Bieber”, diz a biografia da filha de Chávez, acrescentando que ela é, de fato, a “filha do comandante”.

Segundo o portal de notícias americano The Huffington Post, a filha de Chávez também já recebeu críticas por exibir um estilo de vida cheio de luxo em sua página no Instagram.

Mas, além de causar controvérsia, Rosinés também usa o Twitter para, de vez em quando, mostrar apoio ao governo de seu pai. Recentemente, a adolescente tuitou em espanhol que “#VocêNãoPrecisaSerInteligente para saber que meu papai vai vencer as eleições de novo”.

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Usuário do Twitter debocha da fotografia de Rosinés Chávez, substituindo dólares por alimentos que frequentemente enfrentam períodos de escassez na Venezuela

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Egito comemora um ano de revolução, mas futuro segue um mistério

Publicado em Mundo por Caiopro em 25/01/2012

População questiona militares, enquanto Ocidente desconfia de lideranças islâmicas

De cara pintada, manifestante se une às comemorações pelo primeiro aniversário da revolução de 2011 no Egito. A população se reúne nesta quarta-feira (25) na emblemática praça Tahrir, no centro do Cairo, para marcar o fim da ditadura de Hosni Mubarak e exigir mais reformas no país

Os egípcios lembrarão 2011 como um ano de revoltas populares e mudanças radicais no poder. Nesta quarta-feira (25), o Egito comemora um ano do início da revolução que mudou os rumos do país. Em fevereiro, após 18 dias de protestos que lotaram a emblemática praça Tahrir (“liberdade”, em árabe), no centro do Cairo, os manifestantes finalmente conseguiram derrubar o ditador Hosni Mubarak. Ele estava no poder havia 29 anos.

Relembre os protestos que derrubaram Mubarak

Inspirados pela Revolução Jasmin (que, em janeiro, expulsou o ditador Ben Ali do poder na Tunísia), jovens de todas as classes sociais iniciaram uma série de protestos que dividiram o país: de um lado a oposição, endossada em peso por movimentos islâmicos como o partido da Irmandade Muçulmana e por parte das Forças Armadas. Do outro, polícia e partidários de Mubarak que, montados em camelos, formaram uma praça de guerra no centro do Cairo, em imagens que rodaram o mundo.

Mais de 6.000 pessoas ficaram feridas e 846 morreram nas tentativas desesperadas de interromper os protestos. As táticas do governo incluíram até o corte de telefone, internet e mensagens de texto no país, mas não conseguiram impedir que cada vez mais pessoas se reunissem na praça para pedir liberdade.

Lembrado por analistas como o “ditador favorito do Ocidente”, por ter sido um dos poucos governantes árabes com posições alinhadas às políticas de Estados Unidos e Israel, Mubarak acabou exilado em sua mansão no balneário de Sharm el Sheikh, enquanto uma Junta Militar assumia o poder.

No entanto, o fim da revolução ainda parece distante para os egípcios.

Meses depois da revolução, o cenário do país ainda é de impasse. Nem o governo se livrou dos antigos aliados do ditador, nem a população parece ter se esquecido disso – como ficou provado nos cinco dias de violência que antecederam as primeiras eleições parlamentares do país após o governo Mubarak. Por isso, a população ainda vê com desconfiança o novo premiê, Kalam Ganzouri, um ex-aliado e ex-chefe de governo do ditador, e o marechal Mohamed Hussein Tantawi, de 79 anos, comandante das Forças Armadas e escolhido como condutor da transição política.

MAIS: Mulheres protestam contra a violência dos militares

Além disso, muitos países ocidentais continuam de olhos abertos para uma possível radicalização do país, onde as urnas elegeram a Irmandade Muçulmana (partido proibido nos tempos de Mubarak) para mais de dois terços das cadeiras do Parlamento – o equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil. Embora os políticos do partido neguem a intenção de instalar uma lei islâmica no país ou mudar sua relação com o Ocidente, os atos de violência de alguns manifestantes (como os que vandalizaram a embaixada israelense no Cairo) continuam a inspirar preocupação em governos não tão simpáticos aos olhos da população árabe.

As tensões religiosas, controladas nos tempos de Mubarak, também são uma questão delicada para o futuro do país, principalmente após uma série de ataques contra minorias como os cristãos coptas egípcios. Eles constituem cerca de 10% da população, mas até agora parecem ter ficado de fora do novo cenário político do país, dominado pelos partidos islâmicos.

Por isso, o momento é de decisão, e os novos deputados egípcios já se preparam para reescrever a Constituição do país. As eleições para presidente também se aproximam, e devem ser realizadas em junho. Mas também falta o país lidar com seu ex-ditador, Mubarak, que enfrenta um longo julgamento e apresenta péssimas condições de saúde em cima de uma maca.

A revolução egípcia de 2011 foi apenas a segunda revolta do ano passado, mas talvez seja lembrado como a mais importante delas. Por causa do Egito, que ocupa uma posição de liderança na região e inclusive abriga a sede da Liga Árabe, a população de outros países islâmicos como a Líbia e a Síria acreditou que é possível expulsar velhos tiranos.

Também foi o Egito que mostrou a força das redes sociais, reunindo milhares de pessoas contra o regime por causa de simples mensagens de texto e páginas no Facebook – táticas de protesto que foram reproduzidas tanto em outros movimentos da Primavera Árabe quanto na onda de protestos contra o sistema financeiro que tomou conta dos Estados Unidos e Europa.

Para entender melhor a crise no Egito, confira algumas das matérias especiais do R7 sobre o assunto:

FOTONOVELA: Grito de Liberdade – A revolta no mundo árabe

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Brasileiro relata momentos de pânico a bordo de voo turbulento para Miami

Publicado em Mundo por Caiopro em 23/01/2012

Três funcionários ficaram feridos após serem arremessados contra o teto da aeronave

Gillas

Brasileiro radicado em Los Angeles, nos EUA, Gillas Correa relatou momentos de "pânico" a bordo do voo turbulento entre Recife e Miami

Um passageiro do voo 980 da American Airlines, que deixou feridos em uma viagem turbulenta entre Recife e Miami neste domingo (22), relatou ao R7 os momentos de “pandemônio total” na aeronave. Segundo o diretor de arte Gillas Correa, de 44 anos, o avião “literalmente despencou do céu”, jogando passageiros contra o teto e ferindo comissários de bordo que estavam de pé.

MAIS: Turbulência deixa três feridos em voo de Recife para Miami

Três funcionários da American Airlines ficaram feridos no voo, segundo a companhia aérea, que informou que os comissários de bordo foram levados para hospitais de Miami, no sudeste dos Estados Unidos. Durante o trajeto, o avião passou por uma zona de grande turbulência que, segundo o passageiro, arremessou as pessoas contra o teto da aeronave.

De acordo com Correa, os problemas começaram cerca de duas horas após o avião ter partido de Recife (por volta das 13h, pelo horário local). Segundo ele, o avião entrou em uma zona de turbulência que o fez “despencar mais de mil metros” em poucos instantes.

- Em minha opinião, isso foi uma barbeiragem do piloto. Eu acredito que o avião estava no piloto automático, ninguém estava prestando atenção, e de repente eles tentaram desviar [da zona de turbulência]. Houve uma turbulência violenta e o avião começou a embicar para baixo. Quando ele estabilizou, eu olhei para as informações do voo e o avião tinha descido mais de mil metros em relação à altura em que estava voando antes.

Segundo Correa, a turbulência foi tão forte que chegou a jogar passageiros contra o teto da aeronave.

- O povo todo foi parar no teto do avião. Quem tava com cinto, não bateu com a cabeça no teto, mas quem tava sem cinto, bateu a cabeça, bateu o corpo, bateu tudo… Tinha muita gente gritando, criança chorando, gente dizendo que ia morrer. Foi um pandemônio total.

Além disso, segundo o passageiro, um carrinho de comida de bordo pode ter ferido gravemente uma comissária durante a turbulência.

- Esse carrinho bateu no teto do avião, tanto que quebrou o teto e caiu em cima de uma das aeromoças. Ela voou, bateu no teto do avião, caiu no chão e o carrinho caiu em cima. O outro comissário voou, bateu no teto do avião, deu uma cambalhota e caiu no corredor.

Segundo Correa, um médico que estava a bordo e socorreu os funcionários disse que a aeromoça pode ter quebrado a pélvis ou um osso da coluna. Ele foi chamado até a cabine de piloto para discutir a possibilidade de um pouso de emergência, mas, junto do piloto, decidiu que não havia urgência e era melhor que o voo fosse direto para Miami.

Correa acrescentou que os comissários de bordo que não se feriram foram “extremamente cordiais, sempre muito atentos” e perguntando se alguém estava machucado. Os passageiros receberam a opção de ir até o hospital na chegada em Miami, mas segundo o brasileiro, a maioria decidiu continuar viagem normalmente.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

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Newt Gingrich se irrita com pergunta sobre “casamento aberto” em debate

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 23/01/2012

Newt Gingrich acusa imprensa de atacar republicanos para proteger Obama

Newt Gingrich

Ao lado da mulher, Callista, republicano Newt Gingrich acena para eleitores após vencer as primárias da Carolina do Sul. Sua ex-mulher o acusa de ter pedido um "casamento aberto" para ficar com sua esposa atual

O pré-candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos, Newt Gingrich, respondeu com dureza às acusações de sua ex-mulher em um debate realizado na última quinta-feira (19) na rede de TV CNN.

Gingrich demonstrou irritação ao responder às perguntas sobre as declarações de sua ex-mulher, Marianne, que o acusa de ter pedido um “casamento aberto” quando ela estava com câncer. O republicano acusou o moderador do debate, John King, de “proteger Obama e atacar os candidatos republicanos”.

A pergunta delicada foi a primeira questão do debate presidencial, o que enfureceu Gingrich. Dias antes, a ex-mulher de Gingrich havia dado uma entrevista ao canal ABC acusando Gingrich de largá-la por uma amante quando ela estava com câncer. Ela afirma que, antes de pedir o divórcio, Gingrich ainda pediu para que os dois tivessem um “casamento aberto”.

- Acho que natureza negativa, maldosa e destrutiva de boa parte da imprensa faz com que seja muito mais difícil governar esse país, mais difícil de atrair pessoas decentes para o cargo [de presidente]. Estou chocado que você tenha começado o debate com uma pergunta como essa.

O candidato voltou a negar as acusações, e acusou a CNN e outros órgãos da “mídia liberal” de ataques gratuitos contra os candidatos republicanos.

“Vou ser claro. A história é falsa. Cada amigo que tenho e nos conheceu nesse período disse que a história é falsa”, afirmou Gingrich, elevando o tom de voz nos minutos de abertura de um debate com os outros pré-candidatos republicanos.

- A mídia não se interessa por isso porque eles querem atacar qualquer republicano. Eles estão atacando o governador [de Massachussetts] Mitt Romney, estão atacando a mim. Aposto que vão atacar o senador Rick Santorum e o congressista Ron Paul também [dois outros candidatos]. Eu estou cansado da mídia liberal proteger o presidente Obama através de ataques aos candidatos republicanos.

O debate foi exibido às vésperas das primárias do partido no Estado da Carolina do Sul, onde Gingrich surpreendeu, ficando em primeiro lugar ao derrotar o favorito Mitt Romney. Ao fim de sua réplica, Gingrich foi ovacionado de pé pela plateia.
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Gingrich acusa CNN de “atacar republicanos para proteger Obama” por thevideos no Videolog.tv.

Vitória na Carolina do Sul

O ex-presidente da Câmara dos Representantes americana Newt Gingrich foi o vencedor da primária republicana do Estado da Carolina do Sul, realizada neste domingo (22). Ele derrotou o favorito na disputa, Mitt Romney, após conquistar 40% dos votos contra 28% obtidos pelo rival.

Romney segue na liderança nas pesquisas nacionais sobre quem deverá ser o candidato republicano que irá obter a indicação do partido para disputar a presidência dos Estados Unidos contra o presidente Barack Obama, em novembro deste ano.

Mas a vitória dá fôlego a Gingrich, especialmente pelo fato de que desde 1980 todo candidato que venceu uma primária na Carolina do Sul acabou depois conquistando a candidatura de seu partido.

Gingrich começou a ascender após ter passado a ser visto como o candidato mais identificado com a cada vez mais forte direita do Partido Republicano e o movimento Tea Party e como o conservador na disputa mais apto a derrotar Romney.

Entrevista

Em uma entrevista na qual detalha o desmoronamento de seu casamento, Marianne Gingrich afirmou que o ex-presidente da Câmara dos Representantes tentou chegar a um acordo matrimonial que lhe permitisse manter sua amante enquanto continuava casado.

A mulher afirmou que Gingrich admitiu sua relação de seis anos com sua assistente no Congresso, Callista Bisek – agora Callista Gingrich -, com a qual o pré-candidato republicano se casou depois que seu casamento anterior ruiu.

Marianne foi a segunda mulher de Gingrich, um dos pré-candidatos republicanos que se mantêm na corrida à presidência dos Estados Unidos – após a renúncia de Rick Perry, divulgada nesta quinta (19) – e que, enquanto foi presidente da Câmara na década de 1990, destacou-se como uma das figuras mais poderosas de Washington.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Republicanos já somam mais de R$ 30 milhões em apenas dez doações nos EUA

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 21/01/2012

Novas leis de financiamento beneficiam bancos e milionários, acusam críticos

Republicano Mitt Romney (esquerda) lidera as doações de campanha nessa fase de primárias do Partido Republicano. Já o presidente Obama tem apenas três aliados entre os 20 maiores doadores desta campanha eleitoral

As eleições de 2008 foram as mais caras da história dos Estados Unidos, com candidatos, partidos e fundos de campanha atingindo a marca de R$ 9,4 bilhões (US$ 5,3 bilhões), mas a corrida presidencial de 2012 já promete ultrapassar esse recorde. Isso porque, de acordo com a revista americana Mother Jones, um conjunto de novas leis de financiamento de campanha acaba de maximizar o poder dos doadores no processo eleitoral do país.

O site lançou na última terça-feira (10) uma lista com os valores depositados pelos principais fundos de campanha e os candidatos beneficiados por esse dinheiro. Só entre os dez maiores doadores do Partido Republicano, o equivalente a R$ 30,2 milhões (cerca de US$ 17 milhões) foram arrecadados – e ainda faltam mais de seis meses para o partido escolher oficialmente o seu candidato.

Desde 2010, uma emenda constitucional estabelece um limite de cerca de R$ 4 mil (o equivalente a US$ 2.500) para doações de pessoas físicas diretamente aos candidatos às eleições, mas permite que empresas e PACs (Comitê de Ação Política, na sigla em inglês) criem comerciais e doem dinheiro ilimitado sem a necessidade de prestar de contas. Não há limite para as doações de pessoas físicas a PACs.

Na época, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que a emenda iria “restringir a influencia estrangeira nas eleições americanas”, mas críticos do sistema eleitoral do país argumentam que a lei, na verdade, colocou ainda mais poder nas mãos de bancos e corporações para mudar o rumo das urnas.

Conservadores dominam doações de campanha

As críticas podem ser comprovadas pelas estatísticas divulgadas pelo CRP (Centro de Política Responsável, na sigla em inglês), ONG que fiscaliza os gastos públicos do governo americano. Segundo os dados divulgados pelo, o dono do cassino Sands em Las Vegas, Sheldon Adison, é responsável por R$ 8,8 milhões (US$ 5 milhões) para o PAC de campanha de Newt Gingrich, Winning Our Future (Vencendo nosso futuro, em inglês). Gingrich é o único pré-candidato republicano que aparenta ameaçar o favorito à candidatura, Mitt Romney.

De fato, os números do CRP mostram que os republicanos são os mais beneficiados pela criação dos PACs, agora conhecidos como Super PACs pela quantidade de dinheiro que vêm arrecadando.

De acordo com as estatísticas, 17 dos 20 PACs mais gastadores apoiam candidatos do Partido Republicano. Dez desses 20 fundos de campanha são voltados para a candidatura de Mitt Romney, e apenas três são favoráveis ao presidente Barack Obama.

Entre os principais doadores de Romney estão Bob Perry, um dos principais empresários da construção civil dos EUA, e o 17º homem mais rico do país, John Paulson, um lobbista que, segundo o jornal The New York Times, foi um dos homens mais beneficiados do mundo pela crise financeira de 2008, com ganhos de até US$ 4 bilhões em um único dia no auge do colapso de bancos e hipotecas americanas. Perry é doador do PAC Crossroads (Encruzilhadas, em português), mantido pelo ex-assessor de George W. Bush, Karl Rove, enquanto Paulson investe seu dinheiro no PAC Restore Our Future (Reconstruir nosso futuro, em tradução livre), de Mitt Romney.

O único milionário da lista do CRP a doar dinheiro para Obama é o ex-diretor-executivo da Disney, Jeffrey Katzenberg. Segundo a ONG, Katzenberg já doou pouco mais de R$ 3 milhões (US$ 2 milhões) para o PAC Priorities USA Action (Ação de prioridades dos EUA, em tradução livre).

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Especialista pede mais segurança nos cruzeiros

Publicado em Mundo por Caiopro em 20/01/2012

Capitão do Costa Concordia infringiu normas, mas não é o único culpado, diz especialista

CostaConcordia

Naufrágio poderá servir para a reformulação de normas marítimas internacionais

O naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concordia, ocorrido na última sexta-feira (13) na costa da Itália, foi fruto de uma situação “completamente atípica e injustificável” de descumprimento das regras marítimas internacionais, segundo o presidente da ABTN (Associação Brasileira os Tripulantes em Navios de Cruzeiro), Alexandre Castro. Para ele, as normas estão adequadas, mas o treinamento dado a “tripulantes não marítimos” (como fotógrafos e garçons) e passageiros dos navios de cruzeiro está desatualizado.

Especialista em segurança no mar, Castro confirmou que o acidente foi provocado por um erro humano e defendeu que as regras internacionais de navegação estão em dia, mas disse também que é preciso reformar algumas das normas de segurança para navios de cruzeiro.

No entanto, apesar de admitir que o capitão do Costa Concordia, Francesco Schettino – preso logo após o acidente, acusado de homicídio pelas 11 vítimas já confirmadas no naufrágio – errou, Castro alerta que o comandante pode não ser o único culpado pela tragédia.

- Esse comandante não errou sozinho. Outros oficiais também deixaram a situação chegar aonde chegou. Equipamentos para evitar o acidente, eles tinham. Esses erros foram um efeito dominó, e ele não deve ser o único condenado.

De acordo com Castro, está claro que o acidente foi provocado por uma série de erros – como se aproximar perigosamente da costa sem observar os equipamentos de radar para detectar a rocha que rasgou parte do casco do navio.

Mas, para o especialista, a parte mais “dolorosa” do acidente está na postura do capitão ao abandonar o navio. Segundo Castro, Schettino violou uma “convenção mãe” da segurança marítima, a Convenção SOLAS (Salvaguarda da Vida Humana no Mar, na sigla em inglês) ao abandonar o barco antes dos passageiros.

- Em primeiro lugar, ele [o capitão] é a autoridade máxima dentro do navio, até porque as normas internacionais de gerenciamento de segurança delegam a total autoridade com relação às emergências para ele. Isso vai completamente contra as regras de segurança.

O capitão não pode coordenar as operações de comandante ou qualquer outro tipo de situação de emergência de terra firme ou do porto. Para você ter uma ideia de como ele descumpriu as regras de segurança, nem o capitão do Titanic abandonou o barco, e naquela época ainda não existia nenhuma legislação.

Segundo Castro, o acidente pode ter sido provocado por uma postura “romântica” do capitão, que queria supostamente homenagear um amigo da ilha de Giglio, onde o navio afundou após se aproximar demais da costa.

- Ele foi extremamente infeliz nessa decisão. Ele pode ter feito isso por amizade, romantismo, simpatia etc., mas tem horas em que você precisa ter 100% de seriedade.

Passageiros precisam de treinamento

Professor de técnicas de segurança marítima e especialista em gerenciamento de crises e controle de pânico, Castro afirma que as normas de segurança da IMO (Organização Marítima Internacional, órgão máximo da lei marítima mundial) não estão defasadas e que o descumprimento destas leis levou ao acidente.

No entanto, ele alerta que o treinamento dado a “tripulantes não marítimos” (como fotógrafos e garçons) e passageiros dos navios de cruzeiro em controle de pânico é inadequado.

- Os passageiros levam na brincadeira e a IMO tem que dar mais atenção a isso. Acredito que o naufrágio do Costa Concordia possa levar a mudanças nesse sentido. O passageiro do navio de cruzeiro precisa ter uma informação mais clara sobre as regras de segurança principalmente antes de embarcar. No momento em que ele é levado ao treinamento atual, que não é tratado com irresponsabilidade, ele não presta a devida atenção. O passageiro de primeira viagem até dá atenção às instruções, mas o mais experiente não. Por isso, uma das principais causas de acidentes marítimos é familiarização excessiva com os navios.

Além disso, segundo Castro, garçons, salva-vidas, cozinheiros e outros profissionais que não fazem parte da tripulação marítima essencial ainda recebem um treinamento aquém do que é necessário para o gerenciamento de crises e controle de pânico. Muitas vezes trabalham mais horas do que é permitido pela IMO aos demais tripulantes, mas ainda possuem um papel importante nos momentos de crise em um navio de cruzeiro.

Desde o naufrágio do Titanic, em 1912, mais de cem resoluções foram criadas para dar mais segurança às viagens marítimas – e a cada novo acidente grave, a IMO continua a estabelecer novas regras.

De acordo com Castro, a expectativa agora é de que o naufrágio do Costa Concordia leve a entidade a discutir novas convenções de segurança e controle de pânico entre passageiros e tripulantes.

No entanto, outro ponto abordado pelo especialista é com relação aos móveis nos navios de cruzeiro – que normalmente não estão “pregados” ao chão devido a questões de “luxo”.

- Isso [móveis soltos] compromete muito a segurança, principalmente no caso de mau tempo. Muitas vezes os projetos de navio cruzeiro não levam em conta a segurança, mas sim a beleza e o luxo da embarcação. Tem que travar os moveis no chão! Essa pode ter sido a causa do desaparecimento de algumas pessoas no Costa Concordia. Elas podem estar em setores do navio presas atrás de móveis.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Governo da Coreia do Norte pune quem “fingiu” o choro pela morte de ditador

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 15/01/2012

Cidadãos cujas lágrimas não pareceram “genuínas” são perseguidos, diz revista

Crianças norte-coreanas choram a morte de Kim Jong-il em Pyongyang. O pranto coletivo em torno do ex-líder provocou dúvidas sobre a sinceridade das demonstrações

O regime da Coreia do Norte está punindo cidadãos que “fingiram seu sofrimento” após a morte do líder Kim Jong-il, morto por um ataque cardíaco em dezembro de 2011, segundo a revista sul-coreana Daily NK.

Galeria: Norte-coreanos choram a morte do ditador

Mais fotos: Conheça dez curiosidades sobre Kim Jong-il

De acordo com o portal de notícias americano The Huffington Post, uma fonte anônima ligada ao regime norte-coreano informou ao Daily NK que as autoridades comunistas começaram a sentenciar a pelo menos seis meses de trabalhos forçados os cidadãos que não participaram das demonstrações de luto pelo ex-líder ou cujo choro não pareceu “genuíno”.

Além disso, o Daily NK afirma que o governo também vêm perseguindo pessoas acusadas de criticar o sucessor de Kim Jong-il, seu filho Kim Jong-un, e enviando famílias inteiras para o exílio em áreas rurais remotas.

Segundo a revista sul-coreana, a perseguição começou ainda no último dia de luto oficial estipulado pelo governo norte-coreano, no dia 29 de dezembro. De acordo com a fonte, a ordem era para que todos que fingiram chorar pelo ditador fossem presos até o último domingo (8).

Imagens: Veja outros ditadores que continuam no poder

As imagens de norte-coreanos chorando após a morte do líder Kim Jong-il, no dia 17 de dezembro, correram o mundo e passaram a impressão de que um sentimento generalizado de tristeza e luto no país.

No entanto, esse comportamento levantou questionamentos sobre a sinceridade da expressão de sentimentos demostrada nas imagens da televisão estatal do país – e até que ponto os norte-coreanos não estariam seguindo regras de procedimento.

As cenas mostravam homens e mulheres ajoelhados nas ruas e em praças, chorando convulsivamente em frente a monumentos e memoriais dedicados a Kim Jon-il, uma mulher perguntando “Como ele pode nos deixar?”, entre outras cenas que lembravam o período de luto depois da morte de Kim Il-sung, pai de Kim Jong-il, em 1994.

Governo investe em propaganda para “endeusar” sucessor de Kim Jong-il

Segundo a revista sul-coreana Daily NK, o governo da Coreia do Norte ultimamente vem se esforçando para criar uma “imagem de ídolo” em torno do sucessor de Kim Jong-il, seu filho Kim Jong-un.

De acordo com uma fonte anônima ouvida pela revista, carros-som têm passeado pelas ruas da capital Pyongyang emitindo mensagens para “engrandecer” o novo ditador.

- Todo dia, das 7 da manhã às 7 da noite, eles [o governo] colocam carros-som em avenidas movimentadas para fazer barulho e enaltecer a grandeza de Kim Jong-un.

Segundo a fonte, a propaganda é tão intensa que funcionários de fábricas, escolas e outras empresas estatais têm sido obrigados a frequentar aulas sobre a vida do novo líder.

Recentemente, a TV norte-coreana transmitiu um documentário sobre Kim Jong-un para marcar o suposto aniversário do novo líder, que assumiu o poder há menos de um mês. No filme, o novo líder é qualificado de “gênio dos gênios” em estratégia militar, entre outros adjetivos lisonjeadores.

O filme mostra Kim Jong-un em seu novo papel como comandante supremo militar, inspecionando tropas, saudando militares e testando um tanque. Além disso, o documentário afirma que Kim Jong-un redigiu sua primeira tese militar aos 16 anos e que dorme apenas três ou quatro horas por noite

Kim Jong-un, cuja idade exata não é conhecida, mas acredita-se que tenha cerca de 30 anos, foi alçado à condição de líder norte-coreano após a morte de seu pai, Kim Jong-il. que governava o país desde 1994.

matéria publicada originalmente no Portal R7

Cristina, o câncer que não era câncer e as compras

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 10/01/2012

Líder comunicou suposto câncer no dia em que anunciou compra de dois apartamentos chiques

Cristina e o luxo

Presidente argentina, Cristina Kirchner, é conhecida por ser uma amante de moda e produtos de marca

A doença da presidente argentina Cristina Kirchner afastou dos noticiários uma compra milionária da família, relatou a imprensa argentina nos últimos dias. Cristina, que anunciou ter sido diagnosticada com um carcinoma (um tumor cancerígeno) na tireoide no dia 27 de dezembro, teria comprado dois apartamentos milionários no bairro chique de Puerto Madero, em Buenos Aires.

As informações foram publicadas no Diário Oficial do governo no mesmo dia 27, informam jornais como o La Nación e o oposicionista Clarín.

Cristina passou por uma cirurgia para a retirada do suposto tumor no último sábado (7), quando se descobriu que ela, na verdade, tinha apenas nódulos na tireoide. Os corpos estranhos foram retirados com sucesso, mas a reação calma da presidente chamou a atenção de colunistas da imprensa local.

Usuários das redes sociais ironizaram a situação, chamando o “câncer que não era câncer” de “o primeiro milagre de São Néstor”, em referência ao ex-marido da presidente, falecido há pouco mais de um ano e meio.

Já a oposição, liderada pelo ex-candidato presidencial Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín, se limitou a, sarcasticamente, se dizer feliz por saber que “a presidente não padece da doença que se supunha que tinha”.

No entanto, a história toda causa mais arrepios do que risadas quando nos deparamos com os detalhes.

De acordo com informações do próprio Diário Oficial do governo argentino, a presidente agora é dona de dois apartamentos no Puerto Madero, um dos bairros mais chiques da capital Buenos Aires. Um deles tem 400 m². O outro, 200 m². Para se ter uma ideia do luxo envolvido no negócio, o primeiro apartamento dá direito a oito vagas de garagem.

Segundo o La Nación, a família Kirchner é dona do imóvel desde 2010, mas o anúncio de sua compra curiosamente só foi feito no mesmo dia em que a presidente revelou “estar com câncer”.
E há outros motivos para desconfiar.

No mesmo dia em que ocorreu o anúncio do câncer, Kirchner ainda sofreu uma derrota muito amarga. Finalmente, após quase dez anos de batalhas judiciais, testes de DNA provaram que os filhos adotivos da dona do jornal Clarín, Ernestina Herrera de Noble, não são filhos de desaparecidos da ditadura. Foi um duro golpe para a presidente que se elegeu e reelegeu prometendo levar o caso até as últimas consequências, acusando Ernestina de ter sido uma aliada do regime militar e uma sequestradora de crianças.

O anúncio, feito na voz cabisbaixa da líder do grupo Avós da Praça de Maio (que procura filhos de desaparecidos políticos), sequer foi noticiado por diversos jornais governistas.

Desde o governo de Néstor, o kirchnerismo realiza uma verdadeira cruzada contra o grupo Clarín. Kirchner perdeu com a notícia de que “era falsa a acusação” contra a mãe adotiva do casal de gêmeos Felipe e Marcela, mas no final ainda conseguiu a polêmica aprovação de uma lei que monopoliza a produção de papel de jornal nas mãos do governo.

Mas, voltando ao câncer, nem os médicos apresentaram, ainda, uma explicação para o diagnóstico incorreto. Apenas 2% dos casos de câncer na tireoide são diagnosticados com algum erro, dizem médicos ouvidos pelo Clarín e pelo La Nación. Ou Cristina tentou esconder algo, ou a competência dos médicos da presidente deveria ser duramente questionada. Não foi, e Cristina, na verdade, apenas agradeceu e rasgou elogios à sua equipe de diagnóstico e cirurgia.

Em todos os casos, as perspectivas para a relação entre Cristina e a mídia argentina em 2012 são preocupantes.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Paul McCartney aumenta pressão por novas regras para a imprensa britânica

Publicado em Mundo por Caiopro em 03/12/2011

Ex-Beatle se reuniu com a polícia para analisar provas de que jornalistas grampearam seu telefone

Paul McCartney é mais uma celebridade a ter tido seu telefone grampeado

O ex-Beatles Paul McCartney pediu neste sábado (3) que as autoridades britânicas aprovem uma nova regulamentação para a atuação da imprensa no país, após a polícia lhe mostrar provas de que seu telefone teria sido grampeado.

Hugh grant acusa tabloides por escutas

Paparazzi defende invasões de privacidade

McCartney acredita que teve seu celular grampeado por vários jornalistas na época em que se divorciou da sua segunda mulher, Heather Mills, em 2008, diz o site do jornal britânico The Guardian neste sábado.

O ex-Beatle teve uma reunião com a polícia de Londres após se mostrar preocupado em ser uma das vítimas do escândalo das escutas ilegais praticadas por jornalistas de tabloides britânicos como o News of The World, fechado em julho.

Em agosto, Heather Mills acusou funcionários do tabloide britânico The Times de terem grampeado seu telefone, após a publicação de matérias sobre as crises do casal em 2001. Na época, o ex-editor do jornal, Piers Morgan (que hoje é apresentador de um talk show na rede de TV CNN) rebateu as acusações dizendo que a própria Heather é que teria grampeado o telefone de McCartney.

McCartney, que se casou com sua terceira esposa, Nancy Shevell, em outubro deste ano disse que sabia que seu telefone estava sendo rastreado porque os tabloides conseguiam histórias “com detalhes pessoais que ele não havia contado a ninguém”, diz o Guardian.

Segundo o músico, as invasões de privacidade mudaram seu comportamento ao telefone e pediu novas regras para evitar abusos da imprensa britânica.

- Eu tento não falar muito ao telefone mais. Se deixo uma mensagem, é sobre alguma coisa boa.Você se adapta às circunstâncias, mas eu acho que seria bom se tivéssemos algumas leis.

McCartney é mais uma celebridade a afirmar que teve seu telefone grampeado por jornais britânicos. O escândalo dos grampos, revelado em julho, agora é investigado pela comissão Leveson, que ouviu durante esta semana jornalistas, atores e outras vítimas de escutas ilegais para chegar a recomendações para uma nova regulamentação para a imprensa local.

Entre as supostas vítimas dos grampos ouvidas pela comissão Leveson estão o ator britânico Hugh Grant, a atriz Sienna Miller, a autora de Harry Potter, J.K. Rowling e o ex-diretor da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Mos Wesley.
* matéria publicada originalmente no Portal R7

Paparazzi xinga ex-editores e defende invasões de privacidade

Publicado em Mundo por Caiopro em 29/11/2011

Ex-funcionário do News of the World teve depoimento controverso na comissão dos grampos

Ex-jornalista do News of the World, Paul McMullan testemunha diante da comissão Leveson, que investiga os grampos telefônicos ilegais praticados por funcionários do tabloide britânico

Os ex-editores News of the World, Andy Coulson e Rebekah Brooks, são “a escória do jornalismo”, disse nesta terça-feira (29) um ex-jornalista do tabloide britânico à comissão que investiga o caso dos grampos telefônicos ilegais praticados por funcionários do jornal.

Paul McMullan, um dos poucos ex-funcionários do News of the World a afirmar que os crimes eram de conhecimento geral nas redações do tabloide, testemunhou nesta terça-feira à comissão Leveson, em Londres. Ele defendeu o “direito” de a imprensa invadir a privacidade das pessoas, e teve de ser alertado diversas vezes para que não se incriminasse diante do tribunal.

A comissão também ouviu nesta terça o repórter Nick Davies, do jornal The Guardian, que revelou o caso em julho deste ano.

De acordo com McMullan, Coulson foi o responsável por disseminar as escutas telefônicas como uma prática corriqueira no News of the World, em 2003. Ele também chamou sua ex-editora, Rebekah Brooks, de “chefe do crime”, diz o site do jornal britânico The Guardian.

O tabloide foi fechado em julho de 2011 por causa das acusações de seus repórteres estariam grampeando o telefone de familiares de vítimas de crimes e celebridades britânicas para conseguir furos de reportagem.

Perguntado sobre se seus editores sabiam das escutas ilegais, McMullan disse que Brooks e Coulson haviam encomendado os grampos telefônicos.

- Eu poderia ir até mais longe [do que dizer que eles sabiam]. Nós [jornalistas do News of the World] faziamos essas coisas para os nossos editores. Você só precisa ler as colunas de [Andy] Coulson, era tão óbvio. Mas eu não sei se algum de nós sabia que estava cometendo um crime na época.

McMullan acusou Coulson de ser o responsável por disseminar a prática no tabloide.

- Andy Coulson foi quem trouxe a prática toda consigo, quando virou editor do News of the World. Ele deveria ter tido a força de convicção para dizer que “às vezes você precisa ter um pé na ilegalidade”, mas ao invés disso, preferiu dizer que ninguém sabia de nada. Eles [Coulson e Brooks] deveriam ser os heróis do jornalismo, mas são a escória do jornalismo por tentar incriminar a mim e aos meus colegas.

Tanto Andy Coulson quanto Rebekah Brooks negam saber das escutas telefônicas ilegais praticadas pelo jornal.

Jornalista defende invasões de privacidade

O juiz Leveson, que preside a comissão, teve de alertar por várias vezes que Paul McMullan poderia estar se incriminando diante do tribunal. O ex-funcionário do News of the World defendeu que a imprensa tem o direito de invadir a vida pessoal dos cidadãos e disse que “privacidade é coisa para pedófilos”.

- Durante 21 anos eu invadi a privacidade das pessoas e nunca encontrei ninguém que não estivesse fazendo algo de errado. Privacidade é um espaço que pessoas ruins precisam para fazer coisas ruins. Privacidade é para pedófilos.

O jornalista também defendeu o trabalho dos paparazzi como os que provocaram o acidente de carro em que a princesa Diana morreu.

- Eu adorava essas perseguições de celebridades. Antes de a princesa [Diana] morrer era tudo tão divertido. Quantos trabalhos no mundo envolvem perseguições de carro?

McMullan defendeu seus antigos colegas do News of the World, a quem chamou de “honestos e honrados”, e disse que grampear o telefone da menina Milly Dowler (assassinada por um pedófilo em 2003) “não foi um mau-jornalismo”. Segundo ele, os repórteres do tabloide queriam descobrir se a menina estava viva, já que não tinham muita confiança na polícia.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Hugh Grant acusa tabloides por grampos telefônicos

Publicado em Mundo por Caiopro em 21/11/2011

Ator denuncia o jornal Sunday por hackear seu celular atrás de conversas “picantes”

Ator britânico Hugh Grant é abordado por cinegrafistas na saída de seu depoimento diante da comissão parlamentar que investiga o as escutas ilegais praticadas por jornalistas britânicos

O ator britânico Hugh Grant (de Um Lugar Chamado Notting Hill) levantou novas suspeitas nesta segunda-feira (21) sobre o escândalo dos grampos ilegais dos telefones de celebridades e outras personalidades do Reino Unido, praticados por jornalistas do grupo de mídia News International. Em depoimento à comissão que investiga o caso, Grant disse acreditar ter tido seu telefone “hackeado” por um jornalista do tabloide Sunday.

Relembre os barracos da imprensa

Entenda o escândalo dos grampos 

Diante da comissão Levenson, que investiga o caso no Tribunal Superior de Londres, Grant afirmou que uma história publicada em 2007 pelo jornal Sunday surgiu de escutas da caixa-postal de seu celular. A reportagem afirmava que o ator vinha recebendo telefonemas “picantes” durante a madrugada, diz o blog em tempo real do jornal The Guardian.

De acordo com o jornal britânico The Telegraph, o parlamentar Robert Jay CQ questionou o depoimento do ator, dizendo se tratar de “pura especulação”. Grant respondeu dizendo que “adoraria ouvir explicações do jornal” e saber quem foram suas fontes.

- Não consigo pensar em nenhuma fonte possível para essa história do Sunday que não sejam as mensagens de voz no meu telefone.

O ator reafirmou possuir uma gravação em que um antigo funcionário do News of the World, Paul McMullan, admitiu que o jornal praticava grampos ilegais durante uma conversa informal com Grant. Ele já havia dito isso em abril, mas novamente se negou a mostrar a fita, dizendo que “não quer mandar Paul para a cadeia”.

Grant diz ter tido apartamento invadido por jornalistas

Além disso, Grant também disse que seu apartamento foi invadido por jornalistas durante os anos 1990. Segundo ele, nada foi roubado, mas uma matéria no dia seguinte listava uma série de objetos pessoais.

O ator também acusou o tabloide britânico Daily Mail de ter pagado o equivalente a R$ 419 mil (cerca de 150 mil libras) ao ex-namorado da mãe de uma de suas filhas para conseguir fotos dela nua. Em outro momento, Grant também disse que um paparazzi já chegou a ameaçar a avó de uma de suas filhas.

Essa é a primeira vez que o Sunday é citado durante o escândalo, que recai principalmente sobre o extinto tabloide News of the World, também propriedade do magnata das comunicações Rupert Murdoch. Funcionários do grupo são acusados de ter grampeado telefones de celebridades, da família real, autoridades, famílias de soldados britânicos no Iraque e Afeganistão, e da garota Milly Dowler, caso que revelou o escândalo.

A menina de 13 anos foi sequestrada e assassinada por um pedófilo, mas os pais da garota e a polícia foram induzidos a pensar que ela continuava viva porque jornalistas do News of the World adulteraram mensagens de voz em seu celular. Os pais da adolescente também prestaram depoimento nessa segunda-feira.

Ator chama imprensa britânica de “bullying”

Hugh Grant encerrou sua participação na comissão listando “os dez mitos” do jornalismo praticado pelos tabloides britânicos. Ele citou, por exemplo, que os funcionários do News of the World não grampearam apenas os telefones de celebridades, mas também de familiares de soldados britânicos e vítimas de crimes.

Grant se disse a favor da liberdade de imprensa, mas pediu para que os parlamentares cheguem a novas regulamentações para proteger a privacidade. Segundo ele, chegou a hora de o país se defender do “bullying” de parte da imprensa local.

- Existem alguns exemplos de jornalismo tóxico sendo praticado ao redor do mundo, mas no geral isso é feito com elegância. Uma elegância que perdemos nesse país. A principal tática parece ser bullying e chantagem. Precisa de muita coragem para desafiar isso. Acho que nosso país [Reino Unido] tem um histórico de combater valentões e acho que chegou a hora de encontrarmos coragem para vencer esse.

Pais de pré-adolescente hackeada também testemunham

Os pais de Milly Dowler, assassinada em 2002 por um pedófilo, também prestaram depoimento a comissão parlamentar que investiga o escândalo das escutas no Reino Unido. Bob e Sally Dowler contaram sobre o momento em que foram induzidos a pensar que sua filha talvez ainda estivesse viva. Os dois foram as primeiras vítimas dos supostos grampos a depor na comissão.

- Vi uma mensagem de voz no celular dela e disse: “ela ouviu uma mensagem de voz, Bob! Ela está viva!”

Jornalistas do News of the World são acusados de terem adulterado mensagens de voz no cellular da menina, o que fez com que autoridades pensassem que ela pudesse estar movimentando sua conta telefônica. O caso foi revelado em julho deste ano e, semanas depois, levou ao fechamento do tabloide de 164 anos, o mais antigo do Reino Unido.

O casal também contou acreditar que seus próprios telefones foram hackeados por jornalistas do tabloide. Segundo eles, o jornal os espionou durante as semanas seguintes ao desaparecimento de sua filha para conseguir fotografias exclusivas.

Sally, a mãe, relatou ainda seu encontro “muito tenso” com o dono do jornal, o octagenário Rupert Murdoch. Segundo ela, Murdoch se desculpou parecendo “muito sincero”. Eles receberam até R$ 8,3 milhões em indenizações do jornal, diz o The Guardian.

Murdoch e seu filho, James, são alvos da investigação sobre o escândalo. James Murdoch inclusive já foi questionado duas vezes pela comissão parlamentar, onde recentemente acusou seu antigo editor e um advogado da empresa pela prática.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

Palestina: do outro lado da linha

Publicado em Livros, Quadrinhos, Resenhas por Caiopro em 17/11/2011

Como os quadrinhos e Joe Sacco discutem a crise permanente entre árabes e judeus na chamada “terra prometida”

Um relatório preliminar já adianta o revés: os países membros do comitê que analisa a candidatura da Autoridade Nacional Palestina para se tornar um país membro da ONU não chegaram a um acordo. De acordo com documentos preliminares, dos nove votos necessários para aprovar a medida, os palestinos poderão contar com apenas oito. Assim, a proposta não chegará nem mesmo ao Conselho de Segurança da ONU, onde os Estados Unidos já prometiam exercer seu poder de veto – mesmo assumindo o risco de se tornarem ainda mais impopulares entre os países que apoiaram a candidatura.

Joe Sacco usa as histórias em quadrinhos para ilustrar o dia a dia da Cisjordânia ocupada

Discurso da liberdade a partir da opressão

Uma história de duas cidades

A paz ingênua na terra em guerra

Mas apesar da frustração, a iniciativa dos palestinos em se adiantar (e conturbar ainda mais suas relações com Israel) contribuiu para reavivar um debate mundial sobre seus direitos nos territórios ocupados. Exemplo disso é a reedição no Brasil de um dos melhores quadrinhos de teor jornalístico da última década. Em Palestina – Uma nação ocupada, o jornalista norte-americano Joe Sacco ilustra bem a realidade dos árabes que vivem do outro lado de um abismo imaginário entre duas realidades distintas e sistematicamente ignoradas pela mídia e por boa parte da comunidade internacional.

As histórias contadas pelo autor nos territórios ocupados resumem bem as ideias do estudioso português Boaventura de Sousa Santos, professor de Economia na Universidade de Coimbra, em Portugal. Para Boaventura, o mundo atual nunca abandonou os vícios do colonialismo e acentuou as divisões entre pobres e ricos, favorecidos e miseráveis. Hoje, vivemos uma realidade dividida entre dois universos distintos: o que está deste lado da linha separado do que há do outro lado de nossa confortável realidade, impossível de ser devidamente apreciado ou de nos tocar genuinamente. Mais do que nunca, existem profundas diferenças entre nós, Ocidente, e eles, o mundo não-ocidental. Nós não nos importamos e nem poderíamos nos importar com o que acontece do outro lado simplesmente porque não conseguimos sequer vislumbrar uma realidade que, de tão estranha às nossas vidas, não nos atinge.

Essas diferenças se acentuaram ainda mais com a ascensão dos meios de comunicação, como ilustra o prefácio do jornalista José Arbex na versão brasileira de Uma nação ocupada (publicada pela editora Conrad). Arbex diz muito sobre a maneira que Sacco escolheu para contar e montar a estrutura das histórias dos personagens que conheceu em suas viagens aos territórios ocupados. Para o jornalista, a imprensa como um todo está contaminada por uma profunda insensibilidade, o que ele chama de “plastificação do telejornal” e “cadernização” da notícia impressa. Segundo ele, acreditamos no que vemos porque a imagem é a forma mais impactante para se contar uma notícia, os fatos irrefutáveis. No entanto, irrefutável é uma palavra muito forte – a verdade é que a imprensa do nosso lado da linha abissal de Boaventura não vê nem ouve parte importante das histórias publicadas. Então, somos enganados pelo vermelho do sangue dos soldados judeus estampados na capa do Haaretz (o mais influente jornal de Israel) ou do Estado de S. Paulo. Ao mesmo tempo, o público é poupado dos corpos e imagens de mutilados ou pelas imagens dos rabiscos verdes das câmeras infravermelhas que registram os tiros de artilharia pesada contra Gaza, transmitidos em tempo real pela rede de TV Al Jazeera, com sede do Qatar.

Com os quadrinhos, Sacco teve sua apuração beneficiada por não levar uma câmera. Isso permitiu com que o jornalista caminhasse livremente por territórios nebulosos ao direito internacional, como a prisão de Ansar III, para onde são levados muitos dos palestinos presos em protestos ligados à Intifada (guerra com pedras, em árabe) contra os tanques israelenses. Ansar faz parte do que Boaventura chama de territórios a-legais. Tratam-se de locais em que, à exemplo da infame base de Guantánamo (em Cuba), operam às margens do que consideramos como justo ou correto ou ético. São lugares que comprometem, mais do que atropelar as etapas do processo de paz, a própria fundamentação do Estado de Direito e vão ao encontro de ideais cada vez mais fascistas sob o preceito de defender uma população em detrimento da outra. No caso, os outros são os palestinos que contam as histórias de horror, pobreza, tortura e prisões sem direito à defesa nem julgamento ouvidos por Joe Sacco.

Israel e a construção de um apartheid

Embora a imprensa e a sociedade ocidental tenham, durante mais de 40 anos, fechado os olhos para a questão palestina, ela existe e é muito dura. Para Boaventura, há um movimento que ameaça os paradigmas sobre os quais se construiu o pensamento moderno. Estamos indo em direção ao autoritarismo, partido de uma lógica de regulação para um movimento de apropriação e escalada de violência, e isso é algo fundamental para se entender a história palestina.

Famílias da Cisjordânia sofrem com as provocações de colonos e soldados israelenses

Em Uma nação ocupada, Sacco contextualiza o movimento sionista em dois momentos: o da legalidade, fundamentada em pleitos na recém-criada ONU para a criação do Estado de Israel após o Holocausto; e um segundo momento de reação aos ataques das Forças Armadas dos países árabes vizinhos que levou o Estado Judeu a se definir no formato opressor que adota até os dias de hoje.

Em Israel e nos assentamentos judeus da Cisjordânia, a desconfiança em relação ao outro (o palestino) confinou a população árabe em cidades fortemente vigiadas e à construção de ilegal de um muro que oprime os direitos fundamentais dos árabes sitiados, como em Ramallah – onde Sacco passa a maior parte do livro HQ. Mais do que isso, Israel obriga seus próprios cidadãos a uma rotina de medo, vivendo em uma estreita porção de terra altamente controlada.

Nas reportagens de Sacco, a simples existência do árabe é retratada como uma intromissão ao direito de Israel existir. Isso por si só justificaria a situação contemplada por Boaventura em sua concepção de um apartheid social. Trata-se de uma relação completamente desigual de poderes que coloca os palestinos como cidadãos de segunda classe, proibidos, por exemplo, até mesmo de visitar as margens do Mar Morto (que fica dentro do território da Cisjordânia ocupada). O apartheid descrito pelo português implica na construção de zonas civilizadas (os assentamentos judeus) separadas da realidade das zonas selvagens e de guerra civil que constantemente ameaçam os limites abissais entre essas duas civilizações. É mais do que uma guerra de classe.

A situação desumana na Cisjordânia ocupada

Em Uma nação ocupada, Sacco consegue ilustrar as relações de poder (e de relevância jornalística) através de pequenas crônicas sobre o dia a dia e os dramas de algumas famílias palestinas. Vivendo em um estado de emergência constante, seus personagens contam como seus direitos foram, sucessivas vezes, arrancados por militares israelenses. Contam também das pequenas e dolorosas humilhações acumuladas, daquelas que nunca entrariam na pauta do Jornal Nacional, mas que demonstram o descaso com que as autoridades tratam esses indivíduos quase sub-humanos pela perspectiva do Estado Judeu.

Por exemplo, o autor conta a história de uma família palestina que, após conflitos com os colonos judeus, tiveram dezenas de árvores de oliveira cortadas por “razões de segurança”. Uma oliveira pode demorar até dez anos para dar óleo de oliva, a principal fonte de renda para várias dessas famílias da Cisjordânia, mas os relatos de Sacco mostram pessoas comuns (e não terroristas) chorando e sendo caçoadas pelos soldados por se desesperarem por “motivos banais”.

O que acontece nos territórios de Israel, demonstra Sacco, é uma situação que ratifica um pós-contratualismo de um Estado que caminha rumo ao mesmo tipo de fascismo que 60 anos atrás exterminou milhões de judeus na Alemanha nazista. Na Cisjordânia, os cidadãos palestinos são obrigados a aceitar a eliminação de seus direitos econômicos, políticos e sociais para a segurança dos colonos. Da mesma forma, os colonos também são obrigados a assinar embaixo de uma postura totalitária e militarizante do Estado em troca de proteção.

Reivindicações palestinas

A importância de se discutir a aprovação de um Estado Palestino na ONU vai além do aparente esgotamento das negociações de paz. A proposta israelense, que não abre mão de seus assentamentos e continua a construir novas vilas contra uma série de resoluções das Nações Unidas. Enquanto permanece irredutível quanto às suas fronteiras, na verdade o Estado Judeu aplica uma dinâmica de apropriação e violência para silenciar as reivindicações palestinas de bem-estar social e soberania sobre seus territórios.

Suprimir os confrontos sem se comprometer com quaisquer exigências árabes só serve para mascarar e ratificar a impunidade de uma série de crimes cometidos por Israel e tolerados pelo restante da comunidade internacional – em especial dos EUA e dos outros membros do Conselho de Segurança, responsável por aplicar ou não sanções contra crimes contra a humanidade como os que ocorrem nos ataques de suas forças de segurança contra os territórios palestinos a cada retaliação aos atentados terroristas efetuados por facções como o Hamas, que atualmente governa Gaza.

A investida palestina é, em parte, um esforço para dobrar a linha que separa duas realidades sociais e de pensamento entre o Ocidente e o outro lado. Legitimar suas questões seria legitimar e levar à Justiça um sem-número de crimes ignorados pela ONU, por exemplo.

Joe Sacco também realiza esse esforço e, embora encara os fatos sob uma perspectiva que ainda se coloca do nosso lado da linha, lembrando sempre da violação de paradigmas do direito internacional como os direitos humanos, sublinha uma parte importante das histórias que tardam em ser contadas. Aquelas que só o esforço de um repórter investigativo pode amplificar os sinais e elucidar uma realidade que é constantemente ignorada pela opinião pública.

* matéria originalmente publicada no Paulista 900

Cristina Kirchner, a viúva de negro que conquistou os argentinos

Publicado em Mundo, Política por Caiopro em 23/10/2011

Dona de uma personalidade complexa, a presidente tenta se reeleger neste domingo (23)

Cristina viuva

Vestindo preto desde a morte de seu marido Néstor, Cristina Kirchner visita uma mesquita em viagem oficial a Istambul, na Turquia, em janeiro de 2011

A presidente argentina, Cristina Kirchner, com sua reeleição assegurada no domingo (23), é uma advogada de 58 anos com personalidade complexa, ao mesmo tempo frágil e autoritária, sedutora e taxativa, elegante e cerebral.

“Cristina tem uma dose de racionalidade. Ela é mais analítica”, disse em entrevista Alberto Fernández, chefe de gabinete dos Kirchner entre 2003 e 2008. Seu marido e antecessor, Néstor Kirchner (2003-2007), “era muito mais intuitivo”, diz.

Assim, onde Néstor Kirchner impunha suas decisões por seu próprio poder, Cristina precisa se justificar.

Reconhecida por sua facilidade com a oratória, é capaz de falar durante longo tempo sem papéis, citando cifras para apoiar suas afirmações.

Essa facilidade, herdada de sua passagem pelo Congresso, dão a ela um ar de “professora de escola” que irrita bastante muitos argentinos.

Cristina e Nestor

Cristina lança troca olhares com o marido Néstor Kirchner, que faleceu em 2010 vítima de um ataque cardíaco

Vaidade da presidente é prato cheio para a oposição

Sempre de salto alto, unhas compridas, com cabelos longos sobre os ombros, Cristina já teve quedas de pressão que a obrigaram a suspender suas atividades, inclusive viagens ao exterior.

Solitária, também se distancia de seus colaboradores. “Cristina não te deixa margem para uma relação mais íntima. Ela é estadista e impõe distância”, disse um funcionário da Casa Rosada que não quis se identificar.

Alguns reprovam na presidente seu gosto por marcas de luxo, como Louis Vuitton ou Hermès. Na televisão, um comediante a imitou: “até a Victoria… Secret!”.

“Sempre foi muito elegante e sempre se maquiou muito”, afirma Fernández, completando que “com Néstor podíamos esperar até uma hora para ir jantar, porque ela estava se arrumando”. A obsessão pela aparência é na Argentina um traço típico da classe média à qual Cristina pertence.

Estilo ‘avassalador’ atrapalha negociações

Nascida em La Plata, cidade universitária a 60 km ao sul da capital, na província de Buenos Aires, aos 20 anos Cristina conheceu Néstor Kirchner, três anos mais velho, e se torna sua mulher seis meses depois.

Ambos militavam na Juventude Peronista antes de se refugiar na Patagônia durante a ditadura (1976-1983). Tiveram dois filhos, Máximo, 34 anos, e Florencia, 21.

Cristina Kirchner “é avassaladora”, destaca Alberto Fernández, apesar de “às vezes se chocar com a realidade e se dar conta de que não pode continuar avassalando”.

“Ela não escuta. Não há lugar para o diálogo”, diz Hermes Binner, seu rival da Frente Ampla Progressista, que está em segundo nas pesquisas, mas cerca de 40 pontos atrás de Cristina.

O grande conflito com os produtores agrícolas, em 2008, revela esse traço de seu caráter. Ela rejeitou até o final qualquer negociação, e perdeu mais de 20 pontos de popularidade. Seu vice-presidente, Julio Cobos, votou contra ela no Senado e passou à oposição.

Luto pelo marido é arma política para Cristina Kirchner

O enriquecimento pessoal dos Kirchner desde sua chegada ao governo (+928% entre 2003 e 2010, segundo sua declaração oficial de patrimônio) incomoda cada vez mais.

Mas a morte de seu marido, após uma crise cardíaca em 27 de outubro passado, lhe permitirá mostrar uma imagem totalmente diferente: mais sensível que autoritária e menos frívola.

Quase um ano depois da morte, Cristina Kirchner mantém o luto, que se transforma em uma ótima arma política.

“À noite, é a mulher que chora por seu marido. De dia, é a presidente”, resume Estela de Carlotto, titular das Avós da Praça de Maio.

Quando Cristina Kirchner fala “dele” na televisão, com sua voz embargada, sabe que chega diretamente no coração dos argentinos.

Para ser mais competitiva, só divulgou sua candidatura no último minuto.

“Já fiz tudo o que podia fazer”, disse em maio passado. No fim de junho, porém, acabou anunciando que tentaria a reeleição: “sempre soube qual era o meu dever”.

* matéria publicada originalmente no Portal R7

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